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Mulheres. Maiores habilitações mas salários mais curtos

Mulheres. Maiores habilitações mas salários mais curtos

Sónia Peres Pinto 08/03/2021 07:00

“Quanto mais elevada é a escolaridade da trabalhadora maior é a desigualdade de remunerações”, alerta Eugénio Rosa, no Dia Internacional da Mulher.

À medida que aumenta o nível de ensino, maior é o peso e importância das mulheres no mercado de trabalho, mas isso nem sempre corresponde ao salário que é ganho. O alerta é dado por Eugénio Rosa no dia em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. E deixa um alerta: “As mulheres no total de diplomados de 2018/2019 em cada área ainda não são maioritárias em apenas 3 áreas: TIC´s, Engenharia e Serviços. Com o aumento da procura nomeadamente nas Tecnologias da Informação e Comunicação e o aumento do desemprego nas outras áreas é previsível que esta situação se altere rapidamente”, diz no seu estudo. 

Mas chama a atenção para o facto de, entre 2019 e 2020, as mulheres com o ensino básico ou menos e com ensino secundário foram fortemente atingidas pelo desemprego. Segundo o INE, no emprego de trabalhadores com o ensino básico ou menos a destruição líquida de postos de trabalho ocupados por mulheres foi de 67 mil (a dos homens 103 500), e com secundário a destruição líquida atingiu 32 mil postos de trabalho ocupados pelo sexo feminino (os ocupados por homens aumentou em 27 700). No entanto, no emprego de trabalhadores com o ensino superior, o número de mulheres aumentou em 64 200 enquanto o dos homens subiu apenas em 11 700. 
 
Ordenados mais curtos

De acordo com o mesmo estudo, estima-se que, em 2020, a remuneração base média dos homens tenha sido superior às mulheres em 17,8% e o ganho médio superior em 22,9%. No entanto, de acordo com o economista “os valores escondem desigualdades muito grandes”, acrescentando que “quanto mais elevada é a escolaridade da trabalhadora maior é desigualdade de remunerações”. 

E dá exemplos: em relação à remuneração base se a trabalhadora tiver o ensino básico ou menos recebe, em média, menos 17% (-130 euros) de que o homem com o mesmo nível de escolaridade. Mas se tiver o ensino superior a sua remuneração base é, em média, inferior ao do homem em 27,6% (-505,5 euros). Relativamente ao ganho médio – que inclui além da remuneração base todos os subsídios – se a trabalhadora tiver apenas o ensino básico ou menos, o ganho médio é inferior ao do homem em 21,8% (-206,8 euros). 

As diferenças não ficam por aqui. Segundo Eugénio Rosa, tendo em conta o boletim estatístico do GEP do Ministério do Trabalho, “em 2019, 21% dos homens recebiam apenas o salário mínimo nacional, enquanto, no mesmo ano, a percentagem de mulheres que recebia o salário mínimo nacional atingia já 31%. E entre 2018 e 2019 aumentou de 26,8% para 31%. E isto quando o salário mínimo aumentou de 580 para 600 euros, ou seja, 20 euros”.

E conclui: “Em 2020, o salário mínimo aumentou 35 euros e, em 2021, 30 euros, portanto é previsível que a percentagem de mulheres atualmente a receber apenas o salário mínimo nacional seja ainda mais elevada”.

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