12/5/21
 
 
Afonso de Melo 20/04/2021
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

Mourinho e Jesus? Troquem-nos!

Há momentos da nossa vida em que ficamos como o menino enfermiço do conto de António Botto. Não podendo levantar-se da cama, todos os dias perguntava à criada que lhe abria os cortinados da janela: “Diz-me ama, ainda há mundo?” Deve haver mundo em todo o universo para quem acaba de receber 30 milhões de libras, da Papua Nova Guiné ao sopé das Montanhas do Pamir, mas o mundo de José Mourinho é o mundo do futebol e ele, que subiu ao cume do Evereste, provavelmente perguntar-se-á em que novo mundo vai passar a viver. Serão muitos a bater-lhe à porta, mas José parece ter prometido a si próprio não treinar equipas sem ambição. E as equipas com verdadeiras ambições reduzem-se a quatro ou cinco e estão bem servidas. Não deixa de ser curioso que os dois melhores treinadores do futebol português, ao lermos a opinião da maioria dos jornalistas deste país que, segundo o divino Eça, não passa de um fétida lesma espapaçada à beira do Atlântico sob o nome desacreditado de Portugal, mostrem sinais de degradação, tanto no seu trabalho técnico como na sua capacidade de impor a superação aos seus jogadores... Tal como Mourinho, Jorge Jesus é a mais absoluta das desilusões da época, arrastando-se no campeonato muito, muito longe da Liga dos Campeões, eliminado de todas as provas menos da Taça de Portugal, comandando um conjunto que se arrasta em campo sem ideias e multiplicando erros atrás de erros, alguns tão insistentes que toda a gente já os conhece de cor. Chegámos ao fim de dois mitos, embora o palmarés de Mourinho não seja comparável com o de Jesus. Ambos revelam-se ultrapassados, nos métodos e nos discursos; ambos perderam a capacidade férrea da liderança; ambos deixaram de ter a confiança cega dos seus jogadores; ambos deixaram de ser queridos pelos adeptos. Benfica e Tottenham podiam trocá-los. Ninguém daria por isso...


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