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Galamba volta às polémicas e chama "estrume" a programa da RTP

Galamba volta às polémicas e chama "estrume" a programa da RTP

João Girão Sónia Peres Pinto 10/05/2021 08:08

Secretário de Estado voltou a criticar o programa Sexta às 9 no Twitter. CDS reagiu e pediu dupla demissão: João Galamba e Eduardo Cabrita.

“Estrume” e “coisa asquerosa”. Foi desta forma que João Galamba se referiu ao programa Sexta às 9, emitido pela RTP, numa resposta de um utilizador do Twitter.Tudo começou quando @soundpeaks escreveu: “Todas as semanas abro uma garrafinha do @Joaogalamba e sento-me a ver o estrume por ele produzido”, partilhando um link do episódio do programa, conduzido por Sandra Felgueiras na estação pública, sobre a polémica em torno do Zmar. “Lamento, mas estrume só mesmo essa coisa asquerosa que quer ser considerada “um programa de informação”. Mas se gosta desse caso psicanalítico em busca da sua expiação moral, bom proveito”, lê-se na resposta publicada por João Galamba, que entretanto apagou o texto, não sem antes o autor do tweet inicial, ter feito um printscreen do comentário, que depois divulgou naquela rede social.

Contactado pelo i, João Galamba não prestou nenhuma declaração até ao fecho da edição. Já a RTP, numa nota de direção, repudia as declarações do governante ao garantir que “atentam ao bom nome da estação e da jornalista Sandra Felgueiras”.

Esta não é a primeira vez que o secretário de Estado da Energia teceu duras críticas ao programa da estação pública. Em outubro publicou um longo texto com várias e graves acusações ao Sexta às 9 depois de ter abordado a prospeção de lítio pela Lusorecursos em Montalegre. “O programa Sexta à Nove tem-se dedicado à desinformação sobre a concessão mineira atribuída à empresa Lusorecursos. Foi várias vezes explicado ao Sexta à 9 o enquadramento legal aplicável, mas teimam em não aceitar a explicação e, mais grave, teimam em ignorar” a lei, escreveu. E acrescentou: “Ao contrário do que alega não há aqui qualquer irregularidade ou anormalidade administrativa”, acusando mesmo o programa de enganar os telespetadores de forma calculada e premeditada.

João Galamba tem uma relação conflituosa com a Justiça e a comunicação social e tem-no demonstrado ao longo dos últimos anos. Em 2016, ao i, afirmava que “a Justiça socorre-se demasiado dos meios de comunicação social para fazer aquilo que não consegue fazer nos tribunais. E isso acontece com o caso Sócrates”.

O secretário de Estado escolheu agora o Twitter, dias depois de António Costa ter criticado Rui Rio por, entre outras coisas, “desenvolver ódio relativamente à comunicação social” e “odiar jornalistas”.

Reações Miguel Poiares Maduro não poupou críticas à atuação de João Galamba. “Ser membro do Governo impõe limites à forma como podemos responder a notícias que entendemos (e podem) ser injustas. A razão é que o poder que se detém. Qualquer reação fora dos canais legalmente previstos é suscetível de ser interpretada como uma ameaça”, disse o ex-ministro de Passos Coelho.

E apesar de admitir que não viu o último programa, lembra que o secretário de Estado “não pode escrever estas coisas”, acrescentando que “pode exercer direito de resposta ou fazer queixa à ERC”.

Também o líder do CDS aproveitou para pedir uma dupla demissão: a do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e a de João Galamba, acusando ambos de “indignidade institucional”. Para o líder dos centristas não há dúvidas: “Senhor primeiro-ministro, dê um duplo jackpot ao país e livre-se de Eduardo Cabrita e João Galamba, porque eu tenho a certeza de que não se revê nestas faltas de educação e na indignidade institucional que estes membros do Governo estão a revelar”, afirmou, na sessão de encerramento do X Congresso Regional do CDS-PP/Açores, em Angra do Heroísmo.

Francisco Rodrigues dos Santos, que já pediu por várias vezes a demissão do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, na sequência da requisição civil no ZMAR, em Odemira, estendeu agora esse pedido ao secretário de Estado da Energia, João Galamba, acusando-o de ter atacado “de forma ordinária” um canal de televisão e de se ter tornado “um ‘cowboy’ do teclado no seu Twitter”.

Recorde-se que, em 2016, João Soares pediu a demissão do cargo de ministro da Cultura , invocando razões de solidariedade com o Executivo. Na altura, não resistiu à polémica aberta por um post que escreveu no Facebook, a prometer “salutares bofetadas” aos cronistas do Público Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente.

 

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