20/6/21
 
 
José Cabrita Saraiva 25/02/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

A melhor defesa é o ataque

O regresso de Jorge Jesus à Luz no início da época, depois da passagem triunfal pelo Brasil, tinha gerado expetativas altíssimas. E a contratação, a pedido do técnico, de vários jogadores com pinta de craques fez elevar a fasquia. Esperava-se um futebol de luxo, nota artística e goleadas em barda. 

Os adeptos do Benfica estão descontentes com o momento que o clube atravessa e decidiram manifestar-se ontem com um buzinão. Têm sido demasiados empates e exibições demasiado murchas para quem está habituado a ganhar.
O regresso de Jorge Jesus à Luz no início da época, depois da passagem triunfal pelo Brasil, tinha gerado expetativas altíssimas. E a contratação, a pedido do técnico, de vários jogadores com pinta de craques fez elevar a fasquia. Esperava-se um futebol de luxo, nota artística e goleadas em barda.

É preciso dizer que a política de contratações do clube da Luz foi ao arrepio de tudo o que o presidente vinha defendendo, que era a aposta na formação de jovens talentos nacionais. Uma aposta, aliás, que deu muitos frutos nos últimos anos: da academia do Seixal saíram futebolistas de nível mundial como João Félix e Rúben Dias, que renderam muitos milhões aos cofres do Benfica.

Jorge Jesus, porém, optou por uma estratégia diferente. E Vieira abriu os cordões à bolsa para lhe fazer a vontade. Só que as coisas não correram como esperado. Os resultados têm sido dececionantes, para não dizer uma tragédia.
Tivesse Jesus apostado na “prata da casa” e talvez os adeptos fossem mais compreensivos. Mas gastar milhões e milhões para ocupar um triste quarto lugar, quando o grande rival de Lisboa, quase sem reforços, tem feito uma época imaculada, é algo que deixa os adeptos perplexos e zangados. Como não compreendê-lo?
Noutras ocasiões, perante a adversidade, o treinador até tem reagido com surpreendente serenidade e bom senso. Mas desta vez perdeu a cabeça.

Ontem, numa conferência de imprensa antes do jogo com o Arsenal, Jesus não só se mostrou irritadíssimo com a contestação como recusou assumir a responsabilidade pelos resultados. “Não, não tenho, porque eu não treinava os jogadores do Benfica, os jogadores estiveram doentes durante dois meses”. A culpa é exclusivamente da covid, defendeu, como se o Benfica fosse o único clube afetado.
Mas o mais marcante nestas declarações foi mesmo a agressividade com que falou. Para Jesus a melhor defesa é o ataque. Se a equipa do Benfica fosse à sua imagem, estaria sem dúvida muito mais bem classificada.


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