28/2/21
 
 
Vítor Rainho 17/02/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Que culpa tem o Governo de haver poucas vacinas?

O que me faz confusão, como leigo, é como é possível os países europeus assumirem que estamos a viver um período idêntico a uma guerra e não terem obrigado as farmacêuticas a produzirem em barda as famosas vacinas contra a covid.

Muito se tem falado de vacinação, mas não percebo onde está a culpa do Governo português no que diz respeito ao atraso de doses enviadas para Portugal. O que me faz confusão, como leigo, é como é possível os países europeus assumirem que estamos a viver um período idêntico a uma guerra e não terem obrigado as farmacêuticas a produzirem em barda as famosas vacinas contra a covid. Se, em plena guerra, grande parte da indústria é obrigada a produzir armas, qual a razão para a União Europeia não ter agido dessa forma? Pode dizer-se que não é democrático, mas o confinamento também não o é e quase todos o cumprimos. Isto é: se o futuro está comprometido pela falta de vacinas, nada como canalizar todos os recursos para o efeito.

Ou usavam a bazuca da obrigatoriedade ou usavam o dinheiro, como terão feito Israel, o Reino Unido ou os Estados Unidos. Olhando para a imprensa estrangeira, quase todos os países se queixam do mesmo e não é preciso ir muito longe: em Espanha, todos os dias se fala do mesmo.

Mas culpar o Governo de António Costa pela falta de vacinas não é justo nem sério. E, diga-se, pelos relatos que me têm chegado, muito do forrobodó com as vacinas para amigos de pastelarias, francesinhas e familiares, além de presidentes de câmara e de Misericórdias, mudou radicalmente. O que é de aplaudir.

P.S. – Vivemos tempos estranhos e, muitas vezes, há coisas de difícil explicação. O soldado mais agraciado do Exército português morreu, o Presidente da_República e as mais altas figuras militares estiveram presentes no funeral e as únicas imagens existentes em direto são do site Notícias Viriato e do site dos comandos. Não conheço os sites em si, diz-se que um tem conotações com a extrema-direita, mas sei que fizeram muito bem em fazer a cobertura do funeral. Marcelo Rebelo de Sousa não é notícia por ir ao funeral de Marcelino da Mata? Estranho país este que convive mal com o seu passado. Que se saiba, Marcelino da Mata tinha como missão defender o então território nacional e a Guerra Colonial só começou em 1961, apesar de sabermos que o colonialismo devia ter acabado bem mais cedo e que a guerra foi uma estupidez – e que é óbvio que o fim do colonialismo foi um bem para a humanidade.


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