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Fórmula 1. Ventos de mudança em Portimão

Fórmula 1. Ventos de mudança em Portimão

João Sena 29/04/2021 19:33

As fantásticas corridas no Bahrain e Itália mostraram que a F1 entrou numa fase de maior equilíbrio, com os endiabrados “touros vermelhos” a deixarem para trás as poderosas “Flechas de Prata”.

A temporada de 2021 pode ser definida como a da tempestade perfeita a favor da equipa austríaca. O congelamento do desenvolvimento dos carros, o teto orçamental limitado a 132 milhões de euros e a mudança no regulamento, que reduziu a eficácia aerodinâmica em 10 por cento, podem ter acabado com a supremacia alemã.

Tendo em conta o que se passou nas duas primeiras corridas do ano, a Mercedes mostra ter o melhor conjunto (carro, pilotos e engenheiros), só que a Red Bull responde com um carro mais equilibrado, logo mais rápido e fácil de conduzir. O rápido e exigente circuito de Portimão vai, seguramente, fazer a sua seleção.

O fator diferenciador pode estar nos pilotos. De Lewis Hamilton, com sete títulos em carteira, já sabemos o que esperar. Se Max Verstappen conseguir manter a cabeça no lugar o ano inteiro, então, o Mundial pode ser verdadeiramente emocionante.

A distância destas equipas para o segundo pelotão, onde aparece a McLaren e Ferrari, é menor este ano, sobretudo em qualificação, mas na corrida a conversa é outra, e com o passar das voltas a distância aumenta.

 

Como nasce um F1

Os atuais monolugares são extraordinárias criações automóvel. Fazer parte deste restrito universo implica budgets faraónicos, o que faz da F1 um dos desportos mais caros e proibitivos.

A conceção e construção de um carro demora 18 meses! Significa isso que os monolugares de 2021 começaram a ser pensados meses antes da apresentação dos carros de 2020. Cada equipa constrói quatro ou cinco carros por época.

São mais de 150 mil horas de trabalho, 19 mil desenhos feitos em computador (Computer Aided Design) e 15 mil peças fabricadas com a ajuda de supercomputadores (Computer Aided Manufacturing) até o carro estar pronto a ir para a pista. É um formidável desafio tecnológico, que se realiza dentro do maior secretismo.

O processo começa com a definição dos princípios e das orientações técnicas tendo presente três premissas: máxima velocidade, máxima aderência e máxima travagem.

Definido o conceito geral do carro e dada luz verde para a sua construção, segue-se a fase de desenho dos componentes mecânicos e não mecânicos, e o modo com vão ser integrados. Conseguir a melhor colocação dos elementos fixos (motor, caixa de velocidades, cockpit e depósito de gasolina) é fundamental ter uma estrutura sólida, que não penalize a dinâmica do chassis. Esta fase deve estar concluída 12 meses antes do início da época.

O passo seguinte cabe aos especialistas em aerodinâmica, que têm por missão conceber um carro que seja veloz em reta e estável em curva. Utilizam para o efeito o túnel de vento onde uma maqueta à escala (60 por cento) é testada a uma velocidade de 50 metros por segundo (180 km/h). Outra ferramenta informática importante é o estudo da dinâmica de fluídos (Computer Fluid Dynamics) que possibilita visualizar os fluxos de ar à volta da carroçaria. É uma espécie de túnel de vento virtual que ajuda os génios da aerodinâmica a resolver a equação.

Este quebra-cabeças nunca está resolvido, já que as evoluções são uma constante ao longo da época. O desejo de ganhar algumas décimas de segundo leva a que um carro nunca seja igual de uma corrida para outra.

Um grupo de engenheiros ocupa-se exclusivamente da conceção do chassis em carbono composto pela monocoque (célula de sobrevivência do piloto), suspensão e depósito, trabalho que pode durar cinco semanas.

O passo seguinte é o fabrico das peças e dos elementos que dão forma à carroçaria (asa dianteira e traseira, defletores, pontões e difusor), que depois passam pelo controlo de qualidade antes de serem montadas.

O carro deve estar pronto a fazer o crash test e ser homologado pela FIA três meses antes do início do mundial do ano seguinte.

 

Os loucos números da Fórmula 1

11,6 milhões de euros é o valor estimado dos atuais F1. A unidade motriz (motor térmico e sistema híbrido) é a joia da coroa avaliada em 9 milhões de euros.

- 85 por cento dos componentes de um monolugar são em carbono, material cinco vezes mais leve do que o aço e duas vezes mais resistente. Outros materiais leves e resistentes usados na construção são o alumínio, titânio e fibra de vidro.

- V6 1.6 turbo associado a dois motores elétricos desenvolve 1000 cv em qualificação, a um regime máximo de 18.000 rpm. Os grupos propulsores foram concebidos para trabalhar na potência máxima durante 4000 quilómetros.

- 378 km/h foi a velocidade máxima alcançada por Valtteri Botas (Williams) no Grande Prémio da Europa, em 2016. Igualmente esmagador é o poder de aceleração: 0-300 km/h em 10,6 s.

- 3 s e 150 metros é o que precisa um F1 para passar de 350 km/h para 80 km/h. Os travões de disco são em carbono, e só funcionam eficazmente quando atingem 500 graus. Essa é uma das razões por que não são usados nos carros de série (exceto superdesportivos), para além do preço.

- 1,8s é o pit stop mais rápido na história da F1. No Grande Prémio de Portugal do ano passado a Red Bull mudou os quatro pneus do carro de Alexander Albo nesse espaço de tempo.

- 46 milhões de euros é o que recebe o heptacampeão do Mundo, Sir Lewis Hamilton, por época. O seu grande rival Max Verstappen é o segundo mais bem pago com “escassos” 21 milhões de euros.

 

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