19/5/21
 
 
Vítor Rainho 21/04/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Um gentleman chamado Guardiola

Pep Guardiola, treinador do Manchester City, um dos contemplados da Superliga, revelou uma vez mais porque é um homem diferente no mundo da bola

O anúncio da Superliga europeia de futebol, com 12 clubes fixos – ingleses, espanhóis e italianos – provocou um pequeno terramoto nos espíritos desportivos europeus. O povo saiu à rua, principalmente em Inglaterra, e fez saber que esta liga de clubes riquinhos não terá o seu apoio. E é curioso que tenham sido os adeptos ingleses a manifestarem-se contra, atendendo a que Inglaterra seria um dos países com mais clubes. Mas lá, pelos vistos, o que conta é a verdade desportiva e não tanto os interesses económicos de alguns clubes. Pep Guardiola, treinador do Manchester City, um dos contemplados da Superliga, revelou uma vez mais porque é um homem diferente no mundo da bola, manifestando-se contra a nova prova: “Não é desporto quando o sucesso está garantido e não importa se perdes, quando não há relação entre esforço e sucesso. Apoio o meu clube, faço parte do clube, mas também tenho uma opinião e quero ter mais informação”. O contraste com os treinadores do Real Madrid e da Juventus é enorme, pois estes optaram por não dar a sua posição, temendo a reação dos seus presidentes. Vários chefes de Governo manifestaram-se contra e disseram que tudo farão para que tal competição não vá para a frente. Mas a ideia dos clubes fundadores é muito clara. Com a pandemia perderam as receitas de bilheteira e querem ir buscar esse dinheiro a algum lado. Nada melhor do que arranjar um campeonato para vender ao Oriente por quantias chorudas. Com o barulho criado pelos protestos, é natural que a Superliga seja adiada, embora clubes como o Barcelona, que está à beira da bancarrota, devam exigir à UEFA muito mais dinheiro pela participação nas competições tuteladas pelo organismo máximo europeu. É dos livros. Acredito, no entanto, que a criação da Superliga será inevitável, pois o modelo da NBA é muito atrativo para os clubes ricos europeus. O romantismo do desporto está cada vez a desaparecer mais e só os adeptos poderão inverter tais intenções, pois os governos não terão grande moral para impedir clubes privados de fazerem uma liga só deles. E, claro, os restantes clubes desses países. Se recusarem jogar num campeonato onde esses entrem, o que farão os 12 magníficos?


Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×