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Pedro Vaz 04/05/2021
Pedro Vaz

opiniao@ionline.pt

Libertar os idosos

Tenho a informação que nunca tantos psicofármacos se receitaram aos idosos que se encontram em lares e parece que o seu bem-estar psíquico não tem o mesmo relevo que o seu bem-estar físico

De acordo com o que é sabido, a vacinação nos lares, contra a COVID-19, estará já concluída, ou muito próximo disso. Isso é uma boa notícia para todos nós, mas em primeiro lugar para um segmento da população de elevadíssimo risco e que foi a mais afetada pelo contágio do vírus.

Chegam-me, no entanto, relatos que os nossos idosos continuam confinados do mesmo modo como se não tivessem sido vacinados, o que revela uma insensibilidade profunda em relação às necessidades sociais da população mais idosa. Não chegou terem sido os mais afetados pela pandemia, como continuam a ser discriminados negativamente, agora que se encontram protegidos contra o vírus. Algo totalmente incompreensível.

Estamos a falar de mais de um ano totalmente isolados da convivência com os seus familiares e amigos mais próximos, muitos deles sem saberem se o dia de amanhã não seria o seu último, não se percebendo as razões para que não se tenha desconfinado os lares. Por que razão não podem sair? Por que razão não podem ter contacto com os seus familiares? Por que razão continuam em isolamento?

Tenho a informação que nunca tantos psicofármacos se receitaram aos idosos que se encontram em lares e parece que o seu bem-estar psíquico não tem o mesmo relevo que o seu bem-estar físico.

Esta pandemia teve implicações profundas na forma como nos relacionamos em sociedade, como interagimos uns com os outros. Quanto às implicações futuras, muitas delas serão, ainda, desconhecidas, mas tem sido unânime, na comunidade médica e científica, que os danos na saúde mental da população poderão ser muito significativos. Portanto, não se percebe porque não existem já orientações claras para ultrapassar os entraves que impedem os mais idosos, que se encontram vacinados e em lares, de poder voltar a estar em contacto com os que lhe são mais próximos e que a COVID afastou.

Está na hora das autoridades de saúde e da segurança social definirem regras, claras, objetivas, gerais e abstratas que sejam seguidas por todas as entidades que têm a seu cuidado uma população muito mais vulnerável que a maioria. Todos nós sabemos a diferença que um simples toque, um abraço ou a presença física de alguém junto de nós faz de positivo. Solidariedade intergeracional é mais que a vacina (que já é muito, mas insuficiente). Está na hora de libertar os nossos idosos.


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