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Covid-19. Redução da incidência é "sinal de que a pandemia está controlada"

Covid-19. Redução da incidência é "sinal de que a pandemia está controlada"

Bruno Gonçalves Maria Moreira Rato 07/05/2021 08:14

Portugal continua na zona verde da matriz definida pelo Executivo para avaliar reabertura. Cabeceiras de Basto é o único concelho a recuar no desconfinamento total.

Um concelho recua no desconfinamento e quatro voltam ao ritmo do país. Foi este o resultado da avaliação feita esta quinta-feira pelo Governo no conselho de ministros que analisou o desenvolvimento da pandemia  e a última fase de desconfinamento, que teve início no passado dia 1 de maio.

Em conferência de imprensa, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, anunciou que o país tem uma incidência de 59 novos casos de covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. “É um sinal de que a pandemia está controlada”, afirmou.

A nível nacional, Portugal está com uma incidência a 14 dias de 61,3 casos por 100 mil habitantes e um índice de transmissibilidade R(t) de 0,95. Isto é, continua na zona verde da matriz definida pelo Executivo.

No continente, a incidência está nos 61,3 casos de infeção e o índice de transmissibilidade R(t) é de 0,95.

A estratégia adotada pelo Governo em março definiu como linha vermelha os 120 novos casos por dia por 100 mil habitantes a 14 dias em conjugação com um Rt – o número médio de casos secundários que resultam de um caso infetado pelo vírus – superior 1. O país continua confortável em relação aos dois patamares, agora melhor do que no final da semana passada.  Na sexta-feira da semana passada, o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus, que já chegou a estar de novo acima de 1, já tinha descido para 0,98. E a incidência de novos casos de infeção por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias, que era então de 66,9 segundo dados divulgados pela pela Direção-Geral da Saúde (DGS), continuou a baixar nos últimos dias, fruto de estarem a ser diagnosticados agora menos casos do que há duas semanas.

 

Cabeceiras de Basto recua

Contudo, a melhoria da situação epidemiológica não se regista em todo o país, tendo a ministra anunciado que Cabeceiras de Basto, com uma incidência superior a 240 casos por 100 mil habitantes, será o único concelho a recuar no plano de desconfinamento, ou seja, a voltar a ter as regras da terceira fase de reabertura, que vigorou entre os dias 19 de abril e 1 de maio – volta a ter restrições de horários ao fim de semana. Ao todo, tinham ficado 27 concelhos em pré-aviso, além dos sete municípios mais duas freguesias de Odemira que não tinham avançado para o desconfinamento total. Destes, Carregal do Sal, Paredes e Resende mantêm-se na fase em que estavam. O Governo decidiu também que as cercas sanitárias nas duas freguesias de Odemira – São Teotónio e Longueira/Almograve – vão também durar mais uma semana. Já Miranda do Douro, Aljezur, Portimão e Valongo têm agora autorização para avançar no processo de desconfinamento.

 

Avaliação semanal mantém-se

Nos últimos sete dias, anunciou ainda a governante, houve “nove concelhos a saírem do nível de alerta e seis a entrarem, o que simboliza a situação de melhoria geral que temos no país”. Ficam agora em situação de pré-aviso 23 concelhos em alerta: Alpiarça, Alvaiázere, Arganil, Beja, Castelo de Paiva, Coruche, Fafe, Figueiró dos Vinhos, Fornos de Algodres, Golegã, Lagos, Lamego, Melgaço, Oliveira do Hospital, Paços de Ferreira, Penafiel, Peniche, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Santa Comba Dão, Tábua, Vale de Cambra e Vidigueira, que caso não registem melhorias podem vir a ter um reapertar nas medidas.

Apesar de Vieira da Silva ter frisado que ocorreu uma “forte melhoria” em Odemira, as medidas impostas terão a duração de, pelo menos, 14 dias, pois este é o tempo de incubação da doença. Neste concelho, a incidência ainda não está abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes. Ainda assim, o Governo anunciou que as pessoas podem entrar nas duas freguesias para trabalhar,  a partir de segunda-feira, realçando, porém, que a decisão será novamente avaliada três dias depois. “Não podemos permitir que continuem estas condições”, disse a ministra sobre as condições em que muitos imigrantes vivem. “Temos de ir procurando soluções alternativas, primeiro temporárias e depois definitivas. O Governo já o tinha aprovado em 2019” e tem de corrigir a solução encontrada na altura.

Num município com cerca de 20 mil habitantes, os imigrantes ilegais acrescem a essa população mais 10 mil pessoas. Por este motivo, decorreu igualmente, esta quinta-feira, um debate de urgência, na Assembleia da República, requerido pelo PAN sobre a situação dos imigrantes que trabalham nas explorações agrícolas da zona.

“A cerca sanitária está a produzir efeitos, porque desde a última semana Odemira tem muito menos de 50% dos casos de infeção do que tinha no dia em que a cerca foi instaurada”, afirmou Eduardo Cabrita, especificando que “são 46 casos ativos ontem [quarta-feira], quando há uma semana eram 123”.

O ministro declarou que “é esse o caminho pelo direito à saúde, pelo direito à vida, mas esse direito é para todos, é para os odemirenses lá nascidos e é para os 10 mil cidadãos nascidos noutras terras, da Alemanha ao Nepal, todos iguais, todos com direitos que lá vivam com direito de residência permanente”.

 

Como será  o verão?

Em relação às praias, o Governo reiterou que irá “repetir em larga medida” as regras do ano passado: uso de máscara nos cafés e restraurantes, mas não no areal. Haverá também mudanças no que diz respeito à atividade desportiva no areal e à utilização de equipamentos de lazer.

No ano passado foi determinado que os utentes das praias deviam assegurar um distanciamento físico de 1,5 metros entre diferentes grupos e afastamento de três metros entre chapéus de sol, toldos ou colmos. Por um lado, a utilização do areal das praias estava interdita a “atividades desportivas com duas ou mais pessoas, exceto atividades náuticas, aulas de surf e desportos similares”.

Nos toldos, colmos e barracas de praia, “em regra, cada pessoa ou grupo só podia alugar de manhã [até 13:30] ou tarde [a partir das 14:00]”, com o máximo de cinco utentes. Foi também instalada uma “sinalética tipo semáforo”, em que a cor verde indicava ocupação baixa (1/3), amarelo ocupação elevada (2/3) e vermelho ocupação plena (3/3).

 

Festejos do campeonato de futebol

Questionada sobre a possibilidade de festejos na rua devido ao apuramento do campeão nacional de futebol, Vieira da Silva remeteu para a “interação entre o Ministério da Administração Interna e organizações diversas para a organização dos vários eventos, desde logo 13 de maio”. “As regras serão definidas em função dessa necessidade”, disse.

 

Mais casos no norte

Portugal registou, nas últimas 24 horas, mais 373 casos de covid-19, segundo o boletim epidemiológico da DGS. Deste total, 181 foram diagnosticados na região Norte, 106 em Lisboa e Vale do Tejo, 32 no Centro, 12 no Algarve e 10 no Alentejo. Há ainda mais 16 casos tanto na Madeira como nos Açores. Houve registo de mais cinco mortes associadas à covid-19: três na região de Lisboa e as outras duas na região Norte.

O número de doentes internados nos hospitais continua a baixar: esta quarta-feira eram 283, dos quais 77 (menos seis) em cuidados intensivos – a ocupação mais baixa desde 24 de setembro.

Há agora 22 535 casos ativos no país e  22 mil pessoas que estiveram em contacto com infetados em vigilância. Desde o início da pandemia contam-se 838 475 casos de covid-19 em Portugal e 16 988 mortes.

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