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José Cabrita Saraiva 04/05/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Uma espantosa vontade de agradar aos eleitores

Imagino, por esta amostra, que o cenário se repita um pouco por todo o país: os autarcas a quererem mostrar obra feita e conquistar o voto dos seus munícipes promovendo melhorias palpáveis nos seus concelhos, contribuindo para o bem-estar geral e para o aumento da qualidade de vida.

A democracia tem vantagens evidentes e sobejamente conhecidas de todos. A maior talvez seja a de os governantes, para se manterem no poder, terem de se esforçar para que os eleitores estejam satisfeitos. Claro que até isso pode ser desvirtuado: em Roma, entretinha-se a populaça com espetáculos de gladiadores e compravam-se e vendiam-se votos à descarada (por cá, diga-se, houve governos que fizeram uma coisa parecida, aumentando os salários da função pública em anos de eleições, com consequências aliás desastrosas). Seja como for, mais vale que os governantes queiram ver os eleitores satisfeitos do que o contrário...

E quem diz o governo central, diz o poder local, onde a ação política tem efeitos imediatos na vida das pessoas. Vem isto a propósito das eleições autárquicas que está previsto realizarem-se em setembro ou outubro deste ano. Passeando pelo meu concelho de residência, deparei-me com uma quantidade verdadeiramente prodigiosa de melhorias. Desde anúncios a teleconsultas gratuitas – uma medida, presumo, destinada à população mais velha –, a parques infantis para as crianças, todos saem beneficiados.

Mas nos concelhos vizinhos vejo uma vontade igualmente grande de agradar aos munícipes. E, a mais de cem quilómetros de distância, encontrei numa pacata cidade do Alentejo uma pequena revolução urbana que deverá devolver aos cidadãos uma zona da cidade outrora confusa e degradada.

Imagino, por esta amostra, que o cenário se repita um pouco por todo o país: os autarcas a quererem mostrar obra feita e conquistar o voto dos seus munícipes promovendo melhorias palpáveis nos seus concelhos, contribuindo para o bem-estar geral e para o aumento da qualidade de vida. Seria, por isso, interessante ver como são distribuídos os gastos e as inaugurações ao longo dos mandatos. Houvesse eleições todos os anos, com esta espantosa vontade de melhorar a vida dos munícipes, e viveríamos num país irreconhecível – para melhor.


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