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José Cabrita Saraiva 28/01/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

O preço do Natal e de outras brincadeiras

O que dizer agora que somos, proporcionalmente, o país do mundo com mais casos e mais mortes por covid-19? No mínimo, que não somos assim tão bons como julgávamos. 

Aqui estamos nós mais uma vez condenados a este triste fado de ficarmos confinados. O problema é que, como os números da tragédia mostram dia após dia, o mal está feito. E, correndo atrás do prejuízo, podemos apenas tentar limitar os danos. Há uns meses, quando em Itália e Espanha morriam mil pessoas ao dia, misturada com a pena que esses povos nos mereciam, mal conseguíamos disfarçar uma ponta de orgulho pelo bom comportamento dos portugueses e pela eficácia dos nossos governantes. O que dizer agora que somos, proporcionalmente, o país do mundo com mais casos e mais mortes por covid-19? No mínimo, que não somos assim tão bons como julgávamos. Não me parece que seja muito produtivo nesta altura procurar culpados, mas valeria a pena tentar identificar as causas destes valores aterradores que registamos para evitar repetir os mesmos erros. Importaria, por exemplo, saber quantos novos contágios custou a decisão (por populismo?) de autorizar a reunião das famílias no Natal. Alegadamente, o baixo número de casos assim o permitia. Na realidade, talvez o número de casos não fosse tão baixo quanto isso, mas havia que dar uma aparência de credibilidade científica à decisão. Importaria também saber quantos novos contágios custou o adiamento até à última do fecho das escolas, quando, embora ninguém o desejasse, toda a gente já tinha percebido que era inevitável. Esses dias a mais que, por teimosia (ou outra coisa), as escolas continuaram abertas podem ter tido o seu preço. Por fim, importaria saber quantos novos contágios custaram as eleições presidenciais, onde participaram mais de quatro milhões de pessoas. Tudo somado, qual o preço do Natal, do funcionamento das escolas para lá do razoável e das eleições? Reconheço que a pergunta não é simpática e não sei se alguém estará muito interessado em encontrar a resposta. Para já, resta-nos ficar confinados e esperar que a fatura não seja demasiado dolorosa. 

 

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