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Rosa Oliveira. “Desde a morte do Luís Miguel [Nava] fechei a porta do aposento onde ele está”

Rosa Oliveira. “Desde a morte do Luís Miguel [Nava] fechei a porta do aposento onde ele está”

Teresa Carvalho 31/05/2021 16:43

Nascida em Viseu, em 1958, Rosa Oliveira é professora no ensino superior politécnico e em pouco tempo viu sair dos prelos dois livros de poemas: “errático”, publicado com o selo da Tinta-da-China, e “Desvio-me da bala que chega todos os dias”, da não (edições), na verdade uma plaquete cheia de cuidados gráficos. Integra 21 poemas; alguns têm a precisão de uma curva balística. Acertam no coração do tempo: o tempo que tudo desfaz e de que tudo é feito, o tempo vivido que persiste em nos habitar, o tempo nas suas dolorosas e irónicas rotações.

Rosa Oliveira tem sabido destacar-se por um pessoalíssimo modo poético, dominado por um trabalho de escrita que articula, muitas vezes de forma paródica, tradição literária e modernidade, e em cuja constituição entram, como tónicas, o cuidado construtivo, a confessionalidade esquiva, arredia, a truculência lúdica, um tom céptico, desencantado, friamente irónico. Quem desconheça os seus começos literários facilmente os confundirá com o arranque da colecção de poesia da Tinta-da-China, inaugurada com o seu livro de estreia, “cinza” (2013), a que se seguiu “tardio” (2017) e o mais recente “errático”, que vem fechar um ciclo. A metáfora & companhia continuam a ser as suas melhores aliadas. Já a 'Puizia', 'o sujeito poético' e 'o eu lírico', essas criaturas de extensíssima vida, causam-lhe “urticária mental em todos os poros”, certamente os mesmos por onde saem a teoria literária que, em generosas e irónicas doses, os seus livros de poemas convocam.


Como é que desaguaste em terras do Mondego?

Foi já depois de um certo percurso, não desaguei directamente de Viseu, onde nasci e cresci. Ainda em Viseu, fiz o curso do magistério primário, numa altura em que as universidades estavam fechadas, logo a seguir ao 25 de Abril [sou muito antiga]. Pelo meio, fiz uma paragem de um ano em Paris onde me inscrevi na Sorbonne e frequentei as aulas; ao fim desse ano, voltei a Viseu, concluí o curso e só depois é que vim estudar para Coimbra.


E não tornas a Viseu?

Não. A Viseu volto com nostalgia para visitar, mas seria incapaz de voltar a viver lá mais que três ou quatro dias. É uma cidade bonita, muito diferente do que foi nos anos 70 e 80. Quando saí tinha uma certeza: aqui não volto. Já quando fui para Paris tinha esse desejo. Precisava de um curso rapidamente para sair dali em segurança.


E como foi esse ano em Paris?

Isso foi em 1977, tinha 19 para 20 anos. Para além de vadiar, conheci pessoas importantes na minha vida, incluindo alguns dos meus amigos para a vida: o Alfredo Franco Alexandre, o Tozé Costa Afonso, que viria a ser meu cunhado. Foi um ano importante, pelos contactos com a literatura, a pintura, pelo mundo de possibilidades que se me abriu, mais de conversas até às cinco da manhã do que em termos de frequentar espectáculos, espaços culturais. Não tinha muito dinheiro, não ia à ópera [risos], andava por sítios onde era possível receber coisas culturais de forma acessível. Depois, houve vários acontecimentos familiares e pessoais que acabaram por me trazer a Portugal numa suposta viagem momentânea e acabei por ir ficando e retomei o curso. Deixei lá, aliás, grande parte das minhas coisas que acabei por não recuperar. Mas na altura precisava de calma no meio da agitação toda em que tinha andado nesse ano.


Por essa altura, já escrevias. Sobrou alguma coisa em que hoje te reconheças?

Era tudo muito mau, rejeitei tudo – completamente. Não me reconheço em nada do que escrevia, nem sequer nas influências. Ainda bem que não publiquei, nem me sentia preparada para publicar aqueles poemas, não os sentia acabados, eram tentativas, uns eflúvios …


Se, por esses anos, tivesse sido publicado o romance com que concorreste a um prémio literário [que distinguiu Lídia Jorge], isso mudaria o teu curso literário, no que toca a géneros?

Era esse o caminho que estava a tentar, mas desconfio que desembocaria num caminho sem saída porque não é a narrativa aquilo que me está nos genes da escrita. Romance nem pensar: não tenho estrutura mental para escrever um romance, que implica um projecto longo, pensado, vivido com ele, uma arquitectura, uma casa que não sou capaz de construir.


Curiosamente, alguns dos teus poemas de “Errático” são construções disciplinadas pela própria ideia da geometria, numa espécie de tentativa de ordenamento do território ...

Sim, mas o romance é uma construção a que não me atrevo: disperso-me a meio, fico a olhar para um pormenor, para um momento. E aí são poemas ou, quando muito, pequenas narrativas, possíveis contos. A minha extensão é pontual e de intervenção intensa e momentânea. Esse meu romance, que foi considerado experimental, já enfermava desse problema: textos colados uns aos outros, sem fio condutor e eu nem acredito nem me interessam narrativas que não têm nada para contar, sem intriga. Podem ser muito reflexivas, especulativas, deambulatórias mas se não há uma intriga mínima, o leitor sente-se castigado e é um esforço.


Achas que a ficção portuguesa actual anda carecida de intriga?

Acho que sim, sinto essa falta. Leio mais poesia do que narrativa portuguesa, que muitas vezes me aborrece sem mesmo ter lido 30 páginas; não me interessa. Se não me prendem, não estou ali a fazer sacrifícios quando há coisas tão interessantes para ler. Há excepções, li os contos da Ivone Mendes da Silva – esquivos como ela – que têm essa capacidade de nos agarrar, assim como a escrita da Dulce Maria Cardoso. O romance de língua inglesa, por ex., prende-nos muito mais. Estou a ler um romance de Donald Ray Pollock, “Sempre o Diabo”, que desde o início me agarrou e é isso que queremos e que a ficção portuguesa nem sempre nos dá.


Em “errático”, tão importante como o movimento ou a dinâmica da errância é a paragem, talvez na mira de uma ultra-passagem. Tornas a deter-te na poesia épica. É uma questão de incompatibilidade ou de ironia?

As minhas alfinetadas dirigem-se à atitude épica, à altivez do tom, ao gesto de saltar com grande prosápia, à declamação, à voz altissonante, até de muitos jovens poetas que assim declamam e se fazem declamar. É uma atitude combativa, valentona que faz lembrar quase um forcado amador diante do touro – para a vida, para o público e para a poesia: aqui estou eu de alto a baixo. Isso é algo que me confrange. Só ironicamente posso sentir pena de não parir um gesto heróico.


É a mesma atitude que leva alguns, por vezes ainda com toda uma carreira em vias de se fazer, a dizer pomposamente 'a minha obra'?

Acho que nunca disse isso. Se vier a dizer 'a minha obra' será sempre a rir-me. Não posso evitar... Eu sei que há autores que se têm em alta conta literária. Caso contrário, não se publicava tanta coisa má, desinteressante, enfadonha, que se limita a repetir o que já foi dito e feito e de forma pouco criativa, sem nada acrescentar. Parece-me haver aqui um auto-conceito desligado da realidade, talvez porque claramente se escreve demais e falta o tempo para ler os outros - e a si próprio. Acho que é uma questão de distanciamento crítico e humildade. Não acredito na escrita instantânea. Acredito no gesto de escrever todos os dias e … logo veremos o que fica.


Esse estilo altivo costuma andar associado a uma ideia forte da poesia e aos grandes propósitos que lhe podem ser atribuídos. No teu caso, é a descrença?

A palavra poética pode pouco, não acredito que a poesia mude alguma coisa. Nem como meio, nem como fim, nem como propósito. Não é sinal de uma iluminação. Se ela sempre consolou almas ingénuas, a mesma poesia pode servir de consolo a almas pérfidas. Por si só, não tem um valor de mudança. Há grandes autores que eram grandes sacanas e foram lidos e absorvidos. Desde o princípio tenho a convicção de que a poesia não nos torna melhores.


Além dos teus talentos de leitora, a tua obra [risos] revela também o talento da fuga, que se concretiza numa espécie de confessionalidade fugidia …

Esquiva. Isso corresponde à minha personalidade, tem que ver com o meu traço de personalidade, e as pessoas que convivem comigo apontam-no. No dia a dia, sou um pouco assim, não é nada estudado, construído, encenado. Mostro-me e escondo-me constantemente, lanço-me para a frente e recuo.


Alguns dos poemas mais fortes parecem bastante construídos, pondo à mostra um “coração mental”. Não temes que te cheguem a etiqueta da cerebralidade e ela possa colar?

É uma espécie de posição anti-lírica, como dizia o João Cabral de Melo Neto, uma procura da prosificação, é uma reacção ao lirismo de improvisação, da emoção. Percorro talvez um caminho mais difícil, menos óbvio, menos digno de aplauso. Há poemas que foram bastante trabalhados (o próprio poema que dá nome ao livro “errrático”, que chegou a ter 15 páginas), e passaram do primeiro livro, para o segundo e para o terceiro. E há poemas escritos quase de rajada: “o último celofane”, “o segundo cerco de Lisboa”, “nós, os vencidos do futurismo”. Não quero a forma visceral, apoteótica, frenética da poesia, mas também não creio que me escude num cerebralismo frio e estanque ao mundo. Muitos dos meus poemas são fruto de um confessionalismo espontâneo e diria até desregrado, ainda que frequentemente refreado por algo que faço os possíveis para deixar que me transcenda: a ironia que nos distancia das nossas mais ingénuas demonstrações de júbilo, ou de autocompaixão ou de contentamento com realizações que muitas vezes não passam de pífias vitoriazinhas... enfim, talvez a isto se possa chamar uma vigilância racionalista sobre o irracional o que não é exactamente cerebralismo. O cerebralismo é mais uma forma de viver sob a égide do pensamento, uma impossibilidade de encarar o mundo que não seja sujeita ao olhar do cogito, tendo a cabeça como cenário, digamos assim, um Monsieur Teste que nunca desiste de pensar.


E há quem não desista de viver. É o caso do 'sujeito poético” a quem declaras guerra num dos poemas deste livro. Porquê?

A razão é bem prosaica: esse poema é uma irritação com a expressão 'o sujeito poético', é um combate à expressão e a certos esquemas de análise. Tenho um poema inédito, e talvez assim continue, em que o 'sujeito poético' anda à pancada no ringue com 'o eu lírico” a ver quem ganha.


Este “errático” dá continuidade a um pendor quase ensaístico, numa poesia que tende para a prosa mas que a recusa, na célebre definição de Montale.

As minhas leituras de vários géneros acabam por desaguar nos poemas. Referências a filmes, músicas, ecos do que vamos colhendo e vendo, tudo se mistura nesse magma que nos habita. Transportar isso para um romance acho que é a tentação que me parece terem os romancistas portugueses e que resulta no seu romance, mas um romance não pode ser só isso. Muitos dos meus poemas são pura observação dos outros com algum comentário meu, são até descritivos, aproximando-se da narrativa curta (caso do poema “elogio da mulher invisível” ou “esses poderosos anos 70”, por exemplo), outras vezes, do apontamento ensaístico, sim. Esse estilhaçar de fronteiras e amálgama de géneros interessa-me particularmente, porque é próximo da nossa corrente da consciência que funciona de forma polifásica, polifónica, polimórfica, politudo... Enfim, penso que tudo isto me distancia de uma poesia tendencialmente cerebralista. E gostava que os meus livros se destinassem a vários tipos de leitores.


Centremo-nos no teu último livro, publicado pela não (edições). Alguma razão para não ter sido publicado na tua editora habitual, a Tinta-da-China?

É um pequeno livro com um grande título para quebrar o tom monocórdico dos meus títulos anteriores. Agora poderão dizer que é um título demasiado longo... Penso continuar a editar na Tinta-da-China, mas trata-se de um curto conjunto de poemas que não tinha lugar naquela colecção de poesia. Por outro lado, gostava de publicar numa pequena editora, mais marginal; as pequenas editoras precisam de ser apoiadas. Gosto dos livros da não (edições), das suas escolhas de autores, do cuidado gráfico do João Concha – o que me chamou a atenção para esta colecção foi um livrinho do Hélder Moura Pereira, que é um poeta que aprecio bastante.


A metáfora & companhia continuam a ser as tuas melhores aliadas?

Nem todas as realidades se podem traduzir no falar quotidiano. É um modo de tactear e, paradoxalmente, de ser muito preciso. É a única maneira de dizer que conjuga duas realidades inesperadas. É como na química.


Este livro dá continuidade aos teus talentos de leitora...

Tentando apesar de tudo evitar a “heresia da paráfrase” e não ser muito 'citadeira'. Essa exibição é natural porque um dos factores que mais determina e desencadeia a minha escrita é a leitura. Devo imenso aos filmes que vejo, às conversas que escuto, mas sobretudo àquilo leio, a palavra escrita que vou lendo é um bom catalizador. O poema de abertura desta plaquette, por ex., é uma dívida ao Paul Celan. E muitas das frases que ali estão poderiam ser retiradas de livros dele; estão no Espírito dele, rodeiam-no, cercam-no. Pelo menos, espero que assim seja …


O livro integra um admirável poema em prosa que responde ao conceito grego de “aretê” [a virtude, a excelência] com a desmedida, a insolência. Gostas de te mover na órbita do desafio e do risco?

Sempre foi importante porque o contrário disso nem sequer é a morte, é o pântano. É uma atitude tradicionalmente consagrada aos homens e que eu desde muito cedo resolvi contrariar. Exemplos: viver em Coimbra que é uma cidade bastante amorfa e sob alguns pontos de vista desinteressante, é um risco para quem tem interesses culturais que aqui nos passam em grande parte ao lado. Publicar tardiamente e sem rede de apoio (um grupo, um conjunto de gente que alinhe pelo mesmo padrão estético ou com propósitos comuns) é um risco num meio que se preocupa com a etiquetagem geracional ou estética ou qualquer outra, ou seja, é difícil ser nova e velha ao mesmo tempo, por assim dizer.


Conviver com o Luís Miguel Nava foi um desafio ou um risco?

Não há que relacionar os riscos que naturalmente toda a gente corre com o Luís Miguel. Tivemos uma relação a ponto de termos um breve casamento, quando éramos ambos muito jovens, depois cada um seguiu o seu caminho. Continuámos amigos, mas as nossas vidas foram sendo construídas com separação ainda que com diálogo regular. O Luís Miguel era de facto uma pessoa que eliminava todo o tipo de limites, mas por outro lado era uma pessoa extremamente cuidadosa e organizada e regrada. Essas atitudes opostas equilibravam-se. Ele não tinha qualquer tipo de respeito pelas convenções sociais, e ignorava as conveniências, dizia o que pensava e vivia da maneira que pensava sem qualquer tipo de constrangimento, mas trabalhava imenso, era um grande leitor. Infelizmente, ele teve o fim que teve e isso permite leituras quase pasolinianas da sua obra: tinha um lado sombrio, pesado e outro bastante solar, dado à vida. Foi sempre uma pessoa bastante solitária, sempre a procurar nos outros a companhia, o apoio, as trocas afectivas.


Saiu entretanto a obra completa de Luís Miguel Nava, de quem nunca aceitaste falar... Porquê?

A obra, na verdade, não está completa. Curiosamente, outro dia, ao arrumar uns papéis, encontrei uma carta em que ele, de Bruxelas, me mandava um conto que o volume não integra, não está em lado nenhum e devo ter mais. Quanto à minha recusa ou dificuldade de falar sobre o Luís Miguel … é uma questão privada, difícil, dolorosa. A minha recusa, que é quase física, tem que ver com esse incómodo que estou aqui a formular. Desde a morte dele fechei a porta do aposento onde ele está e não a abro facilmente. Aliás, quase não a abri desde então. Pouco leio do que se escreve sobre ele, sobre a obra dele. Inclusive no número da “Relâmpago” [16] que lhe foi dedicada e para a qual também escrevi, não li boa parte dos artigos, que depois fui lendo aos poucos, em doses suaves, ao longo dos anos. E esta “Relâmpago” é de 2005. É assim...


E do que foste lendo, o que te parece?

Tropeço em apreciações que me incomodam. As pessoas escreverem que aquele fim já se estava mesmo a ver, era previsível, e isso incomoda-me profundamente. Isso é ilibar o acto que lhe tirou a vida, ninguém imagina que se vai pôr na mão de um assassino. É uma leitura a posterior, falsa. O meu contributo passaria pelo conhecimento pessoal mas incomoda-me sacar a arma privilegiada do “eu é que sei porque eu é que conheci”.


Mesmo depois de separados, mantiveram proximidade?

Passávamos férias juntos, continuamos a dar-nos até ao fim. Cheguei a ir visitá-lo a Bruxelas, viajámos juntos, fizemos uma longa viagem a Marrocos, era permanente e contínua a nossa ligação. Uns dias antes de ser morto, disse-me: “Vê lá tu que cheguei ao carro e tinha os quatro pneus furados, esfaqueados”. O Amadeu Lopes Sabino é que tem o processo; eu não li, no tive acesso nem quis ter.


Correspondiam-se regularmente, trocavam escritos?

Sim, sempre, sempre, tenho uma correspondência avultada. Ainda há poucos dias encontrei um molho de cartas dele que não abri, à excepção de uma ao acaso que começava por “Querida Cachucha”, nome carinhoso pelo qual me tratava às vezes e de que já não me lembrava. E não continuei a ler e abri também uma outra por ser volumosa, verificando que continha um conto dactilografado (que está inédito) e que está entre os escritos que me enviava ou me mostrava directamente. Por exemplo, “O Livro de Samuel”: tenho ideia de que era mais longo do que o que foi agora publicado, porque li tudo o que estava escrito num verão em Milfontes (onde o Luís Miguel tinha casa e onde costumávamos passar parte de agosto), mas perdeu-se e o que está publicado é o que se conseguiu recuperar do computador dele. Mas muitas destas memórias são imagens difusas para mim. Isto para dizer que apaguei em boa parte da minha cabeça muitas das memórias e que mexer-lhes, reavivá-las é ainda complicado. Provavelmente, sê-lo-á sempre. Eu ainda nem sequer consegui juntar as cartas todas dele. Mas tenho de entrar neste trabalho, reler, ordenar.


Que diria ele dos teus livros?

O Luís Miguel insistiu sempre que eu editasse, dizia que eu era preguiçosa, o que me irritava bastante. Mas havia barreiras interiores que eu tinha ainda de ultrapassar. Custa-me falar disto, são sempre livros que lhe são póstumos, é uma voz que me falta. Mas obviamente há as vozes presentes, que me chegam ou que eu descubro e pressinto nas leituras anónimas. São essas que contam efectivamente, para além dos fantasmas que todos nós temos, e que permanecem na penumbra.

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