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Luís Newton 20/05/2021
Luís Newton

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A cidade onde não vão todos

O evento nos Paços do Concelho é uma celebração destinada aos lisboetas. Como é que Medina vai organizar esta celebração de proximidade em segurança? Afastando os lisboetas.

Recentemente muitos lisboetas (e não só) viveram a euforia de verem um dos principais clubes desta cidade, conquistar o campeonato nacional de futebol.

Foi um extravasar de emoções, primeiro porque o Sporting já continha esta vontade há anos, depois porque estamos a sair de um período ímpar da nossa história, confinados às nossas casas e ao teletrabalho há praticamente um ano.

No dia 7 de maio (5 dias antes das celebrações), Fernando Medina informava que já estava a trabalhar em conjunto com DGS, PSP, Polícia Municipal, Proteção Civil e Bombeiros para que as comemorações do título ocorressem “em condições de segurança física e sanitária”.

O resultado todos o conhecemos.

Já depois do desaire, Fernando Medina disse que só esteve responsável pelo Marquês. Porque carga de água? Lisboa é só o Marquês?

Será que só fala do Marquês porque a sua organização é tudo menos organizada, ao ponto de “perder” emails?

O seu mau planeamento pôs em perigo toda a cidade, pondo em causa a segurança de todos quantos queriam, justamente, extravasar a sua alegria. Exemplos como o que se passou no Saldanha foram realidade em muitos pontos da cidade.

E no Marquês as coisas correram melhor? Não. Um desastre.

E depois de tudo isto chegámos ao ridículo de ver a mesma pessoa que havia dito estar a articular tudo com DGS, PSP, Polícia Municipal, Proteção Civil e Bombeiros para que as comemorações do título ocorressem “em condições de segurança física e sanitária”, dizer que, afinal, a responsabilidade não era sua.

O Sporting, os sportinguistas, mas sobretudo a cidade de Lisboa, não mereciam este grau de irresponsabilidade.

Porém, agora Fernando Medina diz que vai assumir total responsabilidade por outro evento, que só vai depender dele, e aí vai mostrar a sua organização.

A cidade de Lisboa tem uma antiga tradição, que é a de receber os seus campeões desportivos nos Paços do Concelho.

Esse evento teve sempre como objetivo a oportunidade de proximidade nas celebrações de uma vitória desportiva de um clube da cidade.

Este detalhe, o da proximidade nas celebrações, é mais do que um detalhe. É a essência dessa cerimónia. O objetivo não é celebrar o atleta ou o dirigente, muito menos o autarca ou o funcionário municipal. O objetivo é permitir a celebração dos lisboetas junto dos seus heróis.

O evento nos Paços do Concelho, é por essa razão, uma celebração destinada aos lisboetas.

Então como é que Medina vai organizar esta celebração de proximidade em segurança?

Afastando os lisboetas.

Com isto Fernando Medina acabou de enviar uma mensagem muito importante: para ele o ato de governação é um ato de exclusão dos destinatários dessa governação.

Isto de se gerir uma cidade onde vivem pessoas, deve ser muito desconfortável para o Presidente da Câmara.

Dirão alguns que vivemos em pandemia. Que temos de impedir ajuntamentos. Mas então os partidos políticos foram impedidos de realizar manifestações ou congressos? Não estamos a assistir a eventos controlados com milhares de pessoas em salas fechadas?

Então porque é que não podemos organizar um evento ao ar livre, na Praça do Município, permitindo o acesso de um número controlado de lisboetas para assistir à receção dos seus heróis?

Não podemos porque a CML não sabe, ou não quer. Não vamos ter proximidade, vamos ter de ver pela televisão, porque têm medo, porque não sabem organizar em segurança. Mas esse é o papel de um autarca. Antecipar problemas, encontrar soluções.

E o mais triste é que o Sporting ganhou um campeonato nacional sob o lema “Onde vai um vão todos”, e é na sua cidade onde não vão todos.

 

Presidente da concelhia do PSD/Lisboa e presidente da Junta de Freguesia da Estrela


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