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EUA. Não há paz em Minneapolis

EUA. Não há paz em Minneapolis

AFP Hugo Geada 13/04/2021 12:23

A morte de um afroamericano nos arredores de Minneapolis, onde foi assassinado George Floyd, motivou protestos contra a violência policial.

Minneapolis, nos EUA, está outra vez de luto. Depois de ter passado pelo trauma da morte de George Floyd, no verão, que motivou protestos contra o racismo em todo o planeta, Daunte Wright, um jovem negro de 20 anos, foi morto por um polícia numa operação stop.

Cada vez mais fartos de injustiça e brutalidade policial, centenas de manifestantes juntaram-se em protesto, em frente a um posto de Brooklyn Center, o município da área metropolitana de Minneapolis onde Wright foi abatido a tiro. E os ânimos rapidamente se exaltaram.

Os protestos começaram pacíficos, com manifestantes a escrever mensagens como “justiça para Daunte Wright” no pavimento, ou acendendo velas em memória ao falecido. Contudo, subitamente, manifestantes furiosos apedrejaram polícias e outros saltaram sobre carros patrulha, enquanto os agentes disparavam gás lacrimogéneo e granadas atordoantes.

Face aos distúrbios, foi declarado esta segunda-feira um recolher obrigatório em Minneapolis, a partir da meia-noite, tendo sido encerradas todas as escolas. A cidade já estava sob tensão, por ser palco do julgamento de Derek Chauvin, o polícia acusado do homicídio de George Floyd. O governador do estado do Minnesota, Tim Walz, face à morte de Daunte, lamentou “outra vida de um homem negro levada pela polícia” e garantiu estar a “monitorizar a situação”.

Purificadores de ar

Daunte Wright terá sido mandado parar este sábado, por ter um purificador de ar pendurado no espelho retrovisor, uma infração no estado de Minnesota, contou a mãe do jovem, Katie Wright, que ouviu os disparos através do telemóvel. “Ouvi os polícias a dizer: ‘Daunte, não fujas’”. A linha cairia uns segundos depois.

“Minutos mais tarde, voltei a ligar e foi a sua namorada, que ia no lugar do passageiro, que atendeu”, revelou a mãe da vítima. “Disse-me que ele tinha sido alvejado e que o tinha colocado no lugar do condutor. O meu filho estava deitado sem vida”, recordou Wright, emocionada, perante as câmaras da KARN, um canal local.

A polícia de Brooklyn Center confirmou, em comunicado, que mandou parar o jovem por uma infração de trânsito, mas viria a descobrir que o mesmo tinha uma ordem de prisão. Quando o tentaram prender, Daunte terá tentado fugir, o que levou um dos agentes a disparar.

As autoridades revelam também que o jovem ainda conseguiu conduzir durante uns momentos, mas embateu contra um automóvel. A passageira do veículo ficou ferida, mas sem gravidade. Deste confronto, um polícia também teve de ser hospitalizado.

“Temos grande preocupações com o facto de os polícias usarem purificadores de ar pendurados no retrovisor como desculpa para mandar parar um veículo, algo que a polícia faz demasiadas vezes para atingir homens negros”, pode ler-se no comunicado divulgado pela União Americana pelas Liberdades Civis de Minnesota. O grupo apelou a uma investigação “transparente e independente” à polícia de Brooklyn Center, pedindo que todos os agentes partilhem as gravações dos seus equipamentos, assim como o nome de todos os envolvidos neste caso.

 

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