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O balanço entre o online e o presencial

O balanço entre o online e o presencial

Mafalda Gomes Joana Faustino 23/05/2021 16:02

Com mais um ano letivo em clima de pandemia a terminar, alunos e professores sentem-se felizes por voltar ao ensino presencial, no entanto consideram que nem tudo correu bem.

Falta menos de um mês para acabar o ano letivo e, apesar de grande parte ter decorrido via online, os alunos não o dão como perdido.

Nuno Silva tem 17 anos e exames para realizar em julho, O jovem admite ter ficado feliz quando voltou a ver os amigos e colegas, mas em termos de aprendizagem sente que «está tudo muito confuso».

«Sinto que quando voltamos às aulas presenciais os professores estavam a exigir de nós como se nós tivéssemos apanhado toda a matéria que tinha sido dada online, o que não aconteceu, de todo», explica o estudante de Línguas e Humanidades. «Sinto que o que nos ‘salvou’ foi o facto de, quando voltamos ao presencial, alguns professores terem feito revisões da matéria dada online, mas foi confuso», acrescenta.

Enquanto esteve em casa, Nuno admite que teve dificuldades em acompanhar a matéria, porque «a distração está em todo o lado», confessa. Ter aulas com uma televisão ao lado, familiares a realizar todo o tipo de tarefas ou até mesmo com irmãos para cuidar foi uma dificuldade que muitos jovens começaram a sentir já no ano letivo passado. Nuno, acredita que este ano «tudo se complicou», uma vez que o regime online começou mais cedo e não parecia ter um fim à vista.

«Quando fomos para casa no ano passado, já devíamos estar no fim do segundo período, sabíamos que não íamos ter que aguentar com aquilo muito mais tempo, este ano foi diferente», explica ao Nascer do Sol.

Os professores são da mesma opinião: o cansaço que o tempo de pandemia trouxe fez com que tanto os docentes como os alunos ficassem desmotivados, dificultando tanto o processo de dar aulas como a aprendizagem.

Mariana (nome fictício)  é atualmente explicadora de alunos do ensino secundário. Voltou a ensinar presencialmente no início do terceiro período e sentiu os estudantes «distraídos e desmotivados». Apesar de ver os mais jovens «alegres por voltarem a estar com os amigos, também se distraem mais facilmente. Passaram tanto tempo em casa sozinhos que, agora, qualquer coisa é um bom motivo para ficarem alheados».

No ano passado, Nuno não «estava muito preocupado», admite, «porque não ia ter exames, bastava passar à disciplina e os professores também facilitaram bastante esse processo». Este ano a situação é completamente diferente uma vez que sente «uma maior pressão para entender tudo».

No entanto, o estudante acredita que também «depende de professor para professor e de disciplina para disciplina» o modo como as aulas foram dadas e a facilidade que existiu para aprender a matéria.

Em jeito de exemplo, Nuno afirma que «em filosofia o professor era rígido» e que, por isso, conseguiu «apanhar a matéria toda». Por outro lado, «em português estava a dar livros, a matéria era muito densa e só» conseguiu entender quando voltou ao ensino presencial .

«Isto foi muito complicado para todos», afirma Mariana. «Muitos dos professores, especialmente mais velhos, tiveram de aprender a operar com software com que nunca tinham operado. Os alunos, que estão em fase de crescimento e precisam de conviver ficaram privados desse lado, o que, em consequência, os desmotivou para as aulas», considera a explicadora.

 

Valeu a pena voltar?

«Apesar de tecnicamente não termos perdido matéria nenhuma, porque os professores continuaram a dar, a verdade é que voltar ao presencial foi um alívio», afirma Nuno, que acredita que passar nos exames seria uma tarefa muito mais complicada se tivesse permanecido em ensino online.

No entanto, a professora Betty dos Anjos, que leciona no Norte, não acha que seja bem assim: «Houve matéria que ficou por dar, mas não há muito que possamos fazer em relação a isso».

Neste momento a docente dá aulas numa escola básica e considera que os alunos do terceiro ciclo se empenham «menos do que os mais novos, porque não estão acompanhados pelos pais». Relativamente àquilo que ouve as colegas que dão aulas ao secundário dizer, Betty acredita que «são alunos mais empenhados, uma vez que estão preocupados com a média e sabem que vão ter exames e que, se querem entrar na faculdade, terão obrigatoriamente de obter bons resultados».

No que toca ao nono ano, a quem dá aulas atualmente, a professora admite sentir os alunos «demasiado relaxados porque houve escolas que não permitiram que se dessem negativas durante o ensino online e, por isso, eles sabem que vão passar de ano, independentemente de se esforçarem ou não».

Apesar das diferentes opiniões em relação ao ensino online e à matéria adquirida, há algo em que todos concordam: estar frente-a-frente com os professores «é muito mais prático para esclarecer dúvidas, além de que também me sinto obrigado a prestar atenção ao que estão a dizer, não posso estar no telemóvel ou a jogar», conclui Nuno Silva. Para a explicadora Mariana, também não há dúvidas de que o ensino presencial supera o online: «Só o processo de meter a mão no ar já era uma confusão, falavam uns por cima dos outros e às vezes havia dúvidas que não ficavam esclarecidas, é normal».

Betty dos Anjos questiona-se sobre como será o próximo ano letivo, «se os alunos terão aprendido a matéria que era suposto ou não», mas este «já passou».

Numa altura em que cada vez mais o digital ganha espaço, parece que o ensino continua a ter de ser feito cara-a-cara, com livros à frente e amigos ao lado para que os resultados sejam animadores, Os exames, que este ano foram adiados para julho, são aquilo que tem mantido a cabeça dos estudantes ocupada, apesar de guardarem tempo para pôr as amizades em dia.

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