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Caso Ihor Homeniuk. Vigilante admite ter ouvido "vozes e gritos"

Caso Ihor Homeniuk. Vigilante admite ter ouvido "vozes e gritos"

DR Jornal i 04/02/2021 20:53

Ana Sofia Lobo teve dificuldades em explicar por que razão só saiu um hora depois do fim do turno.

“Ouvi vozes e gritos”, declarou a testemunha Ana Sofia Lobo ao terceiro dia do julgamento do alegado homicídio - de que são acusados três inspetores do SEF - do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk, que morreu a 12 de março do ano passado enquanto permanecia à guarda do serviço de segurança, no aeroporto de Lisboa.

A vigilante chegou a levar um copo de água para ser entregue a Ihor quando este foi isolado numa sala sem mobiliário e apenas com um colchão, tendo admitido que, durante a madrugada, abriu um armário com lençóis descartáveis. Estes, em dada altura, terão servido para amarrar as mãos do passageiro, que estava “agitado e a dar murros” na parede, bem como a atirar-se contra as paredes da sala.

A testemunha alegou inicialmente não ter conhecimento de que, mais tarde, Ihor Homeniuk foi atado com fita adesiva, mas perante a insistência do juiz presidente, Rui Coelho, e confrontada com imagens de videovigilância, reconheceu ter visto um colega sair da sala com fita adesiva e uma tesoura nas mãos. Acrescentou também que chegou a ser preciso levar fita adesiva suplementar para a sala onde se encontrava o ucraniano.

A testemunha também teve dificuldades em explicar por que razão, de manhã, só saiu uma hora depois de terminar o seu turno normal, tendo tentado justificar com a chegada de mais passageiros.

Esta quinta-feira, o médico que certificou o óbito de Ihor Homeniuk nas instalações do SEF também foi ouvido e revelou que tentou durante 23 minutos reanimar o ucraniano, que tinha sofrido uma paragem cardiorrespiratória e apresentava um “hematoma em cima do olho”.

Momentos de aflição
Na terça-feira, a testemunha Filipe Cardoso, inspetor do SEF, revelou ter encontrado Ihor Homeniuk “manietado de pés e mãos com fita adesiva” naquela sala de instalação temporária no aeroporto de Lisboa.Segundo a testemunha, Homeniuk tinha as mãos manietadas com fita adesiva à frente do corpo e estava deitado num colchão que tinha sido colocado no meio de uma sala, tendo confrontado o vigilante com o que se tinha passado, tanto mais que nunca vira um passageiro naquela situação: atado de pés e mãos com fita adesiva.

O vigilante - adiantou a testemunha - explicou que Ihor Homeniuk tinha passado a noite “inquieto e algo agressivo”, tendo Filipe Cardoso libertado Homeniuk das fitas adesivas, mas, perante as advertências sobre o comportamento do passageiro, optou por lhe prender as mãos apenas com lençóis, de “forma não apertada” e de modo que este não reagisse de maneira violenta.No entanto, outra testemunha que entrou de manhã ao serviço disse na quarta-feira, em julgamento, ter visto novamente Ihor Homeniuk atado com fitas adesivas.

Na terça-feira, os três inspetores do SEF implicados no alegado homicídio negaram a acusação e disseram que se limitaram a manietar um passageiro “agitado, violento e autodestrutivo”, que ficou mais calmo quando saíram da sala.

Recorde-se que os acusados da morte de Ihor Homeniuk estão em prisão domiciliária desde a sua detenção, em 30 de março de 2020, razão pela qual este é considerado um processo urgente que prossegue mesmo em tempos de pandemia de covid-19.

 

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