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Luís Newton 25/03/2021
Luís Newton

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Ninguém pode ficar para trás

E também esses [cães e gatos], pela dignidade que merecem e pelo enorme contributo que dão no apoio aos idosos e menos idosas, em especial os que estão mais fragilizados, têm de ser apoiados.

Uma cidade constrói-se todos os dias, nos pequenos gestos, na necessidade constante do aperfeiçoamento de respostas àqueles que a constituem e a vivem.

A pandemia trouxe profundas alterações às nossas dinâmicas comunitárias, testou os limites do nosso SNS e demonstrou as suas enormes fragilidades.

A maior dessas fragilidades não foi tanto a falta de resposta para o internamento, mas a incapacidade de manter serviços de saúde a casos não covid.

Isto traduziu-se no enorme número de consultas que ficaram por fazer nos hospitais e centros de saúde. Até novembro de 2020 estavam contabilizadas mais de um milhão de consultas adiadas.

Alguns centros de saúde procuraram compensar com teleconsultas, porém estavam a trabalhar no limite da capacidade tecnológica e humana. Porque há um limite para a quantidade de atendimentos que cada médico de um centro de saúde consegue assegurar.

Outra constatação foi a de que os mais vulneráveis eram os nossos “avós”. Uma geração que não chegou a aderir à transformação digital e que se viu confinada e isolada, onde os mais fragilizados financeiramente, mais vulneráveis ficaram.

E para os apoiar estou certo de que várias autarquias têm procurado lançar respostas adequadas. O desafio é constante.

Enquanto autarcas somos confrontados com a ansiedade, a frustração e o apelo das comunidades que servimos. Muitas vezes esse confronto vem em forma de duro choque com uma nova realidade.

Na Estrela, esta realidade confrontou-nos com a necessidade de implementarmos um planeamento descentralizado, envolvendo a população e as nossas IPSS locais, reforçando mecanismos de oferta e assegurando um alargamento da resposta.

Desde logo procurando romper o isolamento social e tecnológico, criando redes de apoio mútuo e aproveitando a janela do desconfinamento de meados do ano passado para reforçar a formação digital. E que útil que esta tem sido com o novo confinamento.

Foi assim que nasceu o SOS Estrela, totalmente focado em assegurar respostas à distância de um telefonema, acabando por apoiar na atualização de milhares de contactos para que se pudesse efetivar a chamada para a vacinação na nossa Freguesia.

Porém, os desafios não pararam e igualmente importante foi pensar num programa de assistência médica e seguro de saúde, para aqueles que não têm capacidade financeira para o contratar, assegurando consultas à distância que irão garantir um adequado acompanhamento médico e permitir retirar a sobrecarga dos centros de saúde.

E assim vai nascer o Estrela Cuida, um programa centrado em permitir mais acompanhamento médico a quem menos recursos tem e geralmente mais precisa. Estou convencido que, desta forma, poderemos continuar a reforçar a capacidade de resposta do SNS.

Mas foi no contacto com a nossa comunidade mais frágil que compreendemos também que muitos têm como única companhia o seu fiel companheiro de quatro patas, cães e gatos que ajudam a manter a sua estabilidade emocional.

E também esses, pela dignidade que merecem e pelo enorme contributo que dão no apoio aos idosos e menos idosas, em especial os que estão mais fragilizados, têm de ser apoiados.

É por isso que iremos lançar o programa Estrelas de Quatro Patas, reconhecendo que aqueles companheiros peludos contribuem para o bem-estar emocional dos seus tutores, oferecendo consulta veterinária e isenção das taxas de registo na Junta, porque sabemos que, infelizmente, nem todos têm a capacidade socioeconómica para lhes devolver o carinho que recebem.

Não são competências de uma Junta de Freguesia, mas são necessidades que identificámos numa comunidade que, hoje mais do que nunca, não pode deixar ninguém ficar para trás e está em evolução todos os dias.

 

Presidente da concelhia do PSD/Lisboa e presidente da Junta de Freguesia da Estrela

 


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