13/4/21
 
 
Lusovenezuelanos. "Cá sou venezuelano, lá era português"

Lusovenezuelanos. "Cá sou venezuelano, lá era português"

José Miguel Pires 03/03/2021 13:14

Joaquim Martins Almeida é filho de emigrantes portugueses na Venezuela, onde nasceu e viveu. Viajou para Portugal, para Águeda, em 2007. 

Joaquim Martins Almeida está à frente de uma das maiores indústrias no setor da fundição, a Fundiven S.A., localizada na cidade de Águeda, em Aveiro. É também vice-presidente na Associação dos Industriais Metalúrgicos Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP). Filho de emigrantes portugueses na Venezuela, nasceu em Caracas e viveu a maior parte da sua vida entre cá e lá, tendo feito a mudança definitiva para Portugal em 2007.

Joaquim é um dos muitos casos de emigrantes portugueses, ou dos filhos desses emigrantes, que nas últimas décadas fizeram a mesma viagem que os pais fizeram mas em sentido contrário. Se a Venezuela era um destino para quem queria uma vida melhor há 50 anos, hoje em dia a situação já não é nada assim e o fluxo migratório trocou de sentido.

O lusovenezuelano viveu toda a sua vida entre a Venezuela e Portugal, com as influências das duas culturas, e tendo mesmo vivido por pequenos períodos de tempo na terra natal dos pais. Em 2007, no entanto, a mudança foi de vez, passando a ocupar um cargo na fábrica de fundição que o pai fundara, em 1978, ainda emigrado na Venezuela.
Hoje, vê com bons olhos a influência venezuelana na cultura portuguesa e conta um pouco sobre o que é viver entre estes dois países.

O seu pai emigrou para a Venezuela. O Joaquim nasceu e viveu lá, e depois decidiu voltar a Portugal. Porquê?
Naquela altura fiz exatamente o que faria se fosse hoje, mas muitos ainda não conseguiam ver isso. Tinha saído da indústria do petróleo em 2004, ou algo assim, e já estava só com as empresas da família. A sensação, nos últimos anos, para além da insegurança enorme, era que não era um país que tivesse futuro para a malta jovem, como o meu filho, e não tinha sentido já naquele momento ficar. Muito antes disso achei que não tinha sentido, mas é onde nascemos e onde nos desenvolvemos e acreditamos que pode mudar, mas rapidamente entendi que não, porque aconteceram mesmo muitas coisas durante aqueles últimos anos.

Houve aquele momento em que senti que aquelas leis não se cumpriam e só estavam em cima de ti a fazer pressão e chantagem e é difícil trabalhar assim. Se não dá para trabalhar assim, e se ainda por cima não ganhas dinheiro porque a área industrial deixou de ganhar dinheiro, começou a conjugar-se tudo. A insegurança não ajudava em nada e eu achei que era o momento. Era o salto do 9.º para o 10.º ano para o meu filho Mitchel, era o momento certo. Contrariamente a muitos, eu entendi que não havia volta a dar, que era muito complicado o regresso à normalidade e agora cada vez acho mais isso. Os países não são empresas, as empresas fecham mas os países não, podem sempre estar pior.

E a existência da fábrica cá também ajudou o processo?
A vantagem é que se fez mais fácil, no aspeto em que tinha caminho aberto a nível de trabalho. Tive outras dificuldades, mas também tive essa parte boa, já que cheguei com uma idade em que já sabia muito bem aquilo que queria, tinha experiência, consegui adicionar coisas rapidamente diferentes e novas, porque falava muito das empresas com o meu pai e sabia basicamente o que se passava.

Qual foi a parte mais difícil de decidir fazer as malas e vir?
Foi difícil e não foi. Tinha uma vantagem: vinha com frequência para cá e estava muito ligado. Não era estranho o que era Portugal. Não quer dizer que gostasse de tudo, há hábitos que agora já são diferentes porque nos adaptamos e a sociedade portuguesa também se adaptou. Numa aldeia não, mas nas cidades maiores já não é difícil poder almoçar a um domingo ou a um sábado às três da tarde, já há restaurantes que puseram na cabeça isso, mas foi um dos grandes choques, quando cheguei isso não era possível.

Ainda assim não foi fácil. Vinha de uma cidade grande para um sítio mais pequeno, ainda que tivesse a vantagem de poder ir a sítios maiores facilmente, houve algumas coisas que não são absolutamente nada iguais e custam, desde os hábitos alimentares até às mentalidades. 

Cada vez é mais fácil, no entanto. Pode ter sido mais difícil para quem veio no começo dos anos 2000, que não tinha nada a ver. Viemos numa situação onde rapidamente começou a vir muita gente e afinal nem estávamos tão sozinhos nem era tão difícil. É como se costuma dizer: estranha-se e depois entranha-se.

Na chegada cá, como se muda o ‘chip’?
A atitude foi muito de não comparar. O Algarve é porreiro, e não estou a pensar nas praias de Los Roques ou na ilha de Margarita, é nessa forma que não gosto de comparar. É como as pessoas que às vezes pensam nos Estados Unidos. Muitos foram para lá porque achavam que era muito porreiro e agora dão-se conta que não é a mesma coisa ir duas semanas de férias ou ir para trabalhar. Acabam por perceber que não é assim. Há coisas muito positivas em todo o lado. 
A estrutura mental, ainda assim, continua a ser latina. Ajuda o facto de Portugal ser como é, porque todos os dias acontecem coisas muito parecidas ao que somos lá [risos].

Ter nascido e vivido na Venezuela muda a forma como vê a vida cá face a quem viveu toda a vida cá?
Nós viemos e enfrentamos logo a crise de 2008, foi um ano de 2007 excecional na Fundiven, em 2008 já sentimos e 2009 foi terrível. Foi quando tentamos fazer uma outra abordagem, ainda que exportando muito e pensamos seriamente na internacionalização de uma forma estruturada.

Todos os dias vejo esta mentalidade, cada vez com menos problemas porque transmitimos isso às pessoas. Como sou chefe, é isso que transmito, e as pessoas que tenho ou são parecidas e alinham na mentalidade ou então acho que não estariam comigo porque não gostariam. Eu acho que a maneira como enfrentamos os problemas, ou os obstáculos, mesmo agora até na pandemia, a visão ou a maneira como abordamos as coisas é completamente diferente de quem não viveu noutro sítio. Basta viver em Espanha ou em Inglaterra durante um ano, basta fazer Erasmus, que as pessoas nunca mais são iguais. Pelo menos vêm com um prato mais de comida na cabeça. Podem não gostar, mas pelo menos trazem mais um prato ou dois na cabeça.

E essa mentalidade dupla é boa?
Não sei se será bom ou mau, mas eu ainda por cima fui de uma geração que rapidamente teve de enfrentar crises na Venezuela, que não começaram agora ou há 10 anos, mas sim em 1983. Por exemplo, nesse ano estava a fazer um trabalho de mestrado e a comprar um aparelho na Inglaterra, de que precisava, e de repente tivemos a primeira desvalorização da moeda enorme e pensamos que agora não podíamos comprar, porque era barato e deixou de ser. Foi a primeira coisa. Tivemos que fazer o aparelho dentro da universidade.

E como íamos fazer isso? Chamamos os colegas de eletrónica e pedimos ajuda, porque precisávamos que desenrascassem isso. A partir daí, acabou-se. A minha geração, dos que estudamos na Venezuela, começamos com crises em 1983. Fomos batizados a sair da universidade com crises, nunca mais tivemos que ter medo de crises. Temos respeito para desenhar respostas, mas, por exemplo, eu posso não dormir tão bem porque alguma coisa correu mal, mas consigo desligar. Mas tenho um sócio que é muito mais novo, que nunca saiu de Portugal para trabalhar, e ele não consegue dormir às vezes. É certo que tem uma parte mais operacional que eu não me posso meter, porque se não saturo-me, mas acho que esta mentalidade também ajuda nesses obstáculos. 

É mais fácil para nós fazermos esta economia do estilo de guerra, de ter umas regras às seis da tarde e outras diferentes às nove da manhã. Isso já não nos magoa muito, e as pessoas que são muito estruturadas e não estão acostumadas podem estar mais à rasca.

Pensou alguma vez, enquanto jovem, que viria para Portugal?
Achava que não ia acontecer. Ainda me passou pela cabeça e tentei no fim da universidade. Mas essa tentativa não foi de coração, porque não foi minha completamente. É aquela coisa de ter um pai a fazer pressão. Pensei: “Aquele gajo que se tinha portado muito bem toda a vida, na universidade e tal, se for malandro alguma vez na vida, que seja agora”, e portanto vim em junho de 1984. Vim e fiquei cá para aí meio ano e não fiz nada. Fui muito feliz porque era novo e bem parecido e andei por aí. No regresso, foi o primeiro choque com o meu pai. Para mim era impossível naquele momento.

Não havia a proximidade virtual que há agora, e portanto não era fácil. Tinha os amigos todos lá, aqui só tinha alguns amigos de infância, fiz cá o 3.º e o 7.º ano e aí tive uma turma que hoje mais ou menos conheço e com alguns falo até por trabalho ou em posições assim, mas acabam por não ser amigos.

Também o país não era o que é...
Nem Águeda nem Aveiro eram o que são hoje. Aveiro era o Pingo Doce de São Bernardo, pouco mais, e Águeda nem se fala. O que se fazia, a maneira de estar, era completamente diferente. Houve ali um momento na Venezuela em que, não tendo namorada fixa, nem para lá caminhava, estava a trabalhar e a ganhar dinheiro. Sozinho, cada mês, ou cada mês e meio podias fazer uma viagem e era muito complicado deixar isso. Eu sonhava com as praias, amigos, amigas, o choque de culturas ainda era enorme.

Entretanto regressei para a Venezuela, casei em 1987 e tentei outra vez em 1988, naquela de ir com a mulher, já que, se podíamos tentar, era naquele momento. Para mim foi difícil, apesar de já o país ter avançado um pouco mais, ainda que a autoestrada não era completamente feita entre Lisboa e o Porto. Era a primeira vez que a María José, a minha mulher, vinha, e aquilo foi um choque enorme. Ficamos até ao Natal, mas depois voltamos. Foi a última vez antes de vir de vez.

Achei que não ia dar, mas já pensava na altura que nada na vida é definitivo, mas o certo é que achei que não aconteceria. Mas depois o país deteriorou-se e nesse momento foi ao contrário, não tive de remar contra a maré, e isso parece que não mas ajuda muito.

Alguma vez regressará?
Com quem convivo cá, e especialmente eu, todos estamos convencidos de que não é lá que vamos acabar a vida. Não sei se será cá, mas lá não é. Quero-me mexer muito e a situação lá não é nada apelativa.

A mistura cultural entre Portugal e Venezuela como se expressa na sua vida?
Na universidade, conheciam-me como “João Carrington”, João por ser filho de portugueses, e houve nalgum momento a ideia dos venezuelanos que todos os portugueses eram João, e todas as mulheres eram Maria ou Maria de Fátima. O Carrington era por haver uma série chamada Dynasty cuja personagem principal usava uma mala parecida com a minha. E, pronto, um colega batizou-me assim. Este exemplo é perfeito para explicar como convivíamos lá e como vivemos agora cá.

Acho que, em geral, há sempre aquele português muito arreigado, que era muito venezuelano. Eu fui muito venezuelano no aspeto de gostar de tudo o que é de lá, não haja dúvida, mas eu sempre tive ligação com Portugal. Vinha com frequência fazer férias e aquela malta que conhecia da escola eram pessoas com quem, para as férias, andava.

Eu sou sempre estrangeiro. Não me sinto mal, nunca me senti mal por isso. A maioria dos que tínhamos alguma ligação sempre fomos estrangeiros nos dois lados. Lá éramos portugueses e cá somos venezuelanos. Há sempre uma exceção, mas eu acho que não é um problema se falas muito bem, porque as pessoas vão logo sempre atrás de alguma coisa. Aliás, há sempre um momento engraçado quando estou no Porto a falar espanhol com a minha mulher, numa loja, e chega a empregada a tentar falar espanhol connosco.

Lá, por outro lado, éramos os “tugas”. Ainda por cima, não tive família numerosa nem fora de Caracas. Quem tinha grandes famílias e em cidades no interior conseguiam ser mais próximos. De vez em quando fazia-se um evento numa fazenda, algo mais venezuelano e eu ia, mas não estava imbuído naquele espírito. Sempre foi muito assim. Sempre consegui ter duas visões estando lá, e duas cá, nunca perdi isso, para bem e para mal.

Os estudos lá, em português, serviram para vincar essa mentalidade?
Nunca tive isso como uma desvantagem. Estudei no Colégio Santa Isabel, que era bilingue, com aulas em espanhol e português, e de alguma forma estávamos marcados. Se saíssemos do colégio e andássemos um pouco mais para baixo encontrávamos outros colégios e eles reparavam logo e diziam: “Pronto, lá vêm os tugas”.

No Santa Isabel, tive um colega alemão, mas vivia lá perto e por isso foi lá estudar e ainda o apelidavam de português. Havia sempre alguns que não eram portugueses, mas isso marcava-os de alguma maneira porque sabias uma língua diferente, por exemplo.

Na minha casa falava-se português, contrariamente ao que acontecia com muitas pessoas. Acho que isso desliga. Lá sempre tive que explicar que era venezuelano e que não era português completamente e cá tenho de explicar que de alguma maneira sou português e venezuelano, apesar de não muito porque as pessoas já estão acostumadas e estão com alguma simpatia à maioria.

Eu que estou nalgumas situações de representar associações, como na AIMMAP, sei que os empresários estão muito contentes com as pessoas venezuelanas que têm a trabalhar e refiro-me aos venezuelanos imigrantes cá, não só aos lusovenezuelanos.

Mas nem sempre essa aceitação foi tão fácil...
Aquela sensação de como é lá e cá… a Maria José sofreu algum tipo de bullying quando estivemos recém-casados cá. Naquela época, havia pessoas, nomeadamente os mais velhos, que não tratavam bem e tinham algum preconceito. Mas eu sempre lidei com isso, seja lá, seja cá. Isso resume de certa forma como era para nós. Mas da mesma forma que havia quem se queixasse, havia muita gente que gostava muito de nós e que sempre teve relação connosco.

Luis Herrera Campins, que foi Presidente da Venezuela, por exemplo, contratou um casal meu amigo de portugueses que tinha uma barbearia e penteavam o Presidente e a mulher, Betty de Herrera. Para todos os sítios do mundo onde iam, eles iam com ele. Não faziam mais nada do que dedicar-se a cuidar da aparência do Presidente e da mulher. 
Luís Herrera, aliás, quando esteve no exílio, viveu em Lisboa, então a mesa dele no Natal era esta mistura que agora fazemos aqui da mesma forma. Ele era um Presidente que tinha bolo-rei na mesa dele de natal, filhoses e outros doces portugueses. As nossas mesas têm o dobro da comida, temos a típica venezuelana e a típica portuguesa.

Como vê esta chegada recente de imigrantes venezuelanos?
Agora, além de haver a terceira vaga de lusovenezuelanos, ou seja, netos de emigrantes portugueses lá, que até poderiam chegar cá já muito associados à Venezuela, por não ter aprendido a língua ou assim, já chega a quarta vaga, que são aqueles que são mesmo venezuelanos e que vêm por referência de um amigo que tinha família portuguesa ou algo do género. Eles não têm ninguém cá nem nenhuma relação com o país, mas têm um amigo de toda a vida que lhes diz para vir e os desenrasca.

Até agora, tenho alguns deles na fábrica comigo e, apesar de um caso que não correu da melhor forma, penso que de resto tem corrido muito bem. Nas empresas, eu sou suspeito, tenho outro tipo de atitude. Ainda na semana passada na AIMMAP um colega disse-me “meti um venezuelano”, assim mesmo, “e em duas semanas troquei-o de lugar porque vi que sabia demasiado para o lugar onde estava e que dominava para poder fazer outras coisas, então levei-o ao armazém porque vi que tinha capacidades para outras coisas”. Em duas semanas no armazém, fez-se chefe de lá.

Nesse ambiente, pode-se fazer sentir. Eu sinto que nas reuniões da AIMMAP, por vezes a minha visão é diferente e as pessoas pensam mais formalmente e nós saímos da caixa mais rapidamente e isso é importante porque reagimos mais rápido.

Como lhe parece que se expressa mais esta ligação entre Portugal e a Venezuela aqui em Aveiro?
Rapidamente vai deixar de sentir-se a presença cá de venezuelanos, mas não porque desapareçam. Vai ficar intrínseco. Se viesse muito mais gente, como em Espanha, sentir-se-ia mais, mas aqui há muito menos gente e talvez não se sinta tanto. Eu acho que em cinco anos isto vai diluir, porque somos muito adaptáveis e as pessoas vão integrar-se de tal maneira que não vai ser impactante. Mas isso não é necessariamente mau.

Onde se nota mais a influência venezuelana nesta região?
Poderá notar-se em cafés, pastelarias ou supermercados, mas teríamos de esperar para ver, porque há pouco para além da alimentação. O problema é saber que tipo de sociedade somos cá em Portugal. É muito difícil juntar dinheiro. O venezuelano que tem dinheiro vai montar coisas como as que se querem aqui para dar dinheiro e portanto dilui-se a marca venezuelana.

Os negócios que podem montar os outros, que não têm capital ou pouco, é onde se vai notar mais e vai ser mais na área dos pequenos restaurantes, talvez ligados a eventos ou festas, mas não acredito que se veja essa marca em outras coisas, porque o venezuelano que emigra com dinheiro, ou vai para Espanha ou para os Estados Unidos, não vejo venezuelanos com dinheiro a pensar emigrar para Portugal.

Aqui poderemos ver o venezuelano que pode ter alguma coisa mais e vai-se diluir muito, porque vai montar algo que seja muito internacional, muito igual. Não estou a ver uma inversão de apostar em restaurantes de alta gastronomia venezuelana em Portugal.

Se os venezuelanos se podem distinguir e ajudar e fazer coisas, o mesmo facto de serem tão adaptáveis vai fazer com que se diluam e não se sintam à parte nem que se sinta a presença. Poderá ficar em alguns sítios muito específicos, mas em geral penso que são uma comunidade que se dilui bem e que se integra sem problemas na sociedade.

E os lusovenezuelanos mesmo?
Esses, sim, podem mudar algo. Ainda que não se note, que não seja percetível de fachada, mas vai dar para perceber. Depende de como evoluam as pessoas e que lugar ocupem, mas se conseguem balançar o que sabem com a inquietude que trazem, vai-se notar, se não se atropelam, e acho que já há muita gente que percebeu, vai fazer-se notar. 

Caso a crise na Venezuela acalme, parece-lhe que muitos regressarão?
Eu acho que há muita gente que não vai ficar. Muita gente vai aproveitar para dar o salto para Espanha. Muita gente que não quer esperar, que tem alguma pressa. Eu percebo que quando se chega com alguma idade, um ano não é a mesma coisa. Não é a mesma coisa chegar com 20 anos sem compromissos do que com 40 com montes de compromissos.

 

Ler Mais


Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×