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Braga-Benfica. A grande rebelião dos operários do Minho!

Braga-Benfica. A grande rebelião dos operários do Minho!

Afonso de Melo 19/03/2021 23:05

Primeira deslocação do Benfica a Braga para o campeonato nacional - fevereiro de 1948. Perante a surpresa geral os minhotos arrancaram um empate (1-1).

Foi uma surpresa. O primeiro Braga-Benfica de sempre a contar para o Campeonato Nacional. Dia 22 de fevereiro de 1948, primeira jornada da segunda volta. Curiosamente, coubera ao Braga ir ao Campo Grande no seu jogo de estreia na divisão principal e perdera, sem apelo nem agravo, por 1-6. Os minhotos regressaram a casa abatidos, mas não acabrunhados. Prometeram a si próprios que da próxima vez que defrontassem os encarnados as coisas seriam bem diferentes. E foram.

O Campo da Ponte encheu-se com uma multidão entusiástica. A primeira receção ao Benfica ficaria marcada na história do futebol português e ninguém queria perder pitada do embate. E os jogadores da casa lançaram-se sobre os adversários como gato a bofe, destacando-se a pertinácia de Nelito, Elói e Diamantino que cedo obrigaram o guarda-redes Pinto Machado a defesas magníficas. O Benfica, estonteado, procurou aguentar o arremedo contrário sem grandes prejuízos. O enorme Francisco Ferreira erguia-se por entre companheiros e opositores como uma torre de firmeza. Os movimentos foram-se equilibrando com o decorrer dos minutos. Conscientes da sua superioridade técnica e organizativa, os lisboetas moveram as suas pedras centrais como se estivessem a lutar pelo meio do tabuleiro num jogo de xadrez. O húngaro Lippo Hertzka, comandante da nave encarnada, agarrava-se ao leme para lhe manter o rumo. Mas, de repente, a dez minutos do intervalo, uma brecha abriu-se no casco. Mário aproveitou para se isolar frente a Pinto Machado, depois de ter deixado para trás Félix e Fernandes, resistiu a rematar de pronto e entregou a bola ao seu companheiro Diamantino que tinha a baliza completamente deserta em frente dos olhos. Um-a-zero. É fácil imaginar a alegria que percorreu os lugares destinados aos adeptos bracarenses. Um urro uníssono de golo, abraços e palmadas nas costas uns dos outros, afinal talvez fosse mesmo possível vencer um dos candidatos ao título.

A exceção. Esse campeonato de 1947-48, o primeiro que contou com o Braga na I Divisão, ficou marcado, no que aos minhotos diz respeito, por uma série de maus resultados no Campo da Ponte: Sporting, 1-3; Belenenses, 2-3; FC Porto, 0-3; Atlético, 1-3, por exemplo... Não havia motivo para grandes otimismos nessa receção ao Benfica, mas as coisas não podiam estar a correr melhor quando o árbitro Domingos Miranda, do Porto, apitou para o intervalo.

Apostados em não deixarem que o Benfica tomasse conta dos acontecimentos, os minhotos entraram para a segunda parte com uma energia renovada. Deslocaram o centro das decisões para o meio-campo do opositor e obrigaram-no a manter-se longe da baliza de Salvador. Félix lesionou-se e o Benfica ficou por momentos reduzido a dez homens. A reentrada de Félix, cinco minutos mais tarde, pareceu rejuvenescer a esperança encarnada. Aproveitando-se de uma natural quebra contrária, o Benfica inverteu as posições. Daí para diante seriam os homens da capital a mandar no jogo e a controlarem as operações. O Braga, surpreendido, abana. Foi o suficiente. Victor Baptista recebe um passe bem medido de Melão e marca o golo do empate a dez minutos do final do encontro. Se o público perspetivava que esse golo iria atirar as águias para o domínio completo do que se passava em campo, enganou-se redondamente. Seria o Braga, isso sim, a criar as melhores e mais perigosas oportunidades.

O povo e Braga abandonou o campo com a sensação de que o seu time poderia ter vencido e de que a vitória seria justa. Mas o futebol não se compadece com simples vontades. Apesar de tudo, a vingança da derrota na Luz fora cumprida. Pequena vingança, mas vingança...

 

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