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Carro usado. Preço compensa. Mas veja os cuidados a ter

Carro usado. Preço compensa. Mas veja os cuidados a ter

Sónia Peres Pinto 17/05/2021 15:07

Desembolsar menos no ato da compra, nem que seja por pagar menos impostos, é a razão principal para optar por um carro em segunda mão. A par disso há que contar com a desvalorização média anual de um carro: 15% a 25% por ano. Mas cuidado com as fraudes.

Evitar uma rápida desvalorização do carro e, acima de tudo, pagar menos no momento da compra são os principais motivos que levam os portugueses a optar por comprar veículos usados. Em alguns casos, basta que o carro tenha uns poucos meses de vida para a poupança ultrapassar os quatro mil euros. Este segmento é, muitas vezes, visto como o principal dinamizador do comércio automóvel em Portugal e da atividade financeira ligada ao setor.

De acordo com os dados da ACAP, a quota de mercado dos carros em segunda mão atingiu os 39,9% no ano passado, mais 5,4 pontos percentuais do que em 2019. Peugeot, Renault, Mercedes, BMW e Audi são as cinco marcas mais procuradas neste mercado.

Se por um lado a compra de um carro novo pode significar despreocupação – liberta os consumidores de inquietações como o historial de um carro, por exemplo –, por outro penaliza mais o orçamento familiar. Um automóvel novo não é acessível a todas as carteiras e a ideia da desvalorização constante pode também assustar alguns consumidores. Em média, uma viatura nova perde entre 15% e 25% do seu valor por ano.

É certo que a aquisição de um automóvel com um, dois ou até mesmo três anos implica sempre ter um cuidado redobrado para evitar desagradáveis surpresas, principalmente se o negócio for realizado entre particulares ou pela internet. Há situações em que é difícil de detetar alguns problemas: acidentes, avarias frequentes, quilometragem adulterada e outras fraudes.

Outra questão que se impõe é a quem comprar: a um particular ou a um stand? Em qualquer destes cenários há vantagens e desvantagens. O primeiro consegue vender mais barato e tem também maior margem de manobra para negociar e baixar o preço. O segundo pode apresentar valores mais elevados, mas está próximo das grandes marcas e, como tal, oferece em princípio outras garantias.

 

De olho na garantia

Qualquer que seja o automóvel que pretende comprar, tenha sempre especial atenção à garantia oferecida. Tal como os novos, também os usados têm direito a dois anos de proteção. No entanto, há muitos estabelecimentos que dão apenas garantia por um ano ou fazem desconto no preço se o cliente prescindir de qualquer garantia, o que é ilegal. Contudo, a lei admite a redução da garantia até um ano, caso exista um acordo entre vendedor e comprador, mas nunca para um prazo inferior.

Caso o negócio seja realizado entre particulares não existe garantia, o que torna o investimento mais arriscado. Mas mesmo assim continua a existir alguma proteção. Durante os seis meses seguintes à entrega do automóvel, o comprador pode provar que este não tem as características anunciadas para exigir uma reparação ou anular o contrato.

Além de reduzirem o prazo, vários stands ainda excluem da garantia peças ou componentes. É o caso do leitor de CD, do ar condicionado, da embraiagem, da correia de distribuição ou da bateria. Outros limitam-na a uma determinada quilometragem ou a um valor máximo por reparação. Qualquer uma destas alterações é ilegal.

Mas nem tudo são facilidades. É frequente os consumidores serem confrontados com a proposta de assinar um contrato que prolongue a garantia, mediante um valor de pagamento. Fique a saber que, na maioria dos casos, esta situação não apresenta qualquer vantagem para o cliente. A maioria destes contratos são assegurados por empresas externas ao stand e apresentam tantas restrições que poucos ou nenhuns benefícios oferecem. E a menos que estas garantias contratuais sejam mais abrangentes do que a garantia legal, esta solução não é compensadora. Como tal, o consumidor pode recusá-las, sem perder o que a lei prevê.

Se detetar um defeito dentro do período de garantia, o consumidor dispõe de dois meses para apresentar a fatura e acionar a garantia. A partir daí, terá dois anos para avançar com uma ação em tribunal ou num julgado de paz, caso o assunto não seja resolvido pelo vendedor. Geralmente pode optar pela reparação, pela substituição por outro veículo com as mesmas características – também poderá ser diferente, mas para isso é necessário existir um ajustamento do preço – ou mesmo pela anulação do contrato, se assim o desejar.

A verdade é que a lei não impõe qualquer decisão. A palavra final caberá sempre ao consumidor. Não esqueça que, se optar por mudar de carro, este passa a gozar de uma nova garantia com a duração de dois anos, a contar da data em que lhe é entregue.

 

Importados subiram

Outra hipótese passa por adquirir um carro importado e esta solução com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para este ano poderá ter ganho um novo fôlego. A explicação é simples: a fórmula de cálculo do ISV nos veículos usados importados de outro país da UE passou a incluir as percentagens de redução na componente ambiental. Um indicador indexado à idade do veículo. Esta redução pode chegar aos 70%, consoante a idade do veículo, o que vai permitir pagar menos imposto se comprar um carro em segunda mão noutro país da União Europeia.

Em 2020, foram importados mais de 58 mil automóveis usados ligeiros de passageiros. A quebra é de 26,9% face às mais de 79 mil unidades registadas em 2019. Alemanha, França, Bélgica e Espanha são os principais importadores.

Mas não se esqueça de fazer muito bem as contas e ver se realmente o negócio compensa. Por vezes, além do valor que é apresentado tem de acrescentar alguns custos, como a logística com serviços e documentação: por exemplo, seguro internacional, matrículas de trânsito, inspeções, etc.

 

Dicas

Uma das formas de saber se o preço que está a ser pedido pelo carro usado é justo e está adequado aos valores
do mercado é fazer uma pequena simulação junto das seguradoras. Para isso, precisa de fazer uma simulação online para um seguro de danos próprios, pois fica logo a saber o valor real do automóvel. O serviço é gratuito, mas precisa de saber a marca, o ano, o modelo, a versão e a quilometragem do carro.

Deve também comparar preços em vários locais. Existem sites na internet específicos para esta área. Neste caso, basta comparar os valores que são pedidos tendo em conta a quilometragem e outras características do veículo. Para isso, é preciso que esteja disponível a marca e o modelo do carro que lhe interessa.

Pode também recorrer a revistas de especialidade. Estas geralmente apresentam tabelas com preços indicativos para a generalidade dos carros que são comercializados em Portugal, pressupondo uma utilização predefinida (quilómetros por ano). Em alguns casos, a desvalorização é atribuída
de acordo com modelos próprios de cada revista.

Outra solução para saber exatamente qual é o preço do automóvel passa por recorrer a serviços de cotação. Ou seja,
a avaliação é feita por empresas especializadas e tem por base a marca, o modelo específico, a versão e a quilometragem. O pedido pode ser feito online ou por telefone e é sujeito a um valor de pagamento. Os preços variam consoante a empresa prestadora de serviços.

 

Cuidados a ter na escolha do crédito automóvel

Os seguros exigidos variam consoante o modelo de financiamento escolhido. Negocie com vários bancos ao mesmo tempo.

Os últimos dados do Banco de Portugal (BdP) apontam para uma quebra de 25,7% no crédito automóvel para os 158 milhões no início do ano. No entanto, caso precise de financiamento para o carro que pretende, terá de recorrer a essa a solução. Faça uma ronda pelas várias ofertas existentes no mercado – é natural que o próprio stand apresente uma oferta de financiamento –, peça simulações e veja a solução que mais se adequa às suas necessidades. Por norma, os stands são meros intermediários financeiros e muitas vezes ganham comissão sobre os créditos contratados pelas instituições financeiras com que trabalham. Em regra, as taxas que oferecem são mais elevadas do que nos bancos.

Por isso, o melhor será mesmo começar a ronda pelo seu banco e pedir-lhe uma simulação para o montante de que precisa. Não se esqueça que tem sempre hipótese de negociar com o seu banco condições mais favoráveis em troco da contratação de novos serviços. Por exemplo, pode reduzir a taxa apostando na subscrição da domiciliação de ordenado e pagamentos, cartão de crédito, conta à ordem, etc._Se já tiver estes serviços junto do seu banco, aproveite-se disso. Se mesmo assim lhe pedirem uma taxa alta, nada como ouvir outro banco e, quem sabe, mudar. Use a proposta de cada banco que ouvir como arma negocial quando ouvir outra instituição financeira.

Deve também contabilizar os encargos associados às diversas modalidades de financiamento. O preço dos seguros para o carro varia bastante consoante opte por crédito ou leasing. Neste último caso, são exigidos seguros de responsabilidade civil facultativa (50 milhões de euros) e de danos próprios. Já no crédito automóvel, basta o de responsabilidade civil obrigatória e, em alguns casos, o de vida.

No entanto, se o carro tem menos de cinco anos, o ideal é o consumidor subscrever um seguro “contra todos os riscos”.

Não se esqueça de que quando está a comparar propostas deverá analisar quais são as garantias exigidas e se existem despesas de manutenção (comissões de entrada, processamento, etc.). Alguns destes fatores podem ter um peso elevado para comparar o custo real das várias propostas.

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