13/4/21
 
 
José Cabrita Saraiva 05/04/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Os "idiotas" da máscara e os outros

Mas, ou muito me engano, ou é precisamente por causa de quem não cumpre as regras básicas que andamos todos confinados e sujeitos a uma vigilância apertada. Não é por causa dos “idiotas” que usam máscara ao ar livre que se impuseram regras apertadas, é por causa dos “espertos” que se recusam a usar.

Estava eu já perto do fim da minha caminhada quando um senhor que ali passava, aparentemente equipado para fazer exercício, comenta entre dentes: “Que palhaçada!”. Não percebi a que se referia, nem liguei muito.

Um pouco mais adiante, voltamos a cruzar-nos, e ele continua a falar para o ar: “Agora há aí uns seres que respiram dióxido de carbono. Uma nova espécie”. Juntando dois e dois percebi que se referia aos utilizadores de máscaras – como eu. E, para que não subsistissem dúvidas sobre o que ele pensava acerca de tais mamíferos, rematou alto e bom som: “Os idiotas”.

Isto passou-se numa zona aberta, próxima da praia, muito arborizada. Nesta época do ano, a infusão de aromas florais que pairam no ar é um autêntico bálsamo. Nisso o senhor tinha razão: é quase um crime usar máscara naquelas circunstâncias. Porém, por respeito aos outros, e em especial aos mais velhos, achei que devia pôr a máscara sempre que me cruzava com alguém no caminho. E, pelo que vi, a esmagadora maioria das pessoas que foram passear naquela tarde pensava da mesma maneira.

Muitas vezes, ao longo do confinamento que agora começa a aliviar, me interroguei se o Governo não estaria a exagerar no rigor das medidas. Afinal de contas, sentimos que os portugueses estão a ser tratados como aquelas crianças que têm de ser trancadas no quarto para não fazerem disparates, e não como adultos responsáveis. Seria mesmo preciso impor tantas regras e tão restritas, ao ponto de muitos estarem quase num ponto de sufoco? Em princípio diria que não.

Mas depois vejo estes casos, de pessoas que acham tudo “uma palhaçada”. Suponho que, para eles, seja um exagero esta obsessão com as máscaras, os repetidos esfregar de mãos com álcool gel, os estabelecimentos encerrados, as mil e uma proibições. E até posso concordar.

Mas, ou muito me engano, ou é precisamente por causa de quem não cumpre as regras básicas que andamos todos confinados e sujeitos a uma vigilância apertada. Não é por causa dos “idiotas” que usam máscara ao ar livre que se impuseram regras apertadas, é por causa dos “espertos” que se recusam a usar.


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