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Vítor Rainho 16/04/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Brindar a Ivo Rosa

José Sócrates não tem emenda e nunca irá mudar. O melhor exemplo foi dado na entrevista à TVI, onde começou mais ou menos de uma forma cordial, acabando por perder a cabeça, revelando a sua essência de animal feroz.

Todos têm direito a defender-se e acho muito bem que o canal televisivo o tenha convidado para dar a sua versão dos factos. Acontece que Sócrates construiu uma narrativa da qual acredita absolutamente, sendo, na sua cabeça, tudo o que diz verdade. Mas começa a ser confrangedor assistir às verdades do mitómano e faz pena. Um homem que foi idolatrado por tantos está completamente desacreditado, apesar de ter ainda alguns lunáticos que o defendem, até para atacarem o Ministério Público. Ora, se o MP não é uma vaca sagrada, também não é crível que exista para perseguir inocentes.

Mas se olharmos para o que algumas avantesmas disseram esta semana, chegamos à conclusão de que a Operação Marquês foi um delírio do MP e que não houve milhões de euros a circularem de uma conta para a outra, sem qualquer motivo aparente que não o suborno. Calculo que o juiz Ivo Rosa também tenha chegado a essa conclusão, apesar de haver testemunhos de intervenientes que provam a corrupção. Apesar do juiz de instrução ter despronunciado muitos dos crimes, defendendo que muitos dos arguidos não respondam em tribunal, alguém acredita que os mais de 34 milhões de euros da Operação Marquês eram dinheiro para causas nobres? E quanto aos arguidos que não terão de responder em tribunal, para já, deram uma excelente lição ao antigo primeiro-ministro: ficaram calados e esperam pelo final da história para se pronunciarem. Mas isso Sócrates nunca conseguirá, pois a sua sede de vingança e de voltar ao palco mediático é mais forte do que ele. Por isso, faz lembrar aqueles maluquinhos que começam aos gritos na rua e de quem todos se afastam.

Até aquela história de sair do tribunal e ir para uma esplanada é completamente ridícula. Por que razão não foi para casa de alguém e no recato das paredes bebia e fazia o que bem lhe apetecia para brindar ao juiz Ivo Rosa? 


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