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West Ham. Os bons martelos não ganham ferrugem

West Ham. Os bons martelos não ganham ferrugem

Afonso de Melo 09/02/2021 21:38

É, até ao momento, a surpresa da Premier League, ocupando o quinto lugar na tabela e recordando os bons velhos tempos.

Esta última jornada nem correu grande coisa, com um empate sensaborão face ao Fulham, em Craven Cottage, mas o West Ham mantém-se no quinto lugar da tabela da Premier League, uma posição que os anos mais recentes não lhe têm permitido desfrutar. Também é preciso dizer que os hammers, os martelos, têm dois jogos a mais em relação ao seu perseguidor imediato, o Everton, e um à maior do que o sétimo, o Chelsea. O facto não embacia o bom momento da equipa treinada por David Moyes e remete-nos para a lembrança de um clube que chegou a fazer furor nas taças europeias, sobretudo em 1964-65 e 1965-66, primeiro conquistando a Taça das Taças à conta de uma vitória na final frente ao Munique 1860 (2-0), num Estádio de Wembley a estoirar pelas costuras com mais de cem mil espetadores, chegando às meias-finais do ano seguinte e sendo eliminado pelo Borussia Dortmund (1-2 e 1-3). Em 1975-76, uma década mais tarde, voltou a uma final, também da Taça dos Vencedores de Taças, desta vez sendo superado por um formidável Anderlecht: 2-4.

Clube de Stratford, leste de Londres, fundado em 1895, o West Ham como que absorveu os velhos deserdados do império, tornando-se um clube popular entre os operários das usinas de ferro da região e entre as classes sociais menos favorecidas dessa velha zona industrial de Londres. Há que dizer que isso acabou por acarretar antipatias bem fortes por parte dos adversários, e isto porque essa massa adepta passou a ser fortemente controlada por uma organização animalesca de hooligans com o nome de The Mile End Mob. Desde o final dos anos 70 até aos anos 80, os jogos disputados no Boleyn – com a remodelação do estádio, o West Ham joga nesta altura em Wembley os seus confrontos caseiros – não chegavam ao fim sem tranquibérnias de todas as espécies. Pior ainda: a violência saía para a rua e propagava-se pela noite em combates de gangues que destruíam tudo à sua passagem, desde montras de casas comerciais a automóveis. O fenómeno atingiu um ponto tal que atraiu as gentes do cinema, havendo dois filmes – The Firm e Green Street – que se debruçaram seriamente sobre esses brutais movimentos de violência gratuita.

Três figuras O West Ham nunca foi campeão inglês (venceu três Taças de Inglaterra, em 1963-64, 1974-75 e 1979-80), pelo que a exigência dos adeptos se reduz a ver o seu clube atingir os lugares de topo e nada mais do que isso. Pode dizer-se sem rebuço que o ano de 1966 acabou por ser um dos mais marcantes da história dos hammers. Afinal, entre os 11 titulares da seleção inglesa que conquistou o título de campeã do mundo brilharam três jogadores do clube. Bobby Moore, acima de todos, até porque era o capitão de Inglaterra e lhe coube receber das mãos da Rainha Isabel ii a Taça do Mundo; Geoff Hurst, o grande herói da final contra a Alemanha, assinando um hat-trick durante os 120 minutos que o jogo durou por causa do prolongamento; e Martin Peters, um daqueles jogadores que caem sempre no goto de qualquer técnico, por juntar à capacidade técnica uma forma inteligente de perceber onde e em que momento era preciso surgir com a agressividade que fazia parte dos seus atributos.

Aqueles que nasceram com o nome de The Thames Ironworks, os trabalhadores do ferro do Tamisa, parecem estar, hoje por hoje, com os martelos desenferrujados. Resta saber se é para durar, se para cair na habitual vulgaridade de um velho clube de subúrbio.

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