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Mais de um terço dos casos de covid-19 no país foram diagnosticados desde o Natal

Mais de um terço dos casos de covid-19 no país foram diagnosticados desde o Natal

Mafalda Gomes Marta F. Reis 26/01/2021 11:02

Um mês depois do Natal somam-se mais 250 mil novos casos de covid-19 no país e 4243 mortes ligadas ao vírus.

A incidência de novos casos de covid-19 no país é agora três vezes superior à que se verificava na altura do Natal. Um mês depois, os dados disponibilizados diariamente pela DGS, que o i analisou, mostram a velocidade da epidemia ao longo das últimas semanas. No dia 24 de dezembro tinham sido diagnosticados em Portugal ao longo dos quase dez meses de pandemia 391 782 casos de covid-19, a maioria nos meses de novembro e dezembro. Desde então, mais 251 mil portugueses tiveram teste positivo para o SARS-Cov-2, o que significa que do total de 643 113 casos de covid-19 registados até aqui em Portugal, mais de um terço (39%) foram diagnosticados no último mês. A 24 de dezembro, o país registava uma incidência de 500 novos casos por 100 mil habitantes nos 14 dias anteriores. Com os casos reportados nas últimas duas semanas, a incidência acumulada situava-se ontem nos 1494 casos por 100 mil habitantes, ainda com tendência a aumentar uma vez que o RT continua acima de 1 em todo o país.

Em Lisboa e Vale do Tejo a incidência de novos casos é agora praticamente quatro vezes superior à que se registava na altura do Natal. Nos últimos 14 dias foram diagnosticados na região de Lisboa mais de 61 mil novos casos de covid-19, o que coloca a incidência na região em 1675 novos casos por 100 mil habitantes, agora com toda a região em risco máximo de contágio. No Natal, à luz dos casos diagnosticados nas semanas anteriores, Lisboa tinha uma incidência de 429 casos por 100 mil habitantes.

Durante o mês de dezembro, com semanas atípicas com feriados, diminuíram os testes realizados, o que pode ter levado a uma subestimativa dos contágios. Também agora alguns peritos admitem que, face à elevada positividade nos testes feitos no país (rondou 20% na última semana), a deteção também pode estar mais aquém da realidade do que noutras alturas em que a positividade era menor.

Apesar de Lisboa ser a região onde se estão a diagnosticar mais casos de covid-19 (uma média diária de 5 mil novos casos nos últimos 7 dias), é na região Centro que se regista a incidência mais elevada atendendo à população. Com mais de 28 mil novos casos diagnosticados nos últimos 14 dias, a região Centro atingiu ontem uma incidência acumulada de 1723 casos por 100 mil habitantes. No Natal eram 517 casos. A região Norte, que tinha a incidência mais elevada no Natal – na altura já com a curva “esmagada” quase para metade depois de ter chegado a registar mais de mil casos por 100 mil habitantes no pico da segunda vaga em novembro, voltou a ver os números disparar. Nos últimos 14 dias foram diagnosticados quase 50 mil novos casos no Norte, o que colocou de novo a incidência na região acima dos 1300 casos por 100 mil habitantes. Ainda assim agora, e ao contrário do que aconteceu nas primeiras duas vagas de covid-19, com uma incidência inferior à que se regista no Centro, em Lisboa ou no Alentejo, onde a epidemia também se espalhou de forma exponencial. No Alentejo foram diagnosticados 7 mil novos casos nos últimos 14 dias, com uma incidência acumulada acima dos 1500 casos por 100 mil habitantes. Mas os números totais mostram como o que se viveu no Alentejo no último mês em nada compara com os meses anteriores da pandemia: até 24 de dezembro tinham sido diagnosticados no Alentejo ao longo dos dez meses de pandemia 10 mil casos de covid-19. Havia ontem um total acumulado de 22 mil casos. No Algarve a incidência acumulada está também agora acima dos mil casos por 100 mil habitantes (1117). Ainda assim, foi a região com menor incidência e com menos casos diagnosticados nos últimos 14 dias (4898 algarvios tiveram teste positivo para a covid-19 nestas duas últimas semanas). Até ao Natal o Algarve tinha tido pouco mais de 7 mil casos de covid-19 e a região passa agora os 15 mil diagnósticos desde o início da pandemia.

Aumentaram os casos de infeção, aumentaram os internamentos e aumentaram as mortes, diariamente os números mais pesados. A 8 de janeiro o país passou a barreira das 100 mortes diárias e na semana passada foram reportadas pela primeira vez mais de 200 mortes em 24 horas. No espaço de um mês morreram 4243 pessoas infetadas com o SARS-CoV-2, com o número de óbitos a aumentar em todo o país, em especial na região de Lisboa e Vale do Tejo. É um aumento de 60% face à letalidade que se tinha registado até à terceira semana de dezembro. 2020 terminou com 6 972 óbitos associados à covid-19 e aproxima-se agora dos 11 mil.

O i procurou esclarecer na semana passada junto da Direção Geral da Saúde se é é possível perceber, perante elevada mortalidade que se começou a registar no país logo a partir do início do ano, se existe uma indicação sobre data de diagnóstico das vítimas mortais e se eram pessoas que se infetaram no período do Natal ou anteriormente. A DGS indicou que não havia o indicador com o detalhe pretendido, explicando que, desde o início da pandemia, “a mediana entre a data de colheita da amostra para diagnóstico laboratorial e o óbito são 10 dias”.

 

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