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Pedro Morgado. "Vamos ter mais pessoas em risco de adoecer nos próximos anos"

Pedro Morgado. "Vamos ter mais pessoas em risco de adoecer nos próximos anos"

Maria Moreira Rato 06/05/2021 18:47

O psiquiatra e investigador da Universidade do Minho, vencedor do maior prémio nacional na área da saúde mental, fala-nos do seu percurso e do que está por fazer.

Nasceu em Bragança. Como é que descreveria a sua infância?

Foi feliz. Os meus pais são professores e a minha irmã, que é mais velha, sempre estimularam o meu gosto pela leitura e a minha curiosidade científica. Recordo o quanto gostava do comboio que passava perto de minha casa e em que só andei uma vez, as cerejas que se comiam por altura da Feira das Cantarinhas, a participação no Coral Brigantino – apesar de eu cantar muito mal – e as idas ao cinema, que eram sempre especiais de tão raras.

Já em criança dizia que queria ser médico ou este objetivo surgiu mais tarde?

Não era um objetivo de criança. Aliás, estive sempre muito dividido entre as Humanidades e as Ciências Naturais. Entre o sétimo e o nono ano, tive uma professora de História que me marcou muito significativamente e que me deixou determinado a seguir Humanidades. Curiosamente, foi essa mesma professora, Fernanda Tiago, que acabou por me aconselhar a optar pelo Ramo Científico-Natural – assim se chamava na altura – com o argumento de que também precisávamos de cientistas que gostassem de Humanidades.

“O Médico que só sabe Medicina nem Medicina sabe”. Identifica-se com esta célebre frase de Abel Salazar?

Sim. Na Escola de Medicina da Universidade do Minho, desde a sua fundação, há outra máxima que tem guiado a forma como vemos a Medicina: “Nada do que é humano é estranho ao médico”, de Joaquim Pinto Machado. Os médicos devem, ao longo da sua formação, ter uma imersão em todos aqueles que são os diferentes componentes da vida do ser humano. E tal integra a definição da matriz do curso. Temos uma unidade denominada de Domínios Verticais, que agora foi englobada numa área mais abrangente, o Perfil Académico, em que os alunos são convidados à reflexão acerca de obras literárias, desde a prosa à poesia, mas também são contemplados o cinema, a pintura e muitas outras atividades que fazem a ponte entre as humanidades e a Medicina.

Quais são os seus maiores hobbies?

Adoro viajar, passear pela natureza – nomeadamente no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Também gosto de conviver com amigos, ir ao cinema, ao Theatro Circo e ao gnration. Corro três vezes por semana. Também podem encontrar-me no estádio de futebol sempre que joga o Braga.

Em 2001, escreveu, juntamente com outros três então adolescentes, sobre a revisão curricular do ensino secundário”. A frase “Sentimos, sobretudo, que não existe vontade de mudar” foi destacada. Sempre foi interventivo no meio escolar?

Sempre me interessei pela política nos seus mais variados sentidos e, por isso, procurei intervir nos diferentes contextos em que fui estando envolvido ao longo do meu percurso escolar.

No mesmo ano, começou a estudar Medicina na Universidade do Minho.

Vim morar para Braga no 11º ano com os meus pais e irmã. O curso de Medicina abriu na Universidade do Minho com um projeto pedagogicamente inovador no ano em que me candidatei. Achei que seria boa ideia experimentar um curso novo e foi a melhor escolha que fiz em todo o meu percurso académico.

Existe algum docente que o tenha marcado especialmente? 

É muito difícil responder a essa pergunta porque tive o privilégio de encontrar um conjunto muito grande de pessoas marcantes durante o curso. Tenho que começar por mencionar o professor Nuno Sousa, um líder extraordinário e uma das pessoas mais capazes e inteligentes que já conheci. O professor João Cerqueira e o Professor José Miguel Pêgo são responsáveis pelo início do meu percurso na investigação científica e no ensino universitário. O Professor Joaquim Pinto Machado era o diretor de curso e uma pessoa excecional com quem aprendi muito. Por fim, o professor Rui Mota Cardoso que é, para mim, o psiquiatra que melhor interpreta e explica a Psiquiatria. Cada um, à sua maneira, foi determinante no meu percurso.

Para além da vertente curricular, foi o primeiro presidente do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (NEMUM) e da associação Alumni Medicina. 

Logo no final do primeiro ano do curso de Medicina criámos o NEMUM e trabalhámos para organizar a sua atividade e articular com a Associação Académica (AAUM) e a Associação Nacional de Estudantes de Medicina. Penso que a experiência associativa no Ensino Superior é um exercício de cidadania, mas é também uma oportunidade para o desenvolvimento de aptidões fundamentais para o percurso profissional. Aprendemos a construir, a gerir, a ganhar, a perder, a negociar e, criamos, relações que ficam para a vida. A Alumni Medicina surgiu noutra fase e foi muito importante para garantir uma ligação dos antigos alunos à Escola de Medicina. Procuro sempre incentivar os estudantes a participarem no associativismo, seja nas associações de estudantes, nos grupos culturais ou nos projetos de voluntariado.

No penúltimo ano do curso publicou um artigo na revista Behavioural Brain Research. Foi nessa altura que entendeu seguir Psiquiatria ou apercebeu-se da vocação antes?

Decidi seguir Psiquiatria quando escolhi o curso de Medicina. Desde logo porque é uma especialidade médica que se situa na interceção entre as ciências biológicas e as ciências sociais, mas também porque o seu campo de ação opera na garantia da liberdade, no acolhimento do sofrimento e na promoção da diversidade que compõe a natureza humana. Ser psiquiatra é reconhecer a diversidade de cada um na saúde e a singularidade de todos na doença – isto torna esta especialidade verdadeiramente fascinante. As neurociências surgiram então como uma opção natural dado que são fundamentais para conhecermos e compreendermos as doenças psiquiátricas.

Passou pelo hospital de Bellvitge, em Barcelona. Durante quanto tempo viveu em Espanha? 

Foi um estágio curto, de dois meses, que me permitiu conhecer um centro altamente diferenciado na Doença Obsessivo-Compulsiva e estabelecer pontes para uma colaboração científica que ainda mantemos. Houve duas coisas que me impressionaram bastante: por um lado, o facto de os médicos terem um período do seu horário de trabalho dedicado à investigação científica e, por outro, a forma como as urgências daquele hospital eram efetivamente encaradas como uma solução de último recurso.

Acredita que Portugal devia seguir esse modelo?

Penso que a dedicação à investigação e o reconhecimento da mesma como uma atividade corrente da pratica médica resultaria numa melhoria significativa não só dos cuidados de saúde, mas também daquilo que é o desenvolvimento de novas soluções para os pacientes. Em relação às urgências, penso que precisamos de melhorar a resposta dos cuidados de saúde de ambulatório, tanto nos primários como hospitalares, de forma a reduzir a afluência às urgências que deviam ser orientadas para o atendimento das situações efetivamente urgentes.

Depois, esteve também no hospital de São Teotónio, em Viseu. Que aprendizagens guarda dessa época?

Foi uma passagem também curta, de sete meses, mas marcante. Apesar do Serviço de Psiquiatria ter condições físicas muito precárias e distantes das do Hospital de São Teotónio, testemunhei um serviço muito bem organizado e liderado. Foi nesse serviço que observei e acompanhei as primeiras pessoas enquanto médico interno de Psiquiatria.

É professor na Escola de Medicina da Universidade do Minho desde o ano em que terminou o mestrado integrado. Como é que conjuga o exercício da Medicina com a docência? 

A experiência de ser professor e médico ao mesmo tempo é muito exigente, mas determinante para que possamos garantir a formação adequada aos estudantes de Medicina. A aprendizagem é bidirecional e temos a oportunidade de conhecer estudantes verdadeiramente fantásticos. O ensino da Medicina mudou muito ao longo das últimas décadas. Já não é possível que os médicos saiam da faculdade a saber tudo até porque alguns dias depois do diploma estariam seguramente desatualizados. Na Escola de Medicina da Universidade do Minho queremos que os estudantes adquiram conhecimentos mas, sobretudo, que desenvolvam competências para se atualizarem permanentemente, reconhecerem os seus limites, comunicarem adequadamente com as pessoas, compreenderem o seu sofrimento e enquadrarem a sua ação no contexto dos sistemas de saúde. 

No final de abril, tornou-se o vencedor da 1ª edição do FLAD Science Award Mental Health da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). Esperava este reconhecimento?

Concorremos na expectativa de poder melhorar as condições de vida das pessoas com Doença Obsessivo-Compulsiva através do conhecimento científico e da investigação aplicada. Sabíamos que seria um concurso muito difícil e ficámos muito felizes com o resultado. Penso que é um reconhecimento para a forma como a Escola de Medicina da Universidade do Minho e o Hospital de Braga têm apostado na investigação clínica.

Vai receber 300 mil euros, o maior prémio na área da Saúde Mental em Portugal, para melhorar o diagnóstico, a predição no tratamento e a eficácia do mesmo na doença obsessivo-compulsiva. Como é que surgiu o interesse pelo estudo desta doença?

Ao longo do internato de Psiquiatria e do meu doutoramento fiquei muito curioso acerca da forma como esta doença surgia e também sobre a diversidade de sintomas e apresentações. O facto de ser uma doença muito sensível ao stress crónico e aos eventos de vida traumáticos acabou também por contribuir para o meu interesse. Por fim, a experiência de contacto com pessoas que vivem com a Doença Obsessivo-Compulsiva também foi muito importante. Testemunho o grande sofrimento que experienciam e o modo como o fazem em silêncio durante muito tempo até procurarem ajuda. Penso que o desafio mais importante é conseguirmos disseminar informação para que possam procurar ajuda profissional mais cedo.

Que impacto tiveram as felicitações que recebeu, por exemplo, a de Marcelo Rebelo de Sousa e a de Tedros Ghebreyesus?

As felicitações do Senhor Presidente da República e do Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde deixaram-me sem palavras. Penso que é um sinal do valor que atribuem à investigação científica em psiquiatria e também uma forma de reconhecimento do importante investimento que a FLAD fez na saúde mental.

Estima-se que 4,4% da população portuguesa sofra de perturbação obsessivo-compulsiva, tendo sido considerada, em 2015, a quarta perturbação psicológica mais expressiva no país. É também esta a realidade com a qual depara na sua atividade profissional?

É uma doença muito prevalente e ainda muito sub-diagnosticada. Os dados do estudo epidemiológico português apontam para níveis acima da média internacional que ronda os 3%. Na prática clínica é uma doença bastante comum.

Como costuma descrever o transtorno obsessivo-compulsivo?

A perturbação obsessivo-compulsiva é uma doença psiquiátrica que se caracteriza pela presença de obsessões e compulsões. As obsessões são pensamentos ou imagens intrusivas e repetitivas que surgem na cabeça da pessoa contra a sua vontade e natureza provocando intensa ansiedade e sofrimento. As compulsões são rituais motores ou mentais recorrentes que têm como único objetivo reduzir a ansiedade provocada pelas obsessões. Nas situações de doença, as obsessões e compulsões podem repetir-se centenas de vezes numa hora, provocando um impacto muito significativo na vida da pessoa doente. Todas as pessoas podem experienciar pensamentos intrusivos e rituais considerados normais. Quando esses pensamentos e rituais se repetem excessivamente, causam um sofrimento extraordinário ou têm um impacto negativo no funcionamento da pessoa, então, podemos falar numa situação patológica.

“A new hope for resistant Obsessive-Compulsive Disorder – innovative strategies for outcome prediction and treatment” é o título do seu projeto, que terá duas componentes. A primeira passa pela recolha de imagens cerebrais de doentes com doença obsessivo-compulsiva, com recurso à ressonância magnética funcional, para uma avaliação inicial e aferir o impacto do tratamento além do reportado pelo paciente. 

Na primeira tarefa pretendemos melhorar a qualidade de vida das pessoas com Doença Obsessivo Compulsiva identificando mais cedo os medicamentos que funcionam em cada pessoa e também as alterações cerebrais que ajudam a predizer essa resposta. O estudo de ressonância magnética funcional será realizado no Centro Clínico Académico 2CA-Braga, sediado no Hospital de Braga. 

Já definiu a amostra? 

Prevemos incluir 104 pessoas com doença obsessivo-compulsiva. 

Na segunda parte, realizará um ensaio clínico para a utilização de um medicamento atualmente disponível para doentes de Parkinson em pessoas com a doença obsessivo-compulsiva, pois este contribui para a reposição da dopamina, neurotransmissor habitualmente associado às sensações de prazer e motivação. Há quanto tempo estudam este fármaco?

Há cerca de 10 anos estudámos fármacos da mesma família em estudos pré-clínicos com modelos animais e fomos acompanhando outros estudos, alguns em pessoas com a doença, que apresentaram resultados promissores.

Metade dos doentes com doença obsessivo-compulsiva têm resistência aos tratamentos de primeira linha, ou seja, antidepressivos e psicoterapia. Acredita que este medicamento poderá auxiliá-los?

Neste momento as pessoas que não respondem aos tratamentos primeira linha, antidepressivos SSRI e psicoterapia cognitivo-comportamental conjugados, são medicadas com outros fármacos. Por exemplo, antidepressivos tricíclios ou antipsicóticos. Em situações mais graves, são encaminhadas para estimulação cerebral profunda, uma técnica que requer intervenção da neurocirurgia. Acreditamos que este medicamento poderá ser útil para as pessoas que não respondem a essas opções.

As pessoas que têm esta patologia são estigmatizadas em Portugal?

A doença psiquiátrica ainda é significativamente estigmatizada em todo o mundo. Portugal não é exceção. É muito importante que as doenças psiquiátricas sejam vistas como todas as outras doenças, pois são doenças do cérebro com impacto no comportamento, nas emoções, no pensamento e na motivação e que implicam muito sofrimento. As doenças podem afetar qualquer um e não servem para rotular ninguém.

Vão colaborar com centros de investigação nos EUA? 

Iremos colaborar com a Professora Emily Stern da Universidade de Nova Iorque. Esta investigadora tem experiência tanto em estudos de ressonância magnética funcional como em ensaios clínicos com fármacos para o tratamento da doença obsessivo-compulsiva. A sua experiência será muito importante para o desenvolvimento deste projeto e irá permitir a formação de membros da nossa equipa no seu centro em Nova Iorque.

Tem outros projetos de investigação em andamento, como “Promoting Mental Health During Pandemic - a digital platform for monitoring and intervention”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Considera que a saúde mental tem sido negligenciada desde o surgimento do coronavírus?

No início verificou-se um impacto muito significativo na prestação de cuidados de saúde psiquiátricos tal como em praticamente todas as especialidades. O problema é que a Psiquiatria partia de uma situação mais desfavorável porque o modelo de financiamento do Serviço Nacional de Saúde não é adequado aos cuidados de saúde mental e ainda existe muita incompreensão acerca das necessidades das suas necessidades. Ao longo da pandemia, verificou-se uma maior normalização da prestação de cuidados, foram lançadas várias iniciativas públicas de promoção da literacia em saúde mental – a Direção-Geral da Saúde (DGS), as universidades e as ordens profissionais foram muito ativas – e foram feitos investimentos significativos na área da Psicologia como a contratação de psicólogos e a criação da linha de apoio psicológico SNS24. Foi ainda anunciado um grande investimento no Plano de Resiliência e Recuperação.

Acredita que poderiam ter sido tomadas outras decisões para que a Psiquiatria não fosse relegada para segundo plano?

Tem havido um esforço por colocar a Psiquiatria num plano de maior destaque mas estamos muito longe de conseguir aquilo de que as pessoas com doença psiquiátrica necessitam. Acredito que é urgente resolver os problemas de acesso a consultas de Psiquiatria com a periodicidade necessária, é preciso dotar todos os serviços de Psiquiatria de alas de internamento, é necessário tornar universal e gratuito o acesso às medicações antipsicóticas e é prioritário efetivar a criação de equipas multidisciplinares com verdadeira articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares. O Programa Nacional para a Saúde Mental da DGS aponta todas estas soluções mas apenas tem funções de consultoria, não tendo capacidade para as executar. Precisamos de uma estrutura com poderes executivos para a Saúde Mental no SNS.

O Programa Nacional para a Saúde Mental (PNSM), em 2020, foi prejudicado pela pandemia?

Para 2020, as metas previam aumentar o registo das perturbações mentais nos Cuidados de Saúde Primários, inverter a tendência de prescrição de benzodiazepinas, aumentar as ações de promoção da saúde mental desenvolvidas pelo PNSM e criar mais lugares em Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental. Seguramente que houve um impacto muito negativo da pandemia no cumprimento de metas que tinham sido definidas num contexto em que esta emergência de saúde publica não estava no horizonte. Por força das circunstâncias, houve um desfasamento entre aquilo que se definiu e aquilo que aconteceu. Contudo, a perceção que temos é de que as medidas dependentes do PNSM foram suplantadas, tendo aumentado as ações de promoção da saúde mental.

Os portugueses recorreram mais às consultas?

Numa primeira fase, houve uma redução da procura porque as pessoas também estavam com medo e não saíam de casa. À medida que a situação epidemiológica melhora, temos notado um aumento do recurso às urgências de Psiquiatria e também às consultas da especialidade. Isso também é corroborado pelo estudo que realizámos, pois o número das pessoas que nos diz que frequenta consultas de Psiquiatria e Psicologia aumentou relativamente ao primeiro confinamento, sendo que questionámos as mesmas pessoas nos dois momentos.

Nesse estudo, comprovou que o segundo confinamento fez regressar os sintomas de stress, ansiedade e depressão que se observaram no ano passado.

A maioria das pessoas adaptou-se às novas circunstâncias de vida que a pandemia gerou: medo, ansiedade, dificuldades de sono acabaram por reduzir-se com o tempo. Contudo, sabemos que a sujeição a níveis tão elevados de stress, durante tanto tempo, é um fator de risco para o surgimento de doenças psiquiátricas. Vamos ter mais pessoas em risco de adoecer ao longo dos próximos anos. Também verificámos que as pessoas mais vulneráveis – com condições socioeconómicas mais desfavoráveis, que estão desempregadas, que vivem sozinhas ou pertencem a grupos minoritários – estão em maior risco de adoecer e ficaram ainda mais vulneráveis durante a pandemia.

É vice-presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho desde 2017. Sente que a formação dos futuros médicos foi afetada pela pandemia?

Uma situação tão extraordinária como esta tem impactos importantes na formação dos futuros médicos, mas também se constituiu como uma oportunidade de aprendizagem e de reinvenção do ensino. Penso que muitos dos impactos acabaram por ser mitigados pelas Escolas Médicas em conjunto com os estudantes. É preciso destacar o sentido de responsabilidade das escolas, dos professores, dos tutores e dos estudantes em todo este processo.

É também membro da Direção do Colégio de Especialidade de Psiquiatria na Ordem dos Médicos. Que diferença espera fazer no panorama médico nacional?

O Colégio de Especialidade de Psiquiatria tem como missão garantir a qualidade do exercício da Psiquiatria na defesa dos cidadãos. Acreditamos que o trabalho dos psiquiatras é fundamental para a garantia de cuidados de saúde mental de qualidade e participamos ativamente na formação de novos especialistas. Ainda recentemente interviemos na defesa da vacinação prioritária para as pessoas com doença mental e estamos a trabalhar no desenvolvimento de orientações para a constituição de equipas que garantam a qualidade dos serviços.

O que lhe falta fazer?

Na verdade, nunca me falta o que fazer. O facto de ser professor e psiquiatra é tão gratificante que os meus objetivos passam por contribuir para o ensino da Medicina e para o desenvolvimento da Psiquiatria em Portugal e, claro, continuar a fazer parte da comunidade científica internacional que procura novas e melhores respostas para o tratamento das doenças psiquiátricas. 

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