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Sporting-Benfica. Águia tem o pescoço enfiado na guilhotina de Alvalade

Sporting-Benfica. Águia tem o pescoço enfiado na guilhotina de Alvalade

Afonso de Melo 01/02/2021 15:42

Uma derrota atirará os encarnados para um cenário catastrófico. Além de ser um provável adeus ao título, ainda antes de fechar a primeira volta, obrigá-los-á a uma luta inesperada pelo terceiro lugar com o Braga com quem já perderam por duas vezes.

Há uma velha pilhéria brasileira na qual um fulano, cansado dos falhanços consecutivos do seu clube de coração, comenta com os amigos: “No fim de contas, tenho de dar razão ao treinador. Ele prometeu uma equipa ofensiva e eu sinto-me ofendido”. Mutatis mutandis, a frase deve aplicar-se à grande maioria, se não mesmo à totalidade, dos adeptos do Benfica. Regressado do Brasil, ufano com a conquista do Brasileirão e da Libertadores, Jorge Jesus encheu o peito e prometeu uma equipa para arrasar. Não se pode dizer que não tenha cumprido a promessa. É um Benfica arrasado aquele que joga hoje, em Alvalade, a hipótese de vir a ser campeão. Uma derrota irá, mais do que provavelmente, acabar com o sonho da conquista do título – pelo menos na opinião de quem escreve estas linhas. Ficar a nove pontos do Sporting ainda antes da primeira volta torna o objetivo inultrapassável ainda que nos últimos dois anos tenhamos assistido a duas recuperações do mesmo género. Nesta caso concreto, a questão coloca-se de outro modo. É que, já na época anterior, o Benfica mergulhou num vórtice de suicídio que lhe tirou um título que parecia ganho antes de cair sobre nós todos a maldição da covid. A fase final do campeonato foi penosa, deprimente. A forma como se deixou vencer pelo FC Porto na final da Taça de Portugal, depois de ter jogado grande parte do tempo com superioridade numérica, foi um dos momentos mais pobres do Benfica dos últimos dez anos. E nem sequer foi tanto pelo que não jogou: foi sobretudo a apatia, a desistência, a incapacidade de lutar na defesa da camisola por parte de jogadores que tinham responsabilidades acrescidas.

Veio Jesus, o salvador, e mesmo aqueles que protestaram contra o regresso do técnico que trocara a Luz por Alvalade convenceram-se de que, com os milhões investidos na equipa, o rumo do sucesso seria retomado. Puro engano. Este Benfica versão Jesus 2020/21 é um conjunto frágil, sem ideias, praticando um futebol caótico e deixando-se dominar por equipas claramente mais frágeis. Os pontos voam, perdidos às catadupas, de tal forma que a derrota em Alvalade, cenário muito provável perante o que jogam as duas equipas, pode deixar os encarnados mais preocupados com a luta pelo terceiro lugar – se o Braga, por seu lado, bater esta tarde o Moreirense apanhará o Benfica – do que propriamente pelo primeiro. Ah! E pormenor não de somenos: o Braga já venceu o Benfica por duas vezes esta época.

 

Favoritos!

Não haverá muita gente que não veja o Sporting como o grande favorito para vencer o dérbi desta noite. Apesar da juventude que campeia na equipa de Ruben Amorim, também ele um jovem, vemo-la desenvolver um sistema construído para esconder várias das suas lacunas e potencializar as suas virtudes. Não por acaso os leões ainda não perderam até agora.

Conquistada a Taça da Liga, com uma sempre saborosa vitória frente ao FC Porto, este é um momento importante para a afirmação dos leões como verdadeiros candidatos ao título. Em caso de vitória, ninguém poderá mais evitar esse estatuto, embora o seu treinador fuja constantemente ao assunto. A quebra de forma sempre prometida por muitos analistas parece ter já passado sem grandes tremideiras. Verdade igualmente que, mesmo ganhando, contra o FC Porto, o Sporting abanou bastante e foi dominado durante a maior parte dos 90 minutos, resolvendo a questão à custa de dois lances individuais de Jeovane. Mas isso não belisca um milímetro do seu êxito.

Logo à noite, pelas 21h30 (vá lá entender-se estes horários que fazem até os que vão trabalhar em Alvalade contrariar as ordens de recolhimento), a Águia tem o pescoço enfiado na guilhotina como uma Maria Antonieta. Sorte para Jorge Jesus a de os jogos não terem público ou andaria há muito com as orelhas a ferver com os protestos dos adeptos. Mas, convenhamos, pôs-se a jeito. Apesar dos reforços, alguns de indiscutível qualidade, o futebol praticado pela sua equipa para além de medíocre não apresenta resultados. E, estranhamente para um profissional que é tido como um expert em questões táticas, é na disposição dos jogadores em campo que se notam as maiores fraquezas. Sobra a ideia que muitos dos jogadores pura e simplesmente não acreditam no que estão a fazer. O público encarnado, esse, acordou de um sonho para cair numa realidade bisonha.

 

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