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Índia. A água que lava os pecados não afasta o vírus

Índia. A água que lava os pecados não afasta o vírus

Jornal i 13/04/2021 14:26

Milhares dirigiram-se ao rio Ganges, sem respeitar medidas de segurança, para participar num festival religioso.

Apesar de se ter tornado o segundo país mais afetado pela pandemia de covid-19, ultrapassando o Brasil depois de registar um valor máximo de cerca de 168 mil novas contaminações nas últimas 24 horas, estes números assustadores não afastaram centenas de milhares de devotos de se deslocarem até ao rio Ganges para realizarem um banho ritual nas suas margens.

“A multidão está a aumentar”, alertou o oficial da polícia Sanjay Gunjyal à agência de notícias.

“As autoridades insistem para que as pessoas mantenham uma distância de segurança”, no entanto, sem efeito, na manhã de segunda-feira, pelo menos um milhão de pessoas já tinham mergulhado nas águas deste rio para expurgarem os seus pecados durante o festival hindu conhecido como Khumba Mela.

Esta reunião, onde se registam infrações no distanciamento de segurança e na utilização de equipamento de segurança pessoal, está a gerar preocupações entre especialistas de saúde, que acreditam que nos próximos dois meses, indicam dados da Universidade Johns Hopkins, nomeadamente com o aproximar de grandes eventos religiosos e das eleições que irão decorrer ao longo do mês neste país, o número de infetados possa duplicar.

Esta segunda vaga na Índia acontece depois de uma queda de casos entre janeiro e fevereiro – “quase toda a gente se esqueceu que existia o coronavírus”, disse o chefe da justiça indiano, Vikram Nath – que provocou uma “complacência” entre a população.

“Todo o país tem sido complacente – temos autorizado reuniões sociais, religiosas e políticas”, disse à France Presse Rajib Sasqupta, professor na Universidade de Medicina de Jawaharlal Nehru.

“Com cerca de 1,2 milhões de casos ativos e as infeções diárias a chegar aos 200 mil casos, é bizarro que existam comícios e um Kumbh Mela completo”, escreveu o comentador político Shekhar Gupta no Twitter.

Desde o início da pandemia, a Índia soma mais de 13,5 milhões de infetados e ultrapassa as 170 mil mortes.

O governo federal indiano está a evitar ao máximo aplicar um novo confinamento geral com receio de colapsar a já devastada economia. No entanto, diversas autoridades regionais já declararam restrições.

O estado de Maharashtra, o principal foco de contaminação, impôs na semana passada um confinamento durante os fins de semana, o recolher obrigatório noturno e o encerramento dos restaurantes.

“As pessoas não ouvem e ninguém respeita as regras nos restaurantes [...], quando pedimos aos clientes para usarem as máscaras eles são mal educados”, disse Rohit, 28 anos, empregado de mesa num restaurante de Bombaim, capital deste estado, cujo governo alertou que, caso o número de infetados continue a crescer, poderá ser imposto um confinamento geral.

 

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