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Covid-19. Duas semanas para acabar de vacinar maiores de 60. Só envio de mensagens custa mais de um milhão de euros

Covid-19. Duas semanas para acabar de vacinar maiores de 60. Só envio de mensagens custa mais de um milhão de euros

Bruno Gonçalves Marta F. Reis 11/05/2021 08:08

Mantém-se a meta de vacinar maiores de 60 até dia 23 – só fica para depois quem já teve covid-19. Maioria respondeu aos SMS de agendamento, mas 337 mil ficaram sem resposta.

Desde domingo que quem tem 60 ou mais anos já pode marcar a vacina da covid-19 e o país entra na última reta para vacinar todos os maiores de 60 anos até 23 de maio. Fica de fora quem já teve covid-19, que começará a poder vacinar-se depois de concluída esta etapa, começando por quem teve covid-19 há pelo menos seis meses.

Esta terça-feira, é esperado que se atinjam os 4 milhões de doses administradas no continente. Metade foram dadas no último mês, quando a campanha conheceu outra velocidade – na semana passada, foram dadas pela primeira vez 100 mil vacinas num dia. Há um mês, a 11 de abril, havia 1,6 milhões portugueses com pelo menos a primeira dose da vacina da covid-19 e hoje são quase 3 milhões, dos quais já mais de um milhão com a vacinação completa.

Ao i, a task-force responsável pelo processo de vacinação adiantou que, só no domingo, quando passou a ser possível o auto agendamento da vacina por pessoas entre os 60 e os 65 anos, deram entrada mais 40 mil pedidos de agendamento da vacina. Segundo a task-force, a meta de vacinar praticamente todos os maiores de 60 nas próximas semanas deverá ser alcançada em todo o país ao mesmo tempo, “eventualmente com alguns dias de diferença” em algumas regiões, continuando a apontar-se para 23 de maio.

Sem dados sobre recusas Questionada sobre quantas recusas houve nos grupos etários já abrangidos, a task-force indicou não ter um registo, apenas o quantitativo de pessoas que responderam “não” à mensagem de agendamento – o que pode não significar necessariamente uma recusa, mas indisponibilidade para fazer a vacina na data proposta. Até às 18h deste domingo tinham sido enviadas desde o início da operação de vacinação mais de 1,2 milhões de SMS de agendamento, tendo 69,5% respondido sim e 2,4% não – as restantes (28,1%) ficaram sem resposta. Houve assim cerca de 834 mil respostas afirmativas em que as mensagens funcionaram como marcação da vacina e cerca de 28 mil respostas negativas. E tinham ficado por responder até domingo 28,1% das mensagens, cerca de 337 mil SMS. Em termos de auto-agendamento, que é possível online no site do Ministério da Saúde e nas lojas do cidadão, até domingo tinham sido recebidos 254 mil pedidos.

Os milhões da operação Segundo os contratos disponíveis no Portal Base, só o envio de mensagens escritas no âmbito da campanha de vacinação da covid-19 representaram um custo de 1,2 milhões de euros (mais IVA). São quatro os contratos publicados pela Agência para a Modernização Administrativa, dois com a NOS, um com a Vodafone e outro com a MEO. Duram até ao final da operação de vacinação. Mas as despesas em torno da campanha de vacinação têm sido a somar, estando à responsabilidade de diferentes organismos e com uma fatia a recair sobre as autarquias.

Segundo os contratos publicados no Portal BASE, que podem não representar a totalidade de despesas – as entidades públicas têm 30 dias para publicar os contratos após a celebração mas nem sempre o têm feito – os municípios já gastaram mais de 4 milhões de euros. As maiores despesas prendem-se com a contratação de recursos humanos para os centros de vacinação e o maior contrato entre os municípios pertence até aqui à Câmara Municipal de Lisboa: o município gastou 1,6 milhões de euros na contratação de pessoal, nomeadamente enfermeiros, para assegurar o plano de vacinação ao longo de nove meses. O contrato, feito com a Randstad, foi publicado este mês mas está assinado desde 15 de abril.

Oeiras, Cascais e Sintra, são, além da capital, as câmaras que têm apresentado mais despesas relativas à vacinação mas os gastos multiplicam-se em diferentes autarquias, entre aquisição de infraestruturas, sinalética, serviços de vigilância ou higienização. Ou até café, como pode ver-se num contrato de 3787 euros (mais IVA) feito pela Câmara Municipal de Trofa para assegurar o fornecimento contínuo do centro de vacinação.

As compras mais volumosas são contudo com as vacinas propriamente ditas e material necessário como agulhas bem como com a infraestrutura técnica e informática associada ao processo de vacinação. Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, responsáveis pelos sistemas informáticos do Ministério da Saúde, assinaram este mês mais um contrato de 319.488,40 euros (mais IVA) com a Altran para “Serviços de desenvolvimento e manutenção no sistema de monitorização do SNS (SIMSNS) - Monitorização Vacinação COVID-19”. Até aqui já tinham feito diferentes contratos relacionados com prestações de serviço no âmbito da vacinação, que ascendem a mais de um milhão de euros.

Quem fica a faltar Terminada a vacinação de maiores de 60, inicia-se a vacinação da faixa etária dos 50 anos – em alguns pontos do país já está a começar. E poderão fazer o auto-agendamento recuperados de covid-19, numa primeira etapa quem tenha tido covid-19 até novembro (há seis meses). Dos 839 740 casos de covid-19 confirmados em Portugal desde o início da epidemia, 210 mil foram pessoas com mais de 60 anos de idade. Foi neste grupo etário que se registaram 96% das mortes desde o início da epidemia, mas de 16 mil vítimas mortais. Alguns, sobretudo idosos em lares que sobreviveram à infeção, foram vacinados, mas dezenas de milhares de pessoas com mais de 60 anos serão assim vacinadas apenas ao longo dos próximos meses. Os inquéritos feitos no país têm mostrado maior relutância em fazer a vacina abaixo desta idade, o grupo que se segue na vacinação. Ao i, a task-force espera diz esperar que a adesão se mantenha. "Portugal tem um dos mais antigos programas nacionais de vacinação, a nível internacional, com uma ótima aceitação da população. De acordo com os dados que temos disponíveis, acreditamos que a taxa de aceitação das pessoas mais novas seja semelhante à dos restantes processos vacinais que ocorrem em Portugal", confiam os responsáveis. 

 

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