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Crime. A fortuna dos atletas é um chamariz para os assaltantes

Crime. A fortuna dos atletas é um chamariz para os assaltantes

José Miguel Pires 17/03/2021 14:31

As casas de Ángel di María e Marquinhos foram assaltadas enquanto jogavam frente ao Nantes. Estes casos não são, no entanto, inéditos no mundo desportivo.

A história é comum aos atletas com contratos milionários, que exibem muitas vezes as suas luxuosas vidas nas redes sociais, e cujo paradeiro não é difícil de calcular. O modus operandi é quase sempre o mesmo: escolhe-se uma noite em que o atleta esteja fora de casa, provavelmente em campo a representar o seu clube ou a sua seleção, e assalta-se a casa, que pode ou não ter familiares dentro, e cujos sistemas de segurança, muitas vezes com seguranças fortemente armados e alta tecnologia, parecem não ser o suficiente para proteger as suas famílias e os seus objetos pessoais, que muitas vezes atingem valores astronómicos.

Há quem diga que os raios não caem duas vezes no mesmo lugar, mas a mesma política não se parece aplicar aos assaltos às casas dos atletas das grandes ligas, e um exemplo é o de Ángel di María, o antigo jogador do SL Benfica, cuja casa foi assaltada no passado domingo, num estilo de déjà vu dos acontecimentos de 2015, em que o argentino foi também vítima de uma tentativa de assalto, que acabou por não ter sucesso, mas que foi o suficiente para o fazer vender a casa e deixar Inglaterra de vez. A mudança para o PSG, no entanto, fica manchada por mais um episódio traumático na sua vida, que não será fácil de digerir para o internacional argentino.

Di María encontrava-se, neste domingo, em campo a lutar pelo emblema do Paris Saint-Germain frente ao Nantes quando, sem razão aparente, foi retirado do jogo por Mauricio Pochettino.

Ao intervalo, uma certa tensão já invadia a equipa, e os dirigentes do clube mostravam saber algo que Di María ainda não sabia. Chegado o momento da substituição, no entanto, tudo foi esclarecido ao argentino, que percebeu então que a substituição não era estratégica, mas sim para o avisar que a sua casa, na região de Neuilly-sur-Seine, tinha sido assaltada. A notícia foi avançada pelo jornal Le Parisien, que informou ainda que, durante o assalto, estavam na propriedade a mulher e as duas filhas de Di María, que não sofreram qualquer agressão, saindo ilesas do incidente. As lágrimas correram pela face do argentino, que se apressou a regressar a casa, de forma a estar com a sua família e poder avaliar os danos causados.

Na mesma noite, de alguma forma ofuscado pelo mediatismo de Di María, também a casa dos pais de Marquinhos, internacional brasileiro e capitão do PSG, foi vítima de um assalto domiciliário, apesar de não ter sido retirado de campo, só sendo informado no fim da partida.

Ao contrário do caso de Di María, no entanto, o incidente com Marquinhos envolveu alguma violência. O seu pai, estando na zona exterior para alimentar os cães, terá sido abordado por dois indivíduos que o agrediram e o empurraram para dentro da casa, que se encontra localizada na mesma zona que a residência de Di María. Já no domicílio, o pai do capitão do emblema parisiense foi sequestrado numa pequena divisão, junto de duas irmãs do jogador, de apenas 13 e 16 anos, onde ficaram durante o assalto. Segundo avança a imprensa francesa, foram roubadas três malas de luxo, objetos de valor, joias e 2 mil euros em dinheiro.

A Procuradoria francesa abriu já uma investigação sobre os casos, que não são os primeiros, neste ano, relacionados com jogadores do Paris Saint-Germain que vivem na mesma região. Mauro Icardi e Sérgio Ricco, por exemplo, viram também as suas residências assaltadas, em janeiro deste ano.

 

Gato escaldado tem medo de água fria

Se já em 2015 o assalto à residência de Di María tinha espoletado no jogador a vontade de abandonar a casa, e até o país, em 2021, este novo incidente poderá fazer o argentino mudar novamente de vida, ou pelo menos procurar uma maior segurança no seu domicílio. Além da investigação aberta pelas autoridades francesas, o clube parisiense comprometeu-se a garantir a tranquilidade na casa de Di María, passando a ter seguranças a rondar a propriedade, tal como, aliás, vai acontecer com os restantes jogadores do plantel, por ordens da direção do clube. Segundo informações avançadas pelo jornal L’Équipe, além do reforço de medidas, como sistemas fechados de videovigilância, o clube pretende colocar seguranças à porta das residências dos jogadores durante 24 horas por dia. Naturalmente, no entanto, estas medidas são um acréscimo às já implantadas pelos atletas.

 

Uma história sem fim à vista

Os desportistas de calibre internacional são figuras com altos índices de popularidade, muitas vezes associados a contratos milionários e vidas luxuosas, expostas publicamente através das redes sociais e dos meios de comunicação. Esta realidade serve como forte chamariz para o mundo da criminalidade, com grandes certezas de que, caso venham a ter como alvo o domicílio de um destes atletas, encontrarão artigos de alto valor. No caso de Di María, por exemplo, a imprensa fala em danos de meio milhão de euros. Como tal, é comum para estes atletas terem fortes sistemas de segurança nas suas casas, que, mesmo assim, por vezes parecem não ser suficientes.

LeBron James, uma das mais proeminentes estrelas do basquetebol norte-americano, foi alvo de uma tentativa de assalto na sua casa, em 2018. Resultado? O jogador dos Los Angeles Lakers contratou – segundo informou a imprensa desportiva norte-americana na altura – um total de 10 seguranças armados para proteger a sua casa, por entre outras medidas, algumas delas garantidas pela própria NBA. Tal como no caso das casas em Neuilly-sur-Seine, onde vivem vários jogadores do PSG, o Departamento de Polícia de Los Angeles, na altura, abriu uma investigação a uma onda de assaltos a casas que, como se pode ler em vários comunicados, “inicialmente pareciam escolhidas ao acaso”, mas, na realidade, tinham como critérios “posts nas redes sociais, passeios ou até os horários e planos de viagens dos proprietários”, que eram todos atletas com grande popularidade.

Em Portugal, a realidade também não é inédita. Em janeiro de 2020, a casa de Jesús Corona, internacional mexicano que joga com as cores do FC Porto, foi assaltada com a filha e uma empregada doméstica dentro. O caso parecia ter correlação com o acontecimento de dezembro de 2019, em que a residência de Otávio, também jogador dos azuis-e-brancos, foi alvo de assalto, com ambos os incidentes a acontecer enquanto os jogadores se encontravam em campo. Na altura, as autoridades assumiram que se pudesse tratar de um grupo de assaltantes que, pouco tempo antes, tinha sido acusado de invadir a casa de Iago Aspas, jogador do Celta de Vigo, a pouco mais de 150 quilómetros de distância.

Ricardo Quaresma, por exemplo, foi também vítima deste tipo de assaltos já em várias ocasiões, e junta-se a nomes como William Carvalho, Derlei e Domingos Paciência, que chegou a ter uma arma apontada à cabeça durante o assalto à sua residência.

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