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José Cabrita Saraiva 28/04/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Sócrates na linha da frente do combate à corrupção

É estimulante quando aqui e ali aparecem umas opiniões discordantes de pessoas corajosas e livres que não se limitam a papaguear a cartilha socialista, como Francisco Assis ou Sérgio Sousa Pinto. Claro que manter a liberdade de pensar pela sua cabeça, num partido como o PS, tem um preço.

Enquanto o PSD faz às vezes lembrar um saco de gatos onde ninguém se entende (ultimamente menos, reconheça-se), o PS costuma ser um partido a uma só voz, disciplinado, e um pouco monocórdico, até. Por isso mesmo é estimulante quando aqui e ali aparecem umas opiniões discordantes de pessoas corajosas e livres que não se limitam a papaguear a cartilha socialista, como Francisco Assis ou Sérgio Sousa Pinto. Claro que manter a liberdade de pensar pela sua cabeça, num partido como o PS, tem um preço. Assis, por exemplo, é frequentemente considerado desleal, ou mesmo suspeito de conluio com o inimigo, por não subscrever tudo o que a liderança do PS defende. Sousa Pinto foi há poucos dias acusado por Paulo Pedroso de “legitimar o branqueamento” do Chega por participar numa conferência em que também vai falar André Ventura. E ontem o histórico João Cravinho foi alvo de um ataque profundamente deselegante por parte de Constança Urbano de Sousa, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, por ter dito uma evidência: que “a visão política de José Sócrates não era de combate à corrupção”. 

Se no âmbito do poder local a pequena corrupção é um tema recorrente, os recentes desenvolvimentos do processo Marquês voltaram a chamar a atenção para suspeitas graves de corrupção no coração do Partido Socialista, envolvendo os seus mais altos dirigentes.

Em resposta a Cravinho, Constança Urbano de Sousa disse que o PS esteve sempre na frente do combate à corrupção, o que dará vontade de rir a muito boa gente. Boas intenções talvez tenha havido, mas depois há o problema dos factos, dos figurões do PS atolados no lodo da corrupção que mancham profundamente a imagem do partido.

Os socialistas deviam por isso ser os primeiros a quererem aprovar legislação anticorrupção. Se não como forma de penitência, pelo menos para se “branquearem”, usando uma expressão cara a Paulo Pedroso. Já seria tarde, mas mais vale tarde que nunca.

 


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