12/6/21
 
 
José Cabrita Saraiva 12/05/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Uma cartada de risco que resultou em cheio

Claro que para muitos foi apenas um balde de água gelada. Mas para outros foi refrescante. Nesta época desportiva assistimos à queda de alguns mitos.

A Juventus, após nove anos consecutivos a ser campeã de Itália, viu o seu reinado chegar ao fim. José Mourinho, que fora contratado pelo Tottenham a peso de ouro, foi despedido (também a peso de ouro) e desceu mais um degrau na carreira. Jorge Jesus, que depois da sua passagem triunfante pelo Brasil vinha para o Benfica com a promessa de ganhar tudo e mais alguma coisa, falhou em toda a linha, apesar do investimento brutal feito em jogadores estrangeiros.

Em compensação, tivemos por cá um jovem treinador que pegou numa equipa em cacos, sem estrelas nem reforços sonantes, e a pôs a praticar um futebol não só fluido e agradável como também eficaz.

Embora tenha custado aos cofres do Sporting doze milhões de euros, a humildade de Rúben Amorim ficou logo bem patente na sua apresentação em Alvalade quando disse que nem acreditava bem que alguém fosse pagar esse valor por ele. “€10 milhões era o valor que tinha na cláusula, quando o pusemos comecei-me a rir: quem iria pagar isto por mim?”. Varandas pagou.

Certo é que, com essa humildade, mas também com todo o mérito – e, reconheça-se, uma boa dose de sorte à mistura –, Amorim pegou numa equipa pela qual ninguém dava nada e levou-a a impor-se a dois verdadeiros tubarões, o Benfica de Luís Filipe Vieira e o FC Porto de Pinto da Costa. Está por isso de parabéns.

Mas Frederico Varandas, que jogou essa cartada arriscada numa altura decisiva e pagou doze milhões de euros para contratar um treinador sem provas dadas, também está. Na altura escrevi que a aposta em Amorim era um tiro no escuro e um ato de desespero. Talvez fosse até ambas as coisas – mas o que é certo é que resultou em cheio.

Foi pena a festa ficar estragada pelos confrontos. Amorim, Varandas, os jogadores, os verdadeiros adeptos e o clube mereciam melhor. Mas esse é um problema transversal ao futebol, não é só do Sporting. Já o disse e repito: ainda pior do que não saber perder é não saber ganhar.


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