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Luís Newton 11/02/2021
Luís Newton

opiniao@ionline.pt

Planear o desconfinamento

Desde cedo que a OMS tem vindo a dar a principal orientação: testar, testar, testar, rastrear, isolar.

O grande desafio de qualquer político é o de assegurar as melhores soluções para a comunidade que serve.

Essas soluções podem resultar de uma reação rápida a um qualquer imprevisto ou de um aturado planeamento para antever situações emergentes.

A pandemia que atravessamos é um exemplo claro das duas dimensões que identifiquei no parágrafo anterior: em março de 2020, quando fomos por ela surpreendidos, muitos políticos reagiram com celeridade e determinação, contribuindo decididamente para manter as suas comunidades em segurança; e quando já muito sabíamos sobre ela, alguns lançaram-se na preparação das vagas seguintes, antevendo cenários e soluções.

E as soluções têm visado duas grandes realidades: confinamento e desconfinamento.

Porém, tem sido aqui que mais temos sentido hesitações que não podem caber nestes momentos de crise.

Confinar uma população é um ato de último recurso perante uma constatação de impotência para controlar ou conter determinada situação, mas não pode ser um ato de desespero inconsequente. Tem de ser um passo atrás para dar dois em frente.

O primeiro confinamento tinha como pano de fundo o receio de uma propagação descontrolada, receio esse acentuado pelos relatos desesperados de Daniele Macchini, médico no hospital Humanitas Gavazzeni, em Bérgamo, Itália.

A reação imediata dos portugueses (e, mais tarde, do Governo) foi confinar. Naquele momento não existia estratégia, foi apenas um reflexo do pânico perante o perigo iminente. E, de facto, não se pode exigir estratégia aos portugueses, mas tem de se exigir ao Governo.

Em março confinou-se e não se preparou o desconfinamento. Apesar de só estarmos a apontar o dedo ao Natal e ao Ano Novo, a verdade é que a penetração comunitária do vírus começou em meados de setembro, resultado dessa ausência de planeamento.

Então, qual o planeamento para o desconfinamento que falhou em 2020 e que deveríamos contemplar para 2021?

Desde cedo que a OMS tem vindo a dar a principal orientação: testar, testar, testar, rastrear, isolar. Porém, temos de testar com consequência e, numa altura destas, temos de fazer como a Eslováquia.

E porquê? Desde logo porque é a principal fonte de conhecimento sobre as cadeias de transmissão, permitindo compreender potenciais circuitos e zonas de risco, mas também fontes de contágio. E ao compreendermos fontes de contágio, zonas e circuitos, compreendemos melhor como o vírus se transmite e como podemos adequar as nossas rotinas para evitar a transmissão.

E todo este conhecimento é fundamental para os decisores políticos tomarem melhores decisões sobre se abrimos todas as escolas ou só abrimos algumas, se abrimos restaurantes ou não, se abrimos pequeno comércio ou não, se abrimos grandes superfícies ou não, etc.

É porque este navegar à vista está a destruir a economia e a lançar milhares de famílias no desemprego, sem termos certezas de que esse sacrifício é um garante da nossa saúde ou se é um sacrifício inútil.

E note-se: não se espera que medidas destas levem a zero contágio.

Pretende-se é poder ter níveis de contágio baixos e que não representem uma impossibilidade física de prestar adequado serviço médico a quem se encontre infetado ou a quem, sofrendo de outra maleita, se veja impedido de ter acesso a serviços médicos porque o hospital está sobrecarregado com “casos covid”.

Planear o desconfinamento é fundamental, e numa altura em que nos voltamos para a disciplina organizacional das nossas Forças Armadas, cito o general Sun Tzu: “Se conhecer o seu inimigo e conhecer a si mesmo, a vitória é garantida”.

E para o conhecer: testar, testar, testar, rastrear, isolar.

 

Presidente da concelhia do PSD/Lisboa e presidente da Junta de Freguesia da Estrela

 


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