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Semana com 27 concelhos sob avaliação onde desconfinamento total pode recuar

Semana com 27 concelhos sob avaliação onde desconfinamento total pode recuar

Bruno Gonçalves Marta F. Reis 03/05/2021 08:10

Governo reavalia situação no final da semana e avaliações passam a ser semanais.

São 27 os concelhos, além dos sete que não avançaram para a última etapa do desconfinamento – e ainda as duas freguesias de Odemira onde foi decretada uma cerca sanitária – que vão estar esta semana sob vigilância mais apertada. Caso a incidência a 14 dias não fique abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes, poderão ver um recuo no desconfinamento total. A nova estratégia do Governo, explicada por António Costa na quinta-feira, deverá passar pelo menos até ao final do mês – até estarem vacinadas todas as pessoas com mais de 60 anos – por avaliações semanais e não quinzenais da situação epidemiológica nos municípios. Ao fim de duas avaliações consecutivas com mais de 120 casos por 100 mil habitantes, poderá haver um recuo na abertura só que agora estas decisões passam a ser tomadas ao fim da segunda semana na mesma situação e não de um mês após a sinalização inicial, como aconteceu nas últimas semanas.

Na avaliação da semana passada, em que a maioria do país avançou para a última etapa do desconfinamento, ficaram de pré-aviso para esta semana os concelhos de Alijó, Alpiarça, Arganil, Batalha, Beja, Boticas, Cabeceiras de Baixo, Castelo de Paiva, Celorico de Basto, Cinfães, Coruche, Fafe, Figueiró dos Vinhos, Lagos, Lamego, Melgaço, Oliveira do Hospital, Paços de Ferreira, Penafiel, Peniche, Peso da Régua, Ponte da Barca, Póvoa de Lanhoso, Tábua, Tabuaço, Vidigueira, Vila Real de Santo António. Além destes concelhos, esta semana será reavaliada a situação nas freguesias de Odemira e nos concelhos de Portimão, Aljezur, Resende, Carregal do Sal, Paredes, Miranda do Douro e Valongo que se mantêm com regras mais apertadas, no caso de Portimão ainda com as regras da primeira etapa do desconfinamento, com esplanadas e lojas maiores fechadas.

No final do conselho de ministros de quinta-feira, António Costa admitiu que poderá haver alterações e, no caso dos 27 concelhos em alerta, recuos já no final desta semana.

Os concelhos com maior incidência Na reunião do Infarmed, os concelhos de Paredes, Paços de Ferreira e Penafiel foram sinalizados como aqueles que o suscitavam maior preocupação. Já na sexta-feira, a DGS divulgou os cálculos das incidências cumulativas a 14 dias por município que serviram de base às decisões do Governo. Dos 27 concelhos em pré-aviso, Cabeceiras de Basto é o município que registava na semana passada uma incidência cumulativa a 14 dias mais elevada (531 casos por 100 mil habitantes). Seguem-se Coruche e Tábua. A maioria destes 27 concelhos, alguns mais pequenos e onde são precisos menos casos para ser calculada uma incidência mais elevada, estavam na semana passada acima do limiar de 240 casos por 100 mil habitantes, sendo que os que estavam mais próximos da linha dos 120 casos por 100 mil habitantes – sendo à partida mais fácil sair do vermelho – eram Boticas, Ponte da Barca e Celorico de Basto.

Na área metropolitana de Lisboa, a incidência permanece mais baixa do que no Norte. Em Lisboa a incidência era na semana passada de 76 casos por 100 mil habitantes e tanto Sintra, como Amadora e Cascais estão perto dos 60 casos por 100 mil habitantes ao passo que os concelhos da área metropolitana do Porto sinalizados rondam os 150 casos por 100 mil habitantes a 14 dias – na semana passada era essa a situação em Valongo, que como já estava de pré-aviso não avançou para a última etapa do desconfinamento, mas também de Penafiel e de Paços de Ferreira, em risco de recuar.

António Costa anunciou que pediu à equipa de Óscar Felgueiras e Raquel Duarte uma proposta de critérios a usar quando a maioria da população com mais de 60 anos estiver vacinada contra a covid, o que é esperado no final deste mês. Nessa altura, poderão vir a ser revistas as atuais linhas vermelhas.

Perito defende cancelamento de voos com a Índia João Paulo Gomes, especialista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, afirmou este fim de semana que o país se encontra uma numa situação “ótima” e que se deve manter positivo, defendendo ainda assim mais medidas a nível europeu para travar a introdução de novas variantes, entre as quais a nova variante detetada em abril na Índia, que tem até ao momento seis casos confirmados em Portugal. “Enquanto houver países com uma disseminação descontrolada, todos os outros países, nos quais o controlo da situação já é inequívoco, devem ter muito cuidado no controlo de fronteiras, devendo precaverem-se quanto às introduções vindas dessas origens”, disse ao DN o perito que participa nas reuniões do Infarmed, considerando que o cancelamento de voos da Índia – como decretaram Reino Unido, Alemanha e Áustria – não seria uma discriminação negativa mas uma medida adequada. “Não devemos perigar esta nova fase”, defendeu. Na quinta-feira o primeiro-ministro anunciou que, tal como acontece com viajantes do Brasil e África do Sul, quem chegue a Portugal vindo da Índia é sujeito a uma quarentena obrigatória de 14 dias em isolamento mas os voos não foram suspensos.

 

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