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Real-Liverpool. Dois reis sem coragem no Parque dos Príncipes...

Real-Liverpool. Dois reis sem coragem no Parque dos Príncipes...

Afonso de Melo 06/04/2021 21:10

O primeiro confronto entre os dois gigantes espanhol e inglês deu-se há 40 anos na final da Taça dos Campeões - jogo pobre decidido por Allan Kennedy (1-0).

Podemos chamar-lhes velhos conhecidos mas não, propriamente, companheiros de estrada. Também podemos reconhecer a ambos a realeza que o Madrid tem no nome e que o Liverpool tem na estirpe. Hoje à noite reencontram-se. Quase 40 anos após a primeira vez, essa no dia 27 de maio de 1981, no Parque dos Príncipes, em Paris, para a final da Taça dos Campeões Europeus. Claro que não deixa de ser curioso que duas equipas desta envergadura, useiras e vezeiras em presenças nas provas da UEFA, se tenham defrontado apenas seis vezes. Apesar de tudo, duas delas foram em finais da maior prova de clube da Europa: depois da derrota de Paris, o Real Madrid teve de esperar até 2018 para uma vingança definitiva, batendo os ingleses no Estádio Olímpico de Kiev por 3-1, com o guarda-redes dos reds de Merseyside, Loris Karius, a realizar uma das mais grotescas exibições vistas em toda a história do futebol.

Pelo caminho, mais quatro jogos, estes divididos em dois confrontos e com um equilíbrio fascinante dentro do desequilíbrio que cada qual representou. Em 25 de fevereiro de 2009, o Liverpool foi a Madrid vencer por 1-0, repetindo a vitória em Anfield, desta vez por 4-0. Uma sova valente! Em 22 de outubro de 2014, o Real foi a Anfield fazer algo que só os grandes são capazes: bater indiscutivelmente os homens da casa por 3-0. Em seguida, no Santiago Bernabéu, foi um pró-forma: 1-0. Tudo contas muito ajustadas, como se vê, até mesmo a de um triunfo no jogo decisivo para cada.

Um estranho Kennedy. Muito bem, hoje teremos um Real-Liverpool e no dia 14 de abril um Liverpool-Real para decidir quem estará presente nas meias-finais. Há quarenta anos, no primeiro confronto oficial entre os dois mostrengos, tudo também foi muito equilibrado, muito jogado taco-a-taco, mas francamente aborrecido para quem se deslocou ao Parque dos Príncipes (cerca de 48 mil espetadores) ou assistiu a tudo através da maravilhosa pantalha que nos faz entrar pela sala dentro todos os espetáculos que decorrem pelas sete partidas do mundo. O Liverpool tinha sido campeão europeu em 1976-77 e 1977-78, interrompendo a primazia do Bayern, fora substituído pelo Nottingham Forest em 1978-79 e 1979-80, regressando de novo à final. Já o Real desesperava por reaparecer: desde a vitória face ao Partizan de Belgrado (2-1 no Heysel, em Bruxelas), conquistando aí o seu sexto título europeu, que não punha os pés na final. O favoritismo dos ingleses era total, com a força do seu conjunto apoiada em Kenny Dalglish, Terry McDermott, Sammy Lee, Graemme Souness e Ray Kennedy. Por seu lado, a grande estrela dos espanhóis era um inglês, Laurie Cunningham, um avançado que chegara do Queen’s Park Rangers mas nunca conseguiu segurar-se no Real que contava, igualmente, com José Antonio Camacho, Vicente del Bosque, o alemão Stielike, Juanito e o terrível cabeceador Santillana. 

O medo amarrou os dois treinadores, Vujadin Boskov (Real) e Bob Paisley (Liverpool). No Parque dos Príncipes lutavam dois reis sem coragem, procurando golpear o adversário em momentos de oportunos desequilíbrios. E, assim, aos 82 minutos, o outro Kennedy, Allan, como bom defesa esquerdo foi correndo pelo espaço que se abria à sua frente até se deparar na frente de Agustín e colocar a bola na baliza, fazendo-a passar entre ele e o poste. O Liverpool recuperava a coroa. OReal teria de esperar por 1998 para atingir nova final. Dessa vez venceu a Juventus por 1-0. Era La Sétima!

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