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Marta Temido: "Não queremos perder mais vidas inutilmente"

Marta Temido: "Não queremos perder mais vidas inutilmente"

Jornal i 13/04/2021 13:58

A ministra da Saúde não adiantou cenários, mas sublinhou que a estratégia de reabertura do país era gradual, progressiva e lenta, e admite paragens e avanços.

No final da reunião do Infarmed, Marta Temido remeteu as decisões sobre a terceira etapa do desconfinamento para o conselho de ministros da próxima quinta-feira. "Estes dias são decisivos para que se consolidem tendências num sentido ou num outro". A ministra da Saúde não adiantou cenários, mas sublinhou que a estratégia de reabertura do país era gradual, progressiva e lenta, e admite paragens e avanços. Marta Temido mantém que a "pedra de toque" da estratégia do Governo em relação à pandemia é haver medidas proporcionais, adequadas ao evoluir da situação. Marta Temido falou da necessidade de equilibrar o avanço da vacinação com ganhar tempo para que tal ocorra. "Não queremos perder mais vidas inutilmente", disse também nas habituais declarações após o encontro no Infarmed.

Do que foi dito na reunião, Marta Temido destacou como conclusões dos peritos a confirmação de que o país está numa nova situação epidemiológica com tendência para subida de casos, com RT superior a 1 mas ainda assim uma incidência moderada, de 68,5 casos por 100 mil habitantes a 14 dias no continente, 71,5 casos por 100 mil habitantes quando se tem em conta regiões autónomas. "Tomando como base estes elementos, os peritos estimam que num período de duas a quatro semanas estejamos a atingir uma incidência de 120 casos por 100 mil habitantes a nível nacional e num período de um a dois meses, 240 casos por 100 mil habitantes. Estes prazos dependem do ritmo de crescimento se manter constante. Um ritmo superior ou inferior levará a calendários mais alargados ou reduzidos", disse a ministra da Saúde, salientando depois outros aspectos referidos na reunião como o aumento dos casos entre os 0 e os 9 anos de idade mas também o efeito protetor da vacina nos mais velhos.

Um dos pontos também destacado por Marta Temido foi o cálculo apresentado pelo coordenador da task-force e vacinação de que os maiores de 60, que se espera vacinar com a primeira até ao final de maio e início de junho, representaram 96% da mortalidade na pandemia, o que se espera prevenir. Um dado que no entanto não foi apresentado pelos especialistas de saúde pública, que fizeram para já um estudo que estima que com o atual nível de incidência a vacinação terá prevenido 78 a 140 mortes.

Sobre o impacto das escolas na progressão da pandemia, um dos tópicos que tem dividido especialistas, a ministra aludiu ao facto de o tema ter sido suscitado também na parte de debate, à porta fechada. "O número de casos encontrados em ambiente escolar quer em comunidade escolar é bastante reduzido", disse Marta Temido, invocando as campanhas que estão a existir de testagem tanto de professores como de alunos, a vacinação na comunidade escolar e monitorização mais apertada. A ministra admitiu que a realidade de infeções nas escolas pode ter passado despercebida nos últimos meses, mas agora é mais evidente e seguida com atenção, considerando positivos os resultados das campanhas de testagem: "Menos de 200 casos em mais de 200 mil testes realizados à comunidade de alunos e 180 casos em 200 mil testes à comunidade docente".

Marta Temido reiterou que a vacinação é a resposta mais efetiva à pandemia no médio prazo. Questionado sobre as notícias que chegam dos EUA, onde a FDA acaba de recomendar a suspensão da vacina da Janssen que Portugal recebe também esta semana, também por suspeita de relação com coágulos sanguíneos, Marta Temido disse que a informação chegou durante a reunião e que Portugal aguardará informação das entidades competentes. "Essa vacina ainda não foi iniciada no território da União Europeia. Os efeitos adversos estão descritos, mas num balanço risco/benefício tem de ser considerados com aquilo que representa de vantagens face a eventuais riscos. Temos de confiar nas entidades reguladores para continuarem a identificar casos e a comunicarem-nos com transparência", reagiu a ministra da Saúde.

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