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FMI melhora previsão do crescimento mundial mas revê em baixa zona euro

FMI melhora previsão do crescimento mundial mas revê em baixa zona euro

Sónia Peres Pinto 26/01/2021 13:45

Economia mundial deve crescer 5,5%, enquanto na zona euro aponta para uma recuperação de 4,2%.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu esta terça-feira em alta a previsão de crescimento da economia mundial para este ano, subindo-a em 0,3 pontos percentuais para 5,5%, segundo a atualização das Previsões Económicas Mundiais. Mas piora as previsões de crescimento da zona euro em um ponto percentual, esperando agora uma recuperação de 4,2% em 2021.

"Dentro de uma incerteza excecional, a economia mundial deverá crescer 5,5% em 2021 e 4,2% em 2022. A previsão de 2021 é revista 0,3 pontos percentuais em alta, refletindo expectativas de um fortalecimento da atividade, fomentado pela vacina, durante o ano, e apoio de política adicional em várias grandes economias", garante a entidade liderada por Kristalina Georgieva

O FMI assinala que a recuperação projetada para este ano se segue a um "colapso severo em 2020, que teve impactos adversos agudos nas mulheres, nos jovens, nos pobres, nos trabalhadores informais e naqueles que trabalham em setores com contacto intensivo".

"A contração do crescimento mundial para 2020 é estimada nos 3,5%, 0,9 pontos percentuais acima do projetado nas anteriores previsões (refletindo um ímpeto mais forte do que o esperado na segunda metade de 2020", pode ler-se no documento.

No entanto, em aspetos mais negativos, o FMI ressalva que "o aumento das infeções no final de 2020 (incluindo de novas variantes do vírus), confinamentos renovados, problemas logísticos com a distribuição das vacinas e a incerteza acerca da sua toma são contrapontos importantes às notícias favoráveis".

O FMI acredita também que "os maiores bancos centrais devem manter a política de taxas atual durante o horizonte de previsão até ao fim de 2022", mantendo as atuais condições financeiras nas economias avançadas e melhorando gradualmente naquelas em desenvolvimento.

O FMI aponta também o preço das matérias-primas, com o preço do petróleo a "subir em 2021 acima dos 20% a partir da baixa base de 2020", permanecendo "bem abaixo da média de 2019", o mesmo acontecendo com as matérias-primas que não o petróleo, como os metais.

O comércio mundial deverá subir 8% em 2021, de acordo com a instituição liderada por Kristalina Georgieva, "antes de se moderar para 6% em 2022", com destaque para os serviços acima dos volumes de transação de mercadorias.

Já a inflação nas economias avançadas deverá ficar abaixo dos 1,5% em 2021, mas acima dos 4% nas economias em desenvolvimento, segundo o FMI.

Nos riscos à previsão hoje conhecida, pela positiva a instituição sediada em Washington aponta que "melhores notícias no fabrico das vacinas (incluindo as em desenvolvimento nas economias emergentes), na distribuição, e na eficácia de terapias poderiam aumentar expectativas de um fim mais rápido para a pandemia do que o assumido".

Pela negativa, o crescimento poderá ser mais fraco "se o vírus (incluindo as novas variantes) se provar difícil de conter, se as infeções e mortes se acumularem rapidamente antes das vacinas estarem largamente disponíveis, e se o distanciamento voluntário ou os confinamentos forem mais fortes que o antecipado".

Além disso, o FMI alerta também que, caso "o apoio das medidas de política for retirado antes da recuperação ter raízes firmes, falências de empresas viáveis, mas sem liquidez poderão acumular-se, levando a mais perdas de empregos e rendimentos".

Economias europeias atrasam crescimento

De acordo com a entidade liderada por Kristalina Georgieva, a zona euro é arrastada pelo 'peso' das suas quatro maiores economias (Alemanha, França, Itália e Espanha), que viram o FMI rever em baixa as suas projeções de crescimento para este ano. 

Feitas as contas, a economia alemã deverá crescer 3,5% este ano, 0,7 pontos percentuais abaixo do estimado em outubro pelo FMI, com tendência semelhante a verificar-se em França, cujas previsões da instituição liderada por Kristalina Georgieva apontam para um crescimento de 5,5%, 0,5 pontos percentuais abaixo do anteriormente estimado.

Em Itália, o FMI refere um crescimento de 3,0%, 2,2 pontos percentuais abaixo do estimado em outubro, e para Espanha a instituição financeira internacional aponta para um crescimento de 5,9%, 1,3 pontos percentuais abaixo do estimado anteriormente.

Em 2022, a Alemanha deverá crescer 3,1%, a França 4,1%, a Itália 3,6% e a Espanha 4,7%, de acordo com as previsões hoje divulgadas pelo FMI.

 

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