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Brasil. Investigação à “rachadinha” de Flávio Bolsonaro bloqueada

Brasil. Investigação à “rachadinha” de Flávio Bolsonaro bloqueada

AFP Redação 24/02/2021 21:47

“Papai Bolso deu um jeito”, acusou a deputada Joice Hasselmann, antiga aliada do Presidente brasileiro.

 

Os investigadores do caso das “rachadinhas”, um escândalo de corrupção centrado na figura de Flávio Bolsonaro, senador e filho do Presidente brasileiro, declaram-se derrotados após o Supremo Tribunal de Justiça anular, esta terça-feira, a suspensão do sigilo bancário de Flávio. Uma decisão que os investigadores viram como resultado de influência política, segundo a Folha de São Paulo. Por outras palavras, o “papai Bolso deu um jeito”, acusou no Twitter a deputada Joice Hasselmann, antiga aliada e colega de partido de Jair Bolsonaro, que entretanto se chateou com o Presidente.

No cerne das “rachadinhas”, está a acusação de que Flávio terá contratado funcionários “fantasma” com dinheiro público quando era deputado estadual do Rio de Janeiro, entre 2003 e 2019, ficando com parte do salário - no total, terão sido roubados 6,1 milhões de reais dos cofres do Estado, segundo o Ministério Público, o equivalente a 930 mil euros.

A decisão do Supremo Tribunal, tomada com quatro juízes a favor e um contra, reverteu uma decisão anterior de um tribunal do Rio de Janeiro, de 2019, que abriu as contas do senador e de 94 suspeitos. Algo que permitiu o avançar da investigação, e que, no ano seguinte, Flávio fosse acusado formalmente de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indevida.

O problema é que a decisão do Supremo Tribunal pode invalidar as provas que já foram recolhidas pelo Ministério Público. E as provas não podem ser recolhidas duas vezes, obrigando os procuradores a depender de encontrar novas provas, o que parece quase impossível, avalia a Folha de São Paulo.

Outro suspeito que pode escapar ao alcance da justiça é Fabrício Queiroz, um antigo polícia e assessor de Flávio, que está em prisão domiciliária. Queiroz, além de alegado testa de ferro de Flávio, também foi ligado às brutais milícias do Rio de Janeiro, que Jair em tempos tentou legalizar - entre as ligações de Queiroz, estão suspeitos do homicídio da vereadora Marielle Franco, do PSOL. 

O caso do filho toca de perto Jair Bolsonaro - aliás, uma das transações suspeitas foi para a conta da sua mulher, Michelle, no valor de 89 mil reais, o equivalente a mais de 13 mil euros. De tal maneira que, esta quarta-feira, o Presidente interrompeu uma entrevista coletiva mal foi questionado sobre o assunto. “Está encerrada a coletiva”, disse Bolsonaro, perante as câmaras, levantando-se antes de o jornalista sequer acabar de formular a pergunta.

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