28/01/2022
 
 
Rodrigo Gonçalves 20/05/2021
Rodrigo Gonçalves

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Gerar Riqueza…Um imperativo Nacional

Como pode Portugal gerar riqueza e inverter a tendência das últimas décadas de pouco desenvolvimento e um anémico crescimento da economia?

Portugal só poderá inverter a tendência se resolver duas questões de base que têm contaminado a sociedade e a economia portuguesa.

A primeira questão é de ordem cultural e assenta na crença de que o Estado deve ser a força motriz do crescimento económico, devendo estimular o consumo para fazer crescer a economia de forma regular e com solidez.

Este pensamento, defendido essencialmente por economistas da corrente Keynesiana, não garantiu resultados até hoje e é amplificado pelos que acreditam pouco na economia de mercado e no mercado livre e que apostam num Estado interventivo, dominador e providencial.

Quanto a esta questão cultural é urgente formar as gerações futuras para que percebam que sem criação de riqueza um País não faz crescer a sua economia de forma sustentada e não gera progresso.

A riqueza é formada pelo capital que pertence às pessoas e às empresas sendo que podemos caracterizar o capital como toda a riqueza acumulada que pertence a empresas ou a indivíduos, e que é utilizada para o propósito de garantir receitas e lucros provenientes da aplicação direta e indireta dessa riqueza acumulada. 

Portanto, os investimentos em produção permitem a geração de riqueza e o papel do consumo deve ser no direcionamento da produção, ou seja, o que devemos produzir, quanto devemos produzir e como devemos produzir.

No início deste círculo positivo deve estar a produção. Importa garantir que o “mindset” das novas gerações assenta precisamente neste princípio de que para consumir devemos primeiro produzir e gerar riqueza.

A segunda questão a resolver é de ordem política e tem a ver com o modelo de gestão e organização da economia. Neste caso deve mudar-se a abordagem política e as estratégias para a economia, adotando como princípio base do desenvolvimento a criação de riqueza.

Só desta forma é possível inverter a tendência negativa causada pelas consecutivas políticas de base consumista.  A ideia que está na base destas políticas consumistas defende um aumento do consumo que por relação direta irá alavancar a produção de bens e serviços e com isso dá-se o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).

No entanto esta ideia tem cada vez menos adesão à realidade e a experiência empírica tem demonstrado isso mesmo.  Aparentemente, para os mais distraídos, a ideia até pode parecer generosa, mas se é assim tão boa porque é que não tem dado resultado?

A ideia não tem dado resultado porque a sua implementação gera um ciclo negativo. Senão vejamos… se houver consumo sem produção teremos de aumentar as importações. Com o aumento das importações as empresas vão procurar mais subsídios e vão recorrer ao endividamento.

As empresas com mais endividamento e menos receitas pagam menos impostos ao Estado e o Estado, com menos receita, tem de se endividar para fazer face às despesas gerando mais défice.

Aumenta o desemprego e em paralelo começa-se a gastar a riqueza acumulada (poupança) e quando esta termina recorre-se ao crédito o que gera inflação e faz abrandar ainda mais o consumo. As famílias endividadas consomem ainda menos e a consequência de todos estes fatores conjugados é a recessão criando-se o círculo vicioso de endividamento crescente.  Ou seja, o aumento do consumo como prioridade tem criado desequilíbrios profundos na economia, não tem feito crescer a produção e muito menos tem ajudado a produzir riqueza.

Aquilo que parece óbvio para a generalidade dos economistas e de alguns gestores de referência é a tese de que a geração de riqueza advém da produção e não do consumo. Sem criar riqueza não será possível qualquer perspetiva de esperança e o futuro da nossa economia será sempre incerto e sem sustentabilidade.

Portugal precisa de apostar na competitividade das empresas por via da criação de condições que permitam o seu crescimento, o aumento e atração de investimento, a inovação, a criação de valor, o aumento das exportações e a criação de emprego por via da crescente produtividade.

O Estado deve ter um papel regulador e deve organizar-se de uma forma que possa estimular a criação de riqueza pelo mercado. Intervir sim, mas percebendo que deve atuar no mercado concorrencial com as regras de um mercado livre, devidamente regulado.

O Estado deve promover e apostar na garantia de acesso de todos os cidadãos aos serviços públicos, mas permitindo que a iniciativa privada possa produzir esses serviços.

O Estado deve promover a atração de investimento nacional e internacional em vez de permitir que entropias de cariz ideológico e partidário limitem este fator fundamental de atração de riqueza.

O Estado tem de aliviar a carga fiscal sobre as empresas para permitir que estas possam adquirir bens de capital e consequentemente disponibilizar mais investimento para o aumento da produção, a melhoria das atividades produtivas (por via da inclusão de novas tecnologias e recursos humanos mais qualificados) e o aumento das exportações.

Sem inverter este paradigma e sem colocar como prioridade da economia a criação de riqueza estamos a condenar a sociedade de hoje, mas, principalmente, as gerações futuras.

 

Gestor e Mestre em Ciência Política

 

 

 

 

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