26/10/21
 
 
Vítor Rainho 03/03/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Ver o mar por um canudo (multa)

E acho muito bem que não lhe aconteça nada, mas depois não podem é multar aqueles que não protestam e aceitam ordeiramente a multa só porque tiveram necessidade de ir ver o mar.

'Quiseram ir ver o mar e foram multados’, titulava em manchete o Diário As Beiras, na sua edição da última segunda-feira, uma notícia que podia ser reproduzida em várias localidades do país – no caso em apreço referia-se à Figueira da Foz. E é estranho, pois quem quer ver o mar é multado, mas quem vai à Madeira acompanhar a sua equipa de futebol, quem vai buzinar para o Estádio da Luz ou quem decide ir para a Assembleia da República protestar com a situação não lhe acontece nada.

E acho muito bem que não lhe aconteça nada, mas depois não podem é multar aqueles que não protestam e aceitam ordeiramente a multa só porque tiveram necessidade de ir ver o mar. O confinamento, como já se percebeu, tem dois pesos e duas medidas, e, mais uma vez, são os mais desprotegidos que pagam a fava.

Agora que o bom tempo está a chegar, serão cada vez mais os que quererão sair de casa para ir arejar, e espera-se que o Governo dê ordens para não se multarem estas pessoas. Quanto muito, que as mandem de regresso para as suas habitações. Todos os dias, ao vir para o jornal, vejo milhares de carros na rua. Fico contente, pois dá um ar de certa normalidade. Ainda ontem tive de ir ao Chiado e dá dó ver o comércio praticamente todo fechado, ficando com vontade de me sentar numa das cadeiras da esplanada com vista para Camões.

Ao falar com amigos noto que a paciência se está a esgotar, pois sentem que o confinamento só é obrigatório para alguns. Espera-se pois que o Governo possa anunciar no próximo dia 11 como pretende desconfinar, anunciando a testagem em massa, seja nas escolas, fábricas, construção civil e até em restaurantes. Há países europeus que já introduziram a obrigatoriedade de um teste negativo para se poder frequentar um cabeleireiro e, penso, até restaurantes.

Apesar de achar isto sinistro – parece que estamos na Idade Média – acredito que a maioria não se importará, desde que não tenha custos, de fazer o teste rápido para conseguir recuperar alguma da sua normalidade. Afinal, quem não está farto de estar preso? Nem que para isso tenha de andar com uma coleira, leia-se teste rápido.

 


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