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Emergência. Marçal Grilo defende um Governo de unidade nacional

Emergência. Marçal Grilo defende um Governo de unidade nacional

Mafalda Gomes Cristina Rita 02/02/2021 17:22

Ex-ministro da Educação socialista pede solução para enfrentar problemas. Luís Nobre Guedes sugere um Executivo com PS, PSD, CDS e Iniciativa Liberal.

A crise pandémica, económica e social pode obrigar o país (e a classe política) a um Governo de salvação nacional. A ideia não é nova, mas ganha força. Marçal Grilo (antigo ministro da Educação num Governo PS) bem como o antigo dirigente político Luís Nobre Guedes (CDS) foram os primeiros a defender esta ideia, logo em março de 2020, com o país confinado. Agora, Marçal Grilo reforça a ideia: “Um governo de unidade nacional, não tenho dúvida nenhuma. Estou a falar dele desde março passado”, começou por recordar ao i.

“É preciso fazer um governo de unidade nacional (...) Se era necessário em março, imagine agora”, desabafa o antigo ministro da Educação.

Se em março, antecipou que a situação se iria deteriorar, agora, por “maioria de razão justifica-se que o país se unisse em torno de um Governo que tivesse a capacidade para enfrentar os problemas, sem condicionalismos ideológicos e sem esta ideia de ser da esquerda ou ser da direita”.

Para o efeito, Marçal Grilo que recorda que tem dado o exemplo histórico, do primeiro-ministro britânico Winston Churchill em 1940, quando foi indigitado no dia 10 de maio. “E o que disse foi, eu tenho de fazer um Governo que seja de unidade nacional”, sublinha Marçal Grilo, recordando que Churchill, conservador, fez um Governo de unidade nacional com o Partido Trabalhista (esquerda britânica). Reconhecendo que esse Executivo cometeu vários erros, “alguns gravíssimos”, ainda assim, enfrentou a II Grande Guerra, e o país (os britânicos) “estava unido”.

Para Marçal Grilo o “país tem uma situação de tal maneira delicada, de tal maneira complexa” que é preciso “mobilizar tudo o que país tem”. Ou seja, é preciso mobilizar-se num “espírito de missão”. O antigo governante acrescenta que esta necessidade em nada belisca a “posição dos partidos, nem as suas ideologias, nem ninguém tem de deitar nada para o lixo”. Mas é preciso encarar os problemas nas suas várias dimensões com as graves dificuldades das empresas, a crise social, além, claro da crise sanitária. “Criar emprego não vai ser fácil, a questão do turismo é uma questão de enorme delicadeza, porque o problema não é só português, mas também dos países com quem Portugal se relaciona” exemplifica Marçal Grilo.

Também em declarações ao i, Nobre Guedes lembra que “anda a dizer isso há meses”, ou seja, que é necessário um Governo de emergência nacional. O antigo dirigente do CDS sustenta que tal solução poderia ter o PS, PSD, o CDS e a Iniciativa Liberal. “Era o que era mais natural, mas depois com pessoas independentes que pudessem colaborar”, defendeu Nobre Guedes. Neste quadro, Marcelo Rebelo de Sousa não entra na equação porque não há Governos de iniciativa presidencial. “O primeiro-ministro e Rui Rio, os dois é que se têm de entender”, advogou Nobre Guedes, sublinhando que tal solução deveria durar até ao final da Legislatura, ou seja, nos próximos três anos. E “ devem entender-se por uma questão de emergência nacional”, concluiu Luís Nobre Guedes.

No passado domingo, Marcelo Rebelo de Sousa esteve no programa da SIC, “Isto é gozar com quem Trabalha”, numa entrevista ao humorista Ricardo Araújo Pereira. E avisou quem já lhe pede para obrigar o Governo a sair: “A minha ideia não é que o Governo caia, é que o Governo responda à crise, que enfrente a pandemia”.

 

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