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Turismo de vacinação. Fazer as malas em busca da imunidade

Turismo de vacinação. Fazer as malas em busca da imunidade

AFP Daniela Soares Ferreira 11/05/2021 13:53

Ir de férias e voltar vacinado contra a covid-19 é já uma realidade. A ideia tem como objetivo a retoma do turismo nos países que estão a adotar esta ideia, mas não é completamente viável para todos e as condições vão sendo conhecidas aos poucos. No caso de administração de vacina de duas doses é preciso esperar pela segunda toma ou viajar duas vezes. O i sabe que os portugueses não estão a aderir a este tipo de turismo.

Um pouco por todo o mundo, a vacinação contra a covid-19 vai sendo feita. Em muitos casos com alguma lentidão, o que acaba por atrasar a retoma de alguns setores, como é o caso do turismo. Para contornar este obstáculo há países que não perderam tempo e desenvolveram o chamado turismo de vacinação que não é nada mais nada menos do que férias com tudo incluído... até a vacina. Explicamos melhor até porque a ideia é simples: são viagens – a maioria de longa duração – onde a pessoa além de aproveitar uns dias de descanso vai poder ficar imunizada. Mas nem tudo são facilidades: não é um turismo recorrente, uma vez que não é feito em muitos países e apresenta algumas condições.

Dos países que o fazem ou estão a pensar fazê-lo, falamos, por exemplo, das Maldivas. Visitar as Maldivas é um sonho para muitos. Mas imagine poder visitar este local paradisíaco, aproveitar as praias e o calor e voltar ao seu país vacinado. É possível. Ou será.

A ilha está, neste momento, aberta a todos os turistas vacinados bem como para aqueles que apresentem um teste negativo à covid-19 feito nas 72 horas antes. Mas há mais: foi lançada uma campanha chamada 3V (Visit, Vaccinate, Vacation – visitar, vacinar e passar férias) que tem como principal objetivo, assim que todos os residentes locais tiverem tido a oportunidade de tomar a vacina, estas estarão disponíveis para qualquer pessoa que viaje para as Maldivas de férias.

“A ideia principal do turismo aberto é fornecer um turismo razoavelmente seguro com o mínimo de inconveniência. Assim, uma vez que o país seja vacinado, passaremos para o turismo ‘3V’”, anunciou o ministro do Turismo das Maldivas, Abdulla Mausoom.

Não se sabe ao certo quando as Maldivas vão iniciar este plano mas, atualmente, quase 60% da população já tomou a primeira dose da vacina e quase 25% está totalmente imunizada. Não é também claro se os turistas vão ter de suportar os custos da vacinação.

Das Maldivas passamos para Cuba. “Praias, caraíbas, mojitos e vacinas. Tudo num só lugar”. É este o slogan publicitário de Cuba para atrair o novo turismo de vacinação. Mas, tal como no caso anterior, não será para já. Para já, o país que depende quase exclusivamente do turismo está nas fases finais da sua própria vacina, a Soberana 02.

Também a Rússia está a atrair turistas com a garantia da vacina Sputnik V. Uma visita ao site da agência de viagens norueguesa World Visitor, com agências de viagens na Alemanha, não deixa indiferente os mais curiosos: “Viagens de vacinação para a Rússia finalmente disponíveis”. O preço do pacote ronda os dois mil euros e já há centenas de alemães inscritos. 

O chefe do projeto ‘Viagens de Vacinação’ desta agência na Alemanha explica como funciona: o que se paga é a consulta e o acompanhamento numa clínica privada de Moscovo, que vai de 200 a 220 euros por consulta. Depois, há três tipos de viagens: a mais barata custa 1990 euros e inclui duas curtas viagens a Moscovo para o cliente levar a respetiva dose da vacina. Além da toma da vacina, o turista pode passear por Moscovo. A viagem repete-se depois para a segunda dose da vacina, 21 dias depois. 

A segunda proposta é a de uma viagem de 22 dias entre Moscovo e Turquia e tem um custo de por 1799 euros. Já o terceiro pacote contempla uma estadia de 22 dias e custa 2990 euros. Entre as duas doses de vacina, o visitante pode visitar a cidade e fazer excursões. Mas há condições: é preciso ter teste PCR válido nas 72h antes da viagem, um visto para ir à Rússia e ainda convite do Ministério russo do Interior.

Outro exemplo é o Panamá, onde já é autorizado que pessoas sem residência no país recebam a vacina. Na página de registo existe a opção “estrangeiro sem número de filiação”. Por enquanto, o país ainda está na segunda fase do plano de imunização.

No continente americano, são vários os que se dirigem aos Estados Unidos para tomar a vacina. Alguns latino-americanos preferem viajar aos EUA para se vacinar do que esperar a lenta vacinação nos seus países. A imprensa local dá exemplos: No México, cerca de 500 empresas de viagens oferecem pacotes que incluem voo e transporte para centro de vacinação em cidades americanas.

Mas há mais: Nova Iorque também pretende voltar a receber turistas e, por isso, vai começar a oferecer a vacina a todos os turistas que queiram visitar a cidade. O anúncio foi feito pelo mayor da cidade, Bill de Blasio, que acrescentou que o objetivo é oferecer a vacina da Janssen (empresa da Johnson & Johnson) a qualquer turista que visite a cidade de Nova Iorque. Mas atenção: falta a aprovação do Estado.

Miami vai pelo mesmo caminho mas as vacinas ainda não são para todos. O anúncio foi feito pelo aeroporto local. “Estarão disponíveis no Aeroporto Internacional vacinas da Pfizer para os funcionários do aeroporto, os seus familiares e amigos e viajantes que moram ou trabalham na Florida”, lê-se num comunicado. “Estamos empenhados em tornar a vacinação mais fácil e conveniente possível para aqueles que moram e trabalham em Miami”, dizem as autoridades portuárias, acrescentando que “a vacinação é nossa melhor ferramenta para vencer a pandemia e fazer a comunidade e a economia voltarem ao normal”.

Incentivar a vacinação Na Roménia, a vacinação não podia ser mais original. O Castelo do Drácula aliou-se ao programa de vacinação do país e agora é possível voltar de lá não com uma mordidela de vampiro mas com uma picada de vacina. Isto porque as vacinas estão a ser oferecidas aos turistas, naquele que é um dos países com maior nível de recusa de inoculação. “O nosso público alvo principal são os turistas romenos que passam o fim de semana na região de Bran. Mas as pessoas da região não estão excluídas, tal como os funcionários do castelo”, disse Alexandru Priscu, diretor de marketing do castelo. 

Ora, segundo a BBC, durante todos os fins de semana deste mês, qualquer pessoa pode comparecer sem hora marcada para receber uma injeção e também obter entrada gratuita para a exibição de 52 instrumentos de tortura medievais no castelo.

Portugueses não aderem E se um pouco por todo o mundo o turismo de vacinação se vai tornando uma – pequena – realidade, os portugueses parecem não estar muito interessados em fazê-lo. “Os portugueses não têm aderido a este tipo de viagens. Não podemos estar a afirmar que não aderiram mas nas agências de viagens não temos registo de qualquer procura que nos ajude a dizer que sim”, diz ao i fonte oficial da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT). “Por aquilo que se tem visto, [este género de turismo] atinge faixas com um maior poder de compra. Não podemos dizer que não exista. Pode haver um ou outro que nos escape mas, na associação, por aquilo que temos vindo a ser informados pelos nossos associados, não têm registado qualquer procura”, diz ainda a mesma fonte, acrescentando que “não há procura por um lado e, por outro lado, os nossos associados não estão ativamente a promover isso”.

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