15/6/21
 
 
Vítor Rainho 04/06/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Do céu ao inferno de um reino pouco amigo

As más línguas dizem que o Reino Unido só abriu o corredor verde para permitir a realização da final da Liga dos Campeões em Portugal e que depois decidiu fechar outra vez a ‘ligação direta’. Parece-me um raciocínio um pouco primário, mas que toda esta história é bem estranha, lá isso é

A decisão do Reino Unido de nos retirar do seu corredor verde, que permitia aos seus cidadãos visitarem Portugal sem terem de ficar 10 dias de quarentena no regresso a casa, é bem o retrato da atualidade: nada pode ser dado como garantido e tudo pode mudar de um momento para o outro. Sendo de difícil entendimento, já que os números portugueses estão em níveis elevados de segurança, o Reino Unido alega duas coisas para mudar a sua posição em relação a Portugal. Em primeiro lugar, acusa-nos de ser um dos poucos países que ‘alberga’ uma estirpe da variante indiana que querem erradicar do Reino Unido. Havendo 90 casos no mundo, 12 estão em_Portugal, 36 no velho continente e os restantes espalhados por outros países. Mas o Governo de Boris Johnson não diz onde estão esses 12 casos ‘portugueses’. E, sendo assim, há espaço para as maiores especulações, até porque outra das razões para termos sido corridos do corredor verde, diz respeito à positividade dos ingleses que regressam a casa saídos de Portugal. E aí a história também é um pouco estranha. Entre 26 de março e 26 de abril apenas três ingleses que tinham estado em Portugal acusaram positivo, isto entre 500 testes à chegada ao Reino Unido. Agora dizem que a percentagem duplicou mas não revelam se a amostra também aumentou. Para adensar o mistério, fala-se numa nova mutação do vírus indiano, trazendo à conversa o Nepal, que, supostamente, não tem casos desta mutação. “Penso que é um pretexto para o Reino Unido atingir um objetivo qualquer que ainda não percebi qual é._Estou incrédulo”, diz ao i João Paulo Gomes, responsável pelo estudo de diversidade genética do coronavírus, do Instituto Ricardo Jorge. 

As más línguas dizem que o Reino Unido só abriu o corredor verde para permitir a realização da final da Liga dos Campeões em Portugal e que depois decidiu fechar outra vez a ‘ligação direta’. Parece-me um raciocínio um pouco primário, mas que toda esta história é bem estranha, lá isso é. E, assim, passamos mais uma vez do céu ao inferno num instante.


Especiais em Destaque

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×