21/4/21
 
 
Vítor Rainho 23/02/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Ascenso Simões. Interne-se rapidamente

O deputado Ascenso Simões, gestor de reconhecidos méritos e que deu trabalho a centenas de pessoas, escreveu ainda outras alarvidades, só próprias de quem nunca deve ter saído da AR para trabalhar. 

“Temos é de matar o homem branco como sugeria o Fanon [filósofo francês]. O homem branco que nos trouxe até aqui tem de ser morto. Para evitarmos a morte social do sujeito político negro é preciso matar o homem branco, assassino, colonial e racista”, Mamadou Ba dixit. “O 25 de Abril de 1974 não foi uma revolução, foi uma festa. Devia ter havido sangue, devia ter havido mortos, devíamos ter determinado bem as fronteiras para se fazer um novo país. Construímos Abril com a bonomia que nos produz há séculos, um ser e não ser que sempre concebeu o nosso profundo atraso, uma marca histórica que não nos abriu ao risco e ao radicalismo que provoca o progresso”, Ascenso Simões, deputado do PS. Ambos os filósofos políticos acabariam por dizer que o que escreveram não podia ser lido literalmente, pois tudo não passa de uma metáfora.

Fosse alguém de outra cor política a escrever algo semelhante e imagino o que se diria. Mas o deputado Ascenso Simões, gestor de reconhecidos méritos e que deu trabalho a centenas de pessoas, escreveu ainda outras alarvidades, só próprias de quem nunca deve ter saído da AR para trabalhar. Ao dizer que o facto de os portugueses se terem mostrado disponíveis para responder ao apelo de Moçambique, que pediu ajuda à União Europeia e, por conseguinte, a Portugal, para mandar tropas para formar os seus militares, significa “que é um espírito [que] advém do facto de nunca termos aceitado plenamente a emancipação dos povos, de existir uma franja muito significativa de portugueses que continua a achar que os africanos prefeririam a chibata portuguesa à fome dos dias de hoje”, o deputado socialista revela alguma insanidade mental. Ou acha que os militares franceses estão mais aptos para esse trabalho? E, já agora, aquando das catástrofes em Moçambique, quando mandou ajuda, Portugal também estava imbuído desse espírito?

Mas uma das cerejas em cima do bolo foi Ascenso defender que se deve destruir o Padrão dos Descobrimentos, por tudo o que está associado ao Estado Novo. Não quererá o ilustre deputado defender que se deite abaixo a Ponte 25 de Abril, a Fonte Luminosa, as dezenas de escolas primárias, os hospitais de Santa Maria e de São João, os bairros dos Olivais, Encarnação ou Alvalade? Ou o Estádio do Jamor e, por fim, o Júlio de Matos, para onde podia ir fazer uma cura enquanto assistia à última valsa de implosão?

 


Especiais em Destaque

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×