28/2/21
 
 
Vítor Rainho 19/02/2021
Vitor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

A clique do Bairro Alto que quer o regresso da censura

Escândalo, disseram alguns. Mas agora tem de haver pensamento único? Pode falar-se nos lóbis judeus, do futebol, na maçonaria, no Opus Dei e por aí fora e não se pode falar no lóbi gay? Que parvoíce é esta?

Não há volta a dar: o radicalismo tomou conta do quotidiano luso e qualquer matéria serve para colocar de um lado os bons e do outro os maus. Desta forma, o histerismo ganha espaço e parece que estamos numa batalha permanente. Dois exemplos: o célebre artigo – escrito há dez anos – de João Caupers, então professor universitário e hoje presidente do Tribunal Constitucional. “Uma coisa é a tolerância para com as minorias e outra, bem diferente, a promoção das respetivas ideias: os homossexuais não são nenhuma vanguarda iluminada, nenhuma elite. Não estão destinados a crescer e expandir-se até os heterossexuais serem, eles próprios, uma minoria. (...) a verdade – que o lobby gay gosta de ignorar – é que os homossexuais não passam de uma inexpressiva minoria, cuja voz é enorme e despropositadamente ampliada pelos média”, escreveu então João Caupers, texto agora noticiado no DN.

Escândalo, disseram alguns. Mas agora tem de haver pensamento único? Pode falar-se nos lóbis judeus, do futebol, na maçonaria, no Opus Dei e por aí fora e não se pode falar no lóbi gay? Que parvoíce é esta? Estou perfeitamente à vontade pois acho esta história de heterossexuais e homossexuais algo arcaica. O que tenho eu a ver com as opções sexuais de cada um? É-me completamente indiferente, mas percebo que outros pensem de maneira diferente. É óbvio que se João Caupers o tivesse dito como presidente do Tribunal Constitucional, a história seria diferente – mas calculo que o antigo professor universitário não foi para o novo cargo para fazer o que pensa, mas sim o que diz a Constituição.

Por este andar, qualquer dia, uma parte bem-pensante do antigo Bairro Alto vai pedir a instauração da censura.

O outro tema é ainda mais insólito. Marcelino da Mata, o militar português mais condecorado, foi atacado sem dó nem piedade por Mamadou Ba e por mais uns tantos – até foi comparado aos nazis. Acho que se disseram muitas alarvidades, mas nada justifica que se queira mandar Mamadou Ba para o Senegal, terra onde nasceu. Uma estupidez não se repara com outra.


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