20/6/21
 
 
Surtos. "O vírus não nasce na escola, é transportado para lá"

Surtos. "O vírus não nasce na escola, é transportado para lá"

Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas acredita que escolas são “lugares muito seguros”.

No dia em que foram registados 636 casos e quatro mortes por covid-19, a Escola Básica de Perafita, em Matosinhos, foi encerrada até ao final do mês. Não é caso único: são já várias as escolas por todo o país que se viram obrigadas a encerrar ou a colocar turmas e professores em isolamento devido a surtos.

“Estamos a cumprir as regras e os procedimentos que a Direção-Geral da Saúde (DGS) impõe às escolas. Estas nunca foram foco de propagação do vírus”, começa por realçar Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

“Percebemos também que houve uma mudança do paradigma em relação àquilo que acontece quando o teste à covid-19 de um aluno é positivo”, explicita o professor e diretor escolar, referindo-se à orientação de 12 de abril, partilhada por alguns agrupamentos escolares, que determina que, perante um caso positivo, a turma deve ficar preventivamente em casa e que deve ser promovida a testagem massiva das crianças e da comunidade escolar e também dos co-habitantes das crianças.

“A DGS envia para casa as turmas e os conselhos de turma. Dentro das escolas, controlamos os alunos, o problema é aquilo que acontece fora das mesmas”, esclarece, adiantando “que se constatam situações em esplanadas, aos fins de semana, em sociedade” e, por isso, o dirigente apela aos encarregados de educação que sejam “aliados das escolas, sobretudo nesta altura, fazendo ver aos educandos que têm de seguir as mesmas regras em todos os lugares”.

De acordo com a orientação anteriormente referida, nos estabelecimentos escolares e centros de atividades de tempos livres que tenham ou venham a ter um novo caso deve ser promovida a testagem massiva de toda a comunidade educativa, no prazo de 48 horas após o conhecimento do caso confirmado. “Cumprimos a nossa função, mas é de esperar que a sociedade também o faça. As escolas estão a ser lugares muito seguros”, garante, não esquecendo de realçar que ”é preciso que todos afinem pelo mesmo diapasão”.

É de lembrar que, em caso de surto, a autoridade de saúde deve solicitar a genotipagem das estirpes em causa. “O vírus não nasce na escola, é transportado para lá”, explica, frisando que “não há interesse nenhum em atirarmos a culpa uns aos outros, mas sim colaborar, fazer um esforço comum”.

“Que ninguém pense que, pelo facto de 100 mil professores e funcionários terem sido vacinados, a situação está resolvida”, alerta Filinto Lima, lembrando o pessoal docente que foi inoculado no fim de semana passado, e destacando que “não podemos baixar a guarda”.

Surto em Matosinhos Foi ontem encerrada a Escola Básica da Perafita, em Matosinhos, após terem sido confirmados 11 casos de infeção. A diretora da escola, Mariana Espogeira, avançou que os casos foram confirmados em alunos de sete turmas diferentes e que, por isso, para quebrar “a cadeia de transmissão, foi novamente decidido pela Autoridade de Saúde de Matosinhos que todos os elementos da escola (alunos, docentes e não docentes) fossem colocados em isolamento profilático por 14 dias a contar desde o último dia presencial”. As previsões são de que a escola volte a abrir a 3 de maio.

Na nota partilhada pela escola é ainda referido que “toda a comunidade escolar, profissionais e alunos de 2º e 3º ciclos, têm de ficar em isolamento profilático obrigatório até ao dia 30 de abril”. Até lá é necessário “aguardar por nova testagem massiva e aderir em pleno para garantir um regresso seguro”.

 

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