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Pequim. Sufocada por uma tempestade de areia e poluição

Pequim. Sufocada por uma tempestade de areia e poluição

AFP João Campos Rodrigues 15/03/2021 19:20

A “grande muralha verde” de Pequim não impediu a maior tempestade de areia desta década.

 

Uma gigantesca tempestade de areia, soprada das enormes extensões de deserto do oeste da China, bem como da Mongólia, combinou-se com os elevados níveis de poluição de Pequim. O fenómeno deu um tom laranja escuro aos céus da megacidade, nesta segunda-feira, tornando o ar quase irrespirável, afetando também outras 12 províncias do país, segundo o Global Times. O index de qualidade do ar em tempo real (AQI, na sigla inglesa) da capital chegou a bater uns incríveis 999. Em comparação, no mesmo dia, Lisboa estava nos 32, o Porto registava apenas 29 e mesmo Paços de Ferreira - o ponto com pior qualidade do ar nesse dia em Portugal, talvez devido à grande concentração industrial - marcava 65. 

Na prática, isso significou que muitos chineses ficaram de novo - desta vez não devido à pandemia de covid-19 - confinados às suas casas e forçados a usar máscara em todo o lado. Em Pequim, eventos no exterior foram proíbidos, as escolas aconselhadas a fechar, sendo pedido a pessoas com problemas respiratórios que ficassem em casa. Mais de 400 voos foram cancelados devido à falta de visibilidade, segundo a Associated Press. Até os enormes arranha-céus do centro da capital ficaram escondidos em nuvens de poeira e poluição, num cenário que “parece o fim do mundo”, nas palavras de Flora Zou, uma moradora da capital, ao canal ABC.

Durante décadas, Pequim, que esteve no centro de um enorme desenvolvimento industrial, muito à base de energia elétrica produzida com carvão, era regularmente afetada por smog. É um fenómeno que tem diminuído nos últimos anos, graças a medidas como a renovação de centrais termoelétricas, a deslocalização de indústrias para os arredores da capital, bem como restrições no número de carros.

Contudo, as tempestades de areia em Pequim, típicas entre março e abril, devido à proximidade com o deserto do Gobi, deverão começar a tornar-se mais recorrentes, por causa do aumento da desflorestação no país, avisam os cientistas. 

Perante isto, as autoridades chinesas apostaram naquilo a que chamaram uma “grande muralha verde” em redor da capital, tentando criar canais para que a poeira e poluição passasse mais rapidamente através da cidade, Mas isso não foi suficiente para impedir esta tempestade de areia, considerada a pior da década, que carregou o ar de particulas, arriscando um aumento drástico das doenças pulmonares. 

Para os ambientalistas chineses, esta tempestade - que, tal como o surgimento de novas doenças, é associado à desflorestação - é um sinal de alerta, num momento em que o Partido Comunista chinês prevê diminuir em 18% as emissões de dióxido de carbono por motivos comerciais, ao longo dos próximos cinco anos. 

“Em conjunto com a pandemia, é outra grande lição com a qual temos de aprender, e temos de mudar o nosso comportamento”, apelou Zhou Jinfeng, do China Biodiversity Conservation and Green Development Foundation, à AP.

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