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Corte da EN254 divide população na ida às urnas na aldeia alentejana de Bencatel

Corte da EN254 divide população na ida às urnas na aldeia alentejana de Bencatel

Jornal i 24/01/2021 14:59

“A abstenção que irá existir será aquela que já era para existir por estarmos com uma situação de pandemia e em que provavelmente muitos idosos não vão sair de casa para votar”, explicou autarca.

O corte da EN254, na aldeia de Bencatel, no concelho de Vila Viçosa, em Évora, levou a que a população se tivesse dividido na hora de ir às urnas. Se há quem tenha votado, outros optaram pela abstenção como forma de protesto.

Em declarações à agência Lusa sobre se o descontentamento da população se reflete nas presidenciais, o presidente da Junta de Freguesia de Bencatel, José Cardoso, considerou que “nem tanto” e que tal se observa nas “manifestações populares” que têm sido diárias. “A abstenção que irá existir será aquela que já era para existir por estarmos com uma situação de pandemia e em que provavelmente muitos idosos não vão sair de casa para votar”, esclareceu. Segundo o autarca, a Infraestruturas de Portugal teve “dois anos para encontrar uma alternativa viável e segura para minimizar o impacto social e económico para a população” provocado com o corte definitivo da EN254 junto à aldeia.

Recorde-se que, na sexta-feira, a Organização Regional de Évora do PCP emitiu uma nota em que se pronunciou sobre o eventual boicote às urnas das eleições presidenciais deste domingo. "Boicote não é solução para a luta que é necessária travar! O descontentamento das populações afectadas pelo corte da EN254 é justo e legitimo perante a situação com que estão confrontados a partir do dia 22 de Janeiro, com a decisão do corte definitivo de uma estrada sem encontrar uma alternativa adequada, deixando as populações isoladas e entregues a si próprias", explicou.

"Como afirmámos junto do Governo, através do requerimento recentemente feito pelo PCP, as populações têm direito a ser protegidas e essa protecção implica as medidas que forem necessárias para evitar a circulação rodoviária em estradas que estejam em risco mas implica também encontrar alternativas de circulação para que as populações possam deslocar-se para o trabalho ou aceder ao cento de saúde, às escolas ou outros serviços públicos", adiantou, apelando a que se continue "a lutar para que sejam atendidas as preocupações destas populações e que seja assegurada uma verdadeira alternativa que responda às necessidades evidentes de mobilidade e acessibilidade", assim como à "luta consequente e dirigida para aqueles que com a responsabilidade própria, como o Governo, encontrem essas soluções no tempo e na forma adequados, não arrastando soluções ou descartando responsabilidades".

"Neste sentido o PCP não pode deixar de apelar à população de Bencatel e do concelho de Vila Viçosa que faça ouvir o seu protesto, com a continuação da luta por essa exigência e transformando o descontentamento em voto. O PCP considera que práticas como boicotes a um direito democrático que tanto custou a conquistar e que tantos tentam atacar, não só não responde às legítimas preocupações que o motivam, como fragilizam os objectivos que transportam", concluiu.

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