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Vítor Rainho 05/02/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Ana Gomes bem podia aprender com Assis

A antiga eurodeputada quer dar a entender que os quase 500 mil votantes de André Ventura estão fora da lei e deveriam ser ilegalizados – calculo que deveriam ser enviados para alguma colónia de reeducação. 

Ana Gomes, antiga eurodeputada e ex-candidata presidencial, quer continuar a dar apoiantes a André Ventura, não percebendo nada do que se passa. Ao pedir mais uma vez a ilegalização do Chega, Ana Gomes apenas põe André Ventura na posição de vítima, em vez de querer discutir as razões por que o candidato presidencial quase teve 500 mil votos. Não se percebe como a socialista não entende isso pois, desde que o Tribunal Constitucional legalizou o Chega, o partido não mudou uma vírgula. A antiga eurodeputada quer dar a entender que os quase 500 mil votantes de André Ventura estão fora da lei e deveriam ser ilegalizados – calculo que deveriam ser enviados para alguma colónia de reeducação. Ao contrário de Francisco Assis e de outros políticos, Ana Gomes não percebe que tem de enfrentar as bandeiras de Ventura e desmontá-las ou procurar explicá-las. Francisco Assis, por exemplo, é claro na questão dos ciganos. “Uma das coisas mais negativas que ocorreram na campanha para a Presidência da República foi a forma como o candidato da extrema-direita tratou a comunidade cigana. Foi das coisas que mais me chocaram, considero isso absolutamente infame. Agora, isso não significa que não haja problemas sérios ao nível socioeconómico na sociedade cigana. E muitas das políticas que levámos a cabo não tiveram o sucesso que deveriam ter tido”, disse à RR e ao Público. O também antigo eurodeputado propõe um estudo rigoroso para “respondermos com rigor e seriedade à demagogia primária”. Mas Ana Gomes não vê isso e não vê o princípio da democracia: a liberdade de pensamento. P.S. – Há uns anos, os noticiários portugueses abriram quase todos com a notícia da detenção de ativistas angolanos que queriam manifestar-se contra José Eduardo dos Santos. Antes disso, uns anos antes, vi manifestações em Luanda contra o desaparecimento de dois ativistas que terão sido atirados aos crocodilos, acabando esse caso com a detenção de um responsável policial. Angola e o seu então Presidente mereciam toda a atenção. No último fim de semana, no Cafunfo, Lunda Norte, terão sido assassinados entre 15 e 25 ativistas, mas parece que, agora, estes casos não são muito importantes. 


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