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Casa do artista em luto desde o início do ano

Casa do artista em luto desde o início do ano

Diogo Vaz Pinto 06/03/2021 19:30

A covid-19 invadiu a Casa do Artista logo no começo do ano. A certa altura, 42 pessoas estavam entre o número de infetados, metade dos quais utentes, e algumas continuam internadas. O total de óbitos naquele espaço desde o início do surto de Covid-19 é de oito, segundo a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. O presidente da Junta de Carnide (onde se situa a Casa do Artista) diz que aquela instituição tem 70 residentes e 30 funcionários.

Maria José Valério

A cançonetista Maria José Valério morreu, na passada quarta-feira, vítima da covid-19, aos 87 anos. A voz da Marcha ao Sporting estava internada no hospital de Santa Maria, onde acabou por morrer. Maria José Valério Dourado nasceu a 3 de maio de 1933 na Amadora e ficou conhecida por vários êxitos como Olha o Polícia Sinaleiro e As Carvoeiras. Casou-se em 1962, momento transmitido em direto pela RTP, com o matador de touros José Trincheira, figura que marcava a atualidade da época.

José Maria Carvalho

Morreu, no passado dia 9 de fevereiro, aos 91 anos, o viola de fado José Maria Carvalho, vítima do surto de covid-19 que surgiu no mês passado na Casa do Artista em janeiro. José Maria Carvalho nasceu no Porto em 1929 e, durante décadas, fez parte do elenco da casa de fados Parreirinha de Alfama, em Lisboa, onde acompanhou vários nomes do fado, como Argentina Santos, Alcindo de Carvalho, Lina Maria Alves, Luís Tomar e Maria Silva.

Adelaide João

A atriz Adelaide João, de 99 anos, morreu na madrugada do dia 3 de fevereiro na Casa do Artista. A atriz, que recebeu em 2007 o prémio Sophia pela carreira, morreu vítima de covid-19. O percurso artístico de Adelaide João começou no teatro, nos anos 50, e ao longo de uma carreira de seis décadas trabalhou em diversos espetáculos de companhias como o Teatro Experimental de Cascais, o Teatro da Cornucópia ou O Bando. A sua carreira estendeu-se também à televisão e ao cinema.

Cecília Guimarães

A atriz morreu a 2 de fevereiro, aos 93 anos, em Lisboa. Com uma carreira de 70 anos no teatro, no cinema e na TV, foi uma das actrizes pioneiras na televisão, interpretando várias peças de teatro televisivo. Pertenceu ao elenco da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, durante vários anos, a companhia residente no Teatro Nacional D. Maria II.Nascida em Lisboa, em de 28 de maio de 1927, fez o curso do Conservatório Nacional e estreou-se com A qualquer hora o diabo vem, de Pedro Bom, no Teatro da Rua da Fé, em 1951.

Maria Andrea Gaspar, José Amaro e Noémia Cristina

Morreu, aos 93 anos, a cantora lírica Maria Andrea Gaspar, vítima de covid-19. Irmã de Mimi Gaspar. Também os fadistas José Amaro e Noémia Cristina se encontram entre as vítimas do surto da pandemia que tem assolado a Casa do Artista desde janeiro.

António Cordeiro

O ator não foi vitima do surto de covid-19, tendo morrido no final de janeiro, aos 61 anos, de paralisia supranuclear progressiva, uma doença rara e degenerativa, com a qual lutava desde 2017, e que lhe foi condicionando progressivamente a fala e os movimentos. O ator que estava também entre os associados da Casa do Artista era conhecido, sobretudo, do pequeno ecrã, e começou a sua carreira em 1987 em Duarte e Companhia, tendo ficado conhecido ao interpretar o detective Claxon e o vilão de Major Alvega.

Carmen Dolores

A grande atriz dos palcos portugueses morreu aos 96 anos, de causas que não foram especificadas pela família. Carmen Dolores começou ainda adolescente na rádio, viveu a época áurea do cinema português, marcou o teatro e ainda passou pela televisão. Um marco na sua intervenção pública deu-se em 1999, quando fundou com Raul Solnado, Manuela Maria, Armando Cortez e Octávio Clérigo a Casa do Artista, uma estrutura que se tem revelado providencial no apoio social aos artistas portugueses.

A Casa do Artista

Esta instituição fundada a 11 de setembro de 1999, em Carnide, Lisboa, vem prestando serviços aos artistas idosos, funcionando como uma defesa quando as palmas acabam, quando os profissionais do espetáculo dão por si muitas vezes desamparados, tendo sido descrita como um «último reduto de dignidade numa atividade desregulada e instável». A ideia foi trazida do Brasil por Raul Solnado, tio de Pedro Solnado, um dos fundadores.

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