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EUA. A “telenovela” da família Guzmán não acabou

EUA. A “telenovela” da família Guzmán não acabou

AFP Jornal i 23/02/2021 21:30

Para Emma Aispuro, nascida na Califórnia e criada entre narcos, o tráfico sempre foi um negócio de família. Agora, a mulher de “El Chapo" é acusada de gerir o império do marido e de o ajudar a fugir da prisão.

 

A saga da família Guzmán continua, com a detenção de Emma Coronel Aispuro, de 31 anos, mulher de Joaquín “El Chapo” Guzmán, capturada no Dulles International Airport, perto de Washington. A antiga modelo tinha captado a atenção dos média de todo o mundo em 2019, durante o julgamento do seu marido, quando se atreveu a viajar para Nova Iorque, ostentando um look glamoroso e roupa de designer. Agora, deu por si sob acusação de ajudar a gerir o negócio multimilionário de tráfico de droga de “El Chapo”, e de auxiliar uma das suas famosas fugas da prisão.

O caso tem todo o potencial de captar o fascínio mórbido do mundo. É difícil esquecer como Aispuro assistiu sem estremecer enquanto procuradores detalhavam os crimes brutais do seu marido - incluíndo drogar e violar raparigas de 13 anos - e o seu extenso rol de casos extraconjugais. No final de cada sessão, a antiga modelo, proibida de falar com “El Chapo”, deixava-lhe sempre um aceno, para delícia dos fotógrafos. 

“Era como uma história de amor em completo silêncio”, descreveu o jornalista Miguel Angel Vega, do jornal Ríodoce, que foi a Nova Iorque cobrir o julgamento. “E é muito interessante ver o que está a acontecer neste novo caso”, acrescentou à Reuters. “É como uma telenovela”. 

Négócio de família Para Aispuro - nascida na Califórnia e criada em Durango, um estado mexicano no “triangulo dourado”, uma região montanhosa, lar de alguns dos mais conhecidos traficantes do país, bastião ancestral do Cartel de Sinaloa - o negócio da droga sempre foi de família. O seu próprio pai seria preso por tráfico de droga, em 2017, e a jovem cresceu rodeada da cultura narco, dos mitos de traficantes que são uma espécie de Robins dos Bosques, do culto popular a Jesús Malverde, o santo padroeiro dos narcotraficantes.

No meio deste ambiente, Aispuro captou a atenção de Guzman, duas vezes divorciado e três décadas mais velho, quando ganhou um concurso de beleza para adolescentes. Mal a jovem fez 18 anos, em 2007, casou com o líder do cartel de Sinaloa. Na altura, “El Chapo” já era um dos homens mais procurados do mundo, que tinha humilhado as autoridades mexicanas ao escapar de uma prisão, em 2001. O casamento, numa capela rural em Durango, foi visto como um desafio aberto à lei.

Durante esses anos, não faltaram momentos em que o líder do cartel de Sinaloa escapou por entre os dedos das autoridades, e, em boa parte deles, Aispuro esteve ao seu lado. E, quando as autoridades voltaram a captura o narcotraficante, em 2014, num quarto de hotel com vista para o mar, em Mazatlán, deram com ele deitado na cama, ao lado da mulher, junto das duas filhas do casal. 

Então, Aispuro terá tomado um papel ainda mais importante no cartel de Sinaloa. Um dos braços-direitos de El Chapo, Damaso Lopez Nuñez, testemunhou em tribunal que a antiga modelo planeou a fuga de El Chapo da prisão em 2015, comprando um pedaço de terreno perto da penitenciária, a partir de onde se escavou um túnel, arranjando armas e um carro blindado para a fuga. 

Caso isso seja provado em tribunal, Aispuro poderá dar por si atrás das grades, tal como o marido a quem foi tão leal, e que foi condenado a prisão perpétua. Ficará bem longe da vida de luxo que levava, aparecendo até em reality shows sobre mulheres de mafiosos. “É triste que nos julguem sem nos conhecerem", lamentou num deles, o Cartel Crew, da VH1. “É difícil”. 

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